<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359</id><updated>2011-04-21T22:20:44.904+01:00</updated><title type='text'>Escritos</title><subtitle type='html'>Rebelde por natureza, estóico por opção. Caracteres, palavras, apontamentos, textos; escritos de inconformação perante a conformidade. Para agora, para a  posteridade.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>175</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-6537655889265855895</id><published>2008-09-02T15:56:00.002+01:00</published><updated>2008-09-02T15:59:52.269+01:00</updated><title type='text'>Sonhos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Iteração.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;Deitados, na cama, vivo em suspenso mediante cada inspiração tua. Acordado, sozinho na noite e no prédio, dedico-me a pensamentos impensáveis durante o dia, quando acompanhado de alguém e de luz, à semelhança do edifício, que aproveita a noite silenciosa para se ajustar nas suas fundações e alicerces, quando acredita que ninguém o pode ouvir. Mas eu ouço e, por solidariedade, ajusto os meus planos em função das tuas acções. Lembro-me do teu sorriso, tão forçado que até a mim me doeram os dentes de tanto esforço que fizeste para que as aparências não destoassem. Algo mudou. Algo não está correcto. Consigo sentir uma encosta descendente para o sonho. Consigo aperceber-me de algo escuro, algo novo e sedutor e tu ficas aí, quieta e muda a meu lado, deitada a dormir e sem nada fazeres. Mas isso já não espanta; nem a escuridão aparente que me pode trazer o sono é-me estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorro o habitual corredor da academia. Por entre portas abertas vou vendo fogo e noite, truques de luz e escuridão operados em frente aos anciães quadros de ardósia. Não posso deixar de me sentir maravilhado com as coisas que aprendi quando novo e que hoje ponho de lado a cada momento. E enquanto aprecio o espectáculo oferecido à diligente juventude, movida a curiosidade, café e outro tipo de energia emprestada, reparo na figura ubíqua, no denominador comum, na pessoa que se me vai iludindo de sala em sala. E vejo-te, em todas as tuas encarnações, nas salas de aula, nos corredores, na biblioteca, nas salas de estudo sem nunca apanhar de ti mais do que um olá de circunstância. Empenho-me, então, em nada mais do que ser mestre dos mesmos truques que extemporaneamente surgem de todos os recantos. Só quando finalmente me preparo para abandonar os livros e abraçar o conhecimento é que reconheces a minha existência corpórea. E, no meio dos últimos ensinamentos de água e terra, vida e morte, surges a contra-luz na soleira da porta, dando-me a mão e a conhecer o reverso da medalha. Deixo então de falar com os aguaceiros e estes, desiludidos, recuam e desfazem-se no esquecimento do fundo da sala. Dirigimo-nos para os portões, lá para fora, para a vida adulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gota de água no mundo produz um pequeno arco-íris improvisado entre letras e números, assuntos de gente crescida e importante. Pouso a garrafa enquanto me lembro da outra gota – ou será a mesma? – de água, solitária na porta de vidro do chuveiro, que não se movia. Exaspero perante a contradição; consigo controlar coisas significativas como o aguaceiro quente que gentilmente me cai sobre a cabeça e ombros mas não consigo que uma gota irrisória se agrupe às irmãs e desça para o seu destino. Prescindo de mais confrontações e deixo-a em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regresso à realidade com o peso de um relatório que bate no tampo da minha secretária. Fogo e noite, relembro ao meu colega. Não parece ter percebido a referência e pergunta-me se ouvi o que ele dissera e sossega quando eu aquiesço, embora não o tenha feito, pelo menos que me lembre. Fica parado, a olhar para as paredes, como se a sua única função fosse estar ali e aconselhar-me sobre assuntos para os quais não tenho aptidão. E, enquanto folheio distraidamente o documento maçudo e sem conteúdo, lembro-me das paredes lá de casa e ao que elas já assistiram. Nelas ficaram gravadas as sombras do que fomos e da indiferença que me dispensas ampliada tantas e tantas vezes a partir da com a qual eu te tratava. De pé, no nosso quarto, olho para as minhas mãos impotentes, pensando em como perdemos o controlo e sinto os dedos contorcerem-se em desespero. Não rasgues, avisa-me o meu colega que já não olha para o tom neutro que cobre a parede em frente e que me faz pensar se não estaria a fazer o mesmo que eu. Largo o relatório que principiava a destruir e, passando a mão pela cara, tiro o casaco dos ombros da cadeira e vou para casa. Parado no trânsito, olho pelo retrovisor e, do banco de trás, os teus olhos encontram-se com os meus. Arranco e paro; relanço o olhar e vejo um braço de homem à volta dos teus ombros e um sorriso nos teus lábios. Torturo-me e olho-te nos olhos, mas este sentimento torna-se velho e o teu olhar também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gradualmente, desço a um sono sem sonhos e desconsolado em que o fio branco dos auscultadores contrastando com a tua pele morena se torna o fio condutor de um pensamento que se vai formando e esfumando no horizonte.  Acordas-me gentilmente e dizes que vais para casa. Replico que moras aqui e tu dizes qualquer coisa acerca de casa da tua irmã que não percebo porque virei a cara para a almofada do sofá. Fico então a pensar se o meu colega não teria razão quando afirmou que já não há romance e se ele ainda estará sentado no escritório vazio, silencioso e escuro, a olhar para as paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansado e doente, o vento que me bate nos ouvidos traz murmúrios e resquícios da tua voz, segredos de ânsia e súplicas, como se estivesses perdida, mas o nevoeiro baixo e espesso enche o meu mundo de cinzento. Desorientado e desconfiado, dou o primeiro passo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-6537655889265855895?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/6537655889265855895/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=6537655889265855895' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/6537655889265855895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/6537655889265855895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2008/09/sonhos.html' title='Sonhos'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-805439043116787865</id><published>2008-07-08T03:00:00.001+01:00</published><updated>2008-07-08T03:01:09.549+01:00</updated><title type='text'>(contra) Definição</title><content type='html'>Na verdade, o meu único medo é que a morte seja igual à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-805439043116787865?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/805439043116787865/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=805439043116787865' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/805439043116787865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/805439043116787865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2008/07/contra-definio.html' title='(contra) Definição'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-2026610601599106343</id><published>2008-07-08T02:58:00.001+01:00</published><updated>2008-07-08T02:59:45.412+01:00</updated><title type='text'>Definição</title><content type='html'>O meu único medo é que a morte seja como um sono sem sonho; estéril, inútil, frio e solitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-2026610601599106343?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/2026610601599106343/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=2026610601599106343' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2026610601599106343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2026610601599106343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2008/07/definio.html' title='Definição'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-7667114878540615344</id><published>2007-12-19T00:59:00.000Z</published><updated>2007-12-19T01:42:42.857Z</updated><title type='text'>Compreensão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Parte III - Retomar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma brisa, leve, faz-me regressar à esplanada e à mesa. A chávena, vazia, começa a perder o brilho do reflexo do sol, que se esconde para lá dos prédios vazios. O cavalheiro de azul fita-me inexpressivamente. Olho para as palmas da minha mão: não, não as conheço. Se não conheço as ferramentas que me darão tranquilidade, como poderei utilizá-las de forma adequada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Causa e efeito' ouço a minha projecção do meu eu futuro dizer. 'O quê?' replico. 'É uma questão de causa e efeito. Tu acordas de manhã e vais para as aulas. Passa-se alguma coisa, com alguém, um colega, um professor, uma rapariga, qualquer coisa. Essa é a causa. O que depois se passa dentro de ti, o que sentes e como reages, o que dizes, fazes ou deixas de dizer e fazer é o efeito. Consequência natural dos acontecimentos anteriores e de um processo neurológico que ocorre dentro de ti. Processo esse que é influenciado por tudo o que tu és: as tuas vivências, experiências, desejos, o teu ser primitivo e profundo. Esse és como nasces. Mas também resultas dos genes que tens. Causa e efeito. És assim porque o teu pai e a tua mãe se conheceram e ocorreu uma combinação genética com probabilidade de acontecer perto de zero. Causa; isso vai influenciar as escolhas inconscientes que farás no início da tua vida, antes de começares a colectar memórias e conseguires juntar conceitos. O efeito serão as tuas decisões.' Parou para gozar os últimos raios de sol dourado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Causa e efeito. Ou, se preferires, causa e efeito, efeito, efeito, efeito, efeito, efeito... Sendo a primeira causa a primeira acção de todas do ser que foi responsável pela tua génese.' Calou-se e fechou os olhos. Manteve-os assim durante uns minutos; a primeira vez que o vi fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Como é que sabe isso tudo?' perguntei, curioso. 'Oh! Sei-o porque tu o sabes. Eu só sou tão fluente e capaz de me explicar bem quanto tu o és. Eu derivo de ti: eu sou o último efeito. E agora, ao explicar-te isto, estou a causar um novo ciclo. Estou a permitir-te transformares-te em mim. Um novo ciclo, mas agora virtuoso, ao invés do ciclo vicioso em que vivias e que te oprimia o peito.' O cavalheiro do fato azul desembaraçava-se com uma facilidade notável das minhas questões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Hmm, mas um ciclo não tem início. Teoricamente... é essa a sua definição.' intervenho. 'Teoricamente. Mas na prática... estamos a começar um.' e aqui sorriu. Sorriu de tal maneira que a sua boca se alargou e a sua cara exprimiu mais nesse momento do que até ali. Compreendi, finalmente, o que significava verdadeiramente este sonho para ele. Era a sua existência que estava em causa. Era a minha felicidade que se jogava. Aceitei o desafio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Então... assim que eu regressar e começar a... escrever... a libertar-me das coisas...' começo mas sou interrompido: 'Ah mas escrever não é, necessariamente, a única forma. Há mais. Falares com as pessoas, ouvires as pessoas... tudo conta.' salvaguarda o meu eu futuro, que agora com confiança acreditava ser possível que me transformasse nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Sim, claro. Mas se eu fizer isso, e fizer bem... Quanto tempo demorará?' pergunto, mais uma vez infantilmente. Com um tom não de paternalismo mas de genuíno afecto, o cavalheiro responde-me: 'Não é imediato. Nem podes esperar que seja; aliás, vai demorar algum tempo. O que tens de perceber é que não há receitas mágicas. Tens que saber esperar. Tens que saber agira em conformidade com aquilo que queres e, sobretudo, com aquilo a que te propões. Se fosse imediato, qual seria a piada do jogo? A vida só tem piada se nos depararmos com algumas montanhas e alguns penhascos. Se fosse sempre uma planície saberias logo o que esperar. E isso tiraria toda a graça do jogo.'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Então a vida é um jogo... Engraçado, para quem não sabe nada sobre si próprio, o senhor sabe muito sobre a vida.' digo eu, um pouco na defensiva. Com um sorriso ternurento, o cavalheiro de azul escuro responde: 'Eu sei o que tu sabes. Eu sou apenas uma projecção tua. Tu já sabias tudo isto, estavas só à espera de o verbalizar. Essa verbalização aconteceu desta maneira, num sonho. Digamos que eu sou apenas... um catalisador.' Posto isto, levantou-se e levou o jornal consigo. À medida que se afastava, em direcção oposta à do sol, ocorreu-me que não sabia para onde ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Espere!' grito, levantando-me e iniciando uma corrida para ele. 'Como é que volto para trás?' O cavalheiro voltou-se e, sempre sorrindo, diz-me apenas: 'Eu só criei esta cidade. O sonho é teu, tu é que mandas. Certamente saberás e poderás fazer o que quiseres.' Virou-me pela última vez costas e prosseguiu a marcha, sem hesitar. Voltei para a esplanada e sentei-me na mesma cadeira onde estivera as últimas horas. Ou minutos. Ou segundos, não sei quantificar. Se, de facto, estou a sonhar, até pode ter sido mesmo pouco tempo. Deixo-me ficar por ali, esperando um sinal. O sol põe-se completamente e sou envolvido pelas sombras. Os meus olhos habituam-se rapidamente à escuridão instalada. As lâmpadas dos candeeiros da praça não se iluminam e do café e dos outros prédios não chega luz. Fecho os olhos e inspiro fundo. Reparo, com alguma surpresa, que o ar é salgado, como se fosse maresia, como se estivesse junto ao mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abro os olhos. Estou deitado, de volta à minha cama. Levanto-me e sem hesitar lanço-me para a secretária onde pego numa folha solta e numa caneta e escrevo. Escrevo até os meus dedos estarem dormentes e faltarem-me as palavras. E enquanto o peso do meu peito se levantava a cada palavra escrita, enquanto a garganta se libertava do nó opressor a cada sentimento nascido de uma situação vivida e incompreendida que era posto no papel, enquanto as lágrimas recuavam a cada folha que retirava do caderno para continuar a escrever, sabia que este era o caminho certo para ser, um dia, o cavalheiro vestido impecavelmente de fato azul escuro e poder sorrir de forma genuinamente afectuosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-7667114878540615344?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/7667114878540615344/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=7667114878540615344' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/7667114878540615344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/7667114878540615344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/12/compreenso.html' title='Compreensão'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-3340589564721215599</id><published>2007-11-10T01:20:00.000Z</published><updated>2007-11-10T02:16:25.610Z</updated><title type='text'>Compreensão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Parte II - Aceitar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquiesço; é, de facto, uma cidade notável. Mas isso não explica porque é que eu sei que foi ele quem a fez e porque é que a fez e, acima de tudo, porque é que eu não consigo descobrir quem ele é. Talvez o cavalheiro se tenha apercebido da minha hesitação, pois por trás da chávena que levou à boca vejo uma sobrancelha erguida. 'Podes perguntar à vontade', informa-me ele. E não consigo conter mais as palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Porque é que eu não sei de onde é que o conheço? Porque é que estamos aqui? O que é que estamos aqui a fazer?' disparo tudo de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Bebe o teu chá. Está a arrefecer' faz-me notar enquanto aponta para a chávena inamovida desde que o cavalheiro me a serviu. Como que envergonhado por aquele reparo, bebo um bocado de chá. Imediatamente uma onda de calor percorreu-me o tronco e uma sensação de descompressão propagou-se pelos meus membros. Enquanto contemplava o meu reflexo trémulo na superfície ondulante do chá, o cavalheiro abre o jornal e começa a ler. Uma pequena brisa é audível e só é cortada pelo barulho das folhas de jornal que são viradas. Olho para a capa e tento ver a data; impossível. Concentro-me então nas notícias e sinto o coração saltar uns batimentos ao reparar que a fotografia na capa parece-se com a de um homem, de um homem tremendamente familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento então espreitar para as páginas dobradas sobre os dedos do cavalheiro de fato azul escuro e vejo imagens, palavras, frases de coisas que eu já vi, ouvi, disse, fiz. E nas páginas centrais vejo uma fotografia dela. E delas. E das coisas que eu escondo bem dentro dos recantos mais profundos e negros do meu ser porque me envergonho delas. Confuso, bebo um pouco mais de chá, agora completamente gelado e sem sabor. Desvio o olhar para os prédios do outro lado da praça: consigo ver através das janelas tão limpas que nem reflectem a luz. Consigo ver as fundações de cada edifício e as estruturas parecem esqueletos gigantes de projectos que nunca foram em frente, de ideias que pareciam óptimas em teoria mas que na prática colapsaram ao primeiro contratempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o cavalheiro de fato azul escuro, enquanto vira as páginas, solta umas exclamações como: 'Ah, sim!' e 'Oh, esta deve ter doído'. Mas mais perturbante foi o que disse quando pousou o jornal e disse sem hesitar: 'Sim, no fundamental, teria feito o mesmo. Voltaria a fazer o mesmo'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante isto, não consigo deixar de perguntar: 'Voltar a fazer? Mas o que é que estava a ler?' Com um aceno do braço descomplica a pergunta e desarma-me, dizendo que estava somente a ler as cotações da bolsa desta semana com um sorriso matreiro na cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Agora, se me recordo bem, tinhas umas perguntas para mim. Muito bem, comecemos pelo princípio.' Ajeita a cadeira para ficar mesmo de frente para mim e, com um arrepio a percorrer-me as costas, sinto que olha directamente para a parte direita da minha cara, obscurecida pela penumbra, mas como se olhasse directamente para dentro de mim. 'Já reparaste que nesta cidade não vive ninguém? E que não há lixo? Ou que nem sequer precisaste de vir de carro e de procurar um lugar para estacionar porque havia um transporte quase à porta de casa onde acordaste até este lugar, ao qual vieste ter tão naturalmente?' Pausa para tomar mais um pouco de chá. Da sua chávena ainda se levanta, lânguido, um pequeno vapor. 'Já reparaste que esta cidade é tudo quanto tu alguma vez quiseste?'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Então quer dizer que estou a sonhar. Ou estou morto. E que quem fez esta cidade aparecer, e presumo que tenha sido o senhor, sabia tudo sobre o que eu desejaria numa cidade.' Parei porque o cavalheiro estava a sorrir. Prossegui: 'Das duas, uma. Morri e o senhor é Deus e isto é o meu Paraíso. Mas não pode ser porque se eu realmente estou morto, veria novamente aqueles que me eram queridos e que morreram antes de mim. Então há ainda outra hipótese; estou morto e isto é o meu Inferno e estou condenado a ficar aqui isolado para sempre.' Parei, ao sentir o familiar nó apertar-se na garganta. ' Mas eu fui bom. Eu tentei sempre fazer coisas boas' disse com a voz embargada, de forma infantil, com os olhos rasos de lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Oh sim, tu és bom. Repara que eu uso o Presente. Tu és bom. És um pouco infeliz, mas creio que isso se pode alterar. Não, não morreste. Por isso há ainda a terceira hipótese, a que não formulaste e a que julgo, porque creio que já percebi a tua linha de raciocínio, estar mais próxima da verdade. Continua.' encorajou-me ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Então se não estou morto, estou a sonhar. E o senhor...' hesitei. 'Sim?' perguntou-me ele, já com os olhos a brilhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Então o senhor sou eu. Mais velho. Mais... adulto. Mais... qualquer coisa. E é por isso que eu o conheço: é parecido comigo, mas o tempo modificou-lhe um pouco as feições e claramente trata melhor de si do que eu a mim próprio. Mas se eu estou a sonhar, como é que posso sonhar comigo mesmo no futuro?' E aqui estava genuinamente confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Sim, de facto, como? Sabes o que eu acho? Acho que eu sou uma imagem que tu projectas para ti próprio de um futuro de sucesso, de felicidade. É por isso que eu sei tudo sobre ti mas tu quase não sabes nada sobre mim. Sabes o produto final, não sabes como lá chegar.' confessa o cavalheiro, sempre a fitar o lado direito da minha cara, como só esse lado pudesse saber a verdade, enquanto o lado esquerdo, banhado pelo sol, rejuvenesce a cada momento que passa e a parte que a completa envelhece com o peso do conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Então mas porquê agora? Porquê eu estar a sonhar com isto hoje? Seja hoje quando for. Aconteceu alguma coisa para ter provocado este... sonho, esta situação.'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Oh, acho que isso foste tu que fizeste inconscientemente. Ou subconscientemente. Querias dar um pontapé de ressalto na tua vida, mudar o rumo, subir-lhe uns furos. E convocaste-me para eu te dar umas dicas.'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Isso quer dizer que posso fazer isto sempre que quiser?' pergunto infantilmente ao cavalheiro de fato azul escuro impecável que sou eu. Deve ter reparado na excitação que passou pela minha mente e fez brilhar os meus olhos momentaneamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Não. Aconteceu desta vez porque aconteceu. Não pode ser sempre que quiseres. Da mesma forma que não é Natal ou o teu dia de anos todos os dias.' acrescenta com candura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Então...' e o nó na garganta começa a desapertar-se 'posso perguntar-lhe coisas? Posso saber alguma coisa do futuro?'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Não... eu sou apenas uma imagem, um reflexo dos teus desejos. Nada sei de mim mesmo, mas sei de ti. Do teu eu presente. Do que queres, do que sabes, do que tens medo, do que pensas quando olhas para o infinito. E é disso que eu te posso e...' hesita 'quero falar.' conclui, enquanto desvia o olhar e bebe um pouco mais de chá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Porque é que todos os dias sinto o coração na boca? Porque é que às vezes sinto a garganta fechar-se e picadas nos olhos?' lancei as perguntas mais prementes, até porque durante quase toda a conversa foi o que se passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Isso é porque não lidas com os teus sentimentos de forma correcta. Tens que arranjar um modo de escapar às tuas preocupações diárias e futuras. Se bem que os teus receios do futuro só se cumprirão se não acatares os conselhos que te posso dar. Se fizeres o que vais perceber que tens que fazer, eu concretizar-me-ei. Não sei se esta expressão existe, mas é o melhor que consigo arranjar' confessa o cavalheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Então o que é que eu posso fazer? Eu tento perceber o que é que se passa de mal. Eu sento-me e tento analisar porque é que fiz isto desta maneira e não de outra e o que aconteceria se tivesse optado por outra coisa completamente diferente.'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Pensas demasiado. Já te disseram isto mais do que uma vez, já te repetiste a ti próprio vezes sem conta e continuará a ser verdade a menos que saibas pensar menos, mas melhor.'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Então o que é que posso fazer?' repito a pergunta. E continuo: 'A única coisa que sei fazer é pensar sobre as coisas. Interpretá-las e catalogá-las em diferentes secções na minha cabeça, acessíveis para quando precisar delas. Nada mais.'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'E isso é uma coisa boa. Quer dizer que já sabes separar o que realmente importa das coisas acessórias.'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Então qual é o próximo passo? Agora que já percebi. O que é que devo fazer agora?' pergunto, sempre no tom infantil que já tomei por normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Agora escrevemos.'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a inclusão da forma plural não me passou despercebida, mas achei-a lógica. Pensei que seria uma daquelas coisas que não damos muita atenção imediatamente, mas um dia quando tivermos tempo para pensar, percebemos que deviamos questioná-la ali mesmo, na altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto considerava todas estas coisas novas, o cavalheiro de azul escuro serve-me um pouco mais de chá que bebo maquinalmente, enquanto olho distraidamente para a praça deserta, aberta sobre os raios de sol que caiem nesta cidade que eu criei para mim mesmo; enquanto olho para o infinito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-3340589564721215599?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/3340589564721215599/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=3340589564721215599' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3340589564721215599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3340589564721215599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/11/compreenso.html' title='Compreensão'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-3624548204911733765</id><published>2007-10-21T13:26:00.000+01:00</published><updated>2007-11-10T02:21:05.528Z</updated><title type='text'>Compreensão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Parte I - Chegar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Abro os olhos, como quem acorda, mas não é como se acordasse. Sei, instintivamente, que algo mudou, está diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitado na minha cama, não ouço o reboliço nas ruas que seria de esperar. O sino da Igreja não bate as horas, não se ouve os ruídos do trânsito e as conversas das pessoas não chegam cá acima pela janela do meu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanto-me sem propósito a não ser aquele que tenho todas as manhãs: levantar-me, tomar banho, vestir-me, comer qualquer coisa à pressa, ir tratar da minha vida como um cidadão respeitável, se bem que quase todos os dias não sei porque o devo fazer. Mas hoje não sigo a rotina; se lá fora não o fazem, porque devo eu? E então visto-me e saio pela porta de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para minha leve surpresa, saio directamente para a rua. Um momento de estranheza e tudo encaixa. Foi como se sair pela porta de casa e entrar no pátio dos elevadores fosse uma coisa antiga, de casa dos nossos pais que não visitamos há anos, e se nos lembrássemos agora, numa reminiscência infantil. Não; agora é assim e não o devo questionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vagueio pelas ruas imaculadas, solarengas. As árvores, viçosas e verdejantes, contrastam com o azul límpido do céu, expurgado de nuvens e traços de aviões. Os prédios apresentam, orgulhosamente, fachadas limpas e pintadas de fresco. Não há caixotes de lixo a transbordar e não se vê um jornal perdido a esvoaçar nas estradas libertas de carros. Devo ter entrado num modelo de cidade, pronto a estrear, esperando apenas que chegassem os seus habitantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao pensar em habitantes, apercebo-me que ninguém circula nas calçadas e vivalma assoma às janelas para me acompanhar neste passeio. Mas é natural, certamente. Foi como se tivesse acordado entre momentos do mundo e este ainda não tivesse carregado as pessoas para aqui viverem. Ando mais uns momentos, sem rumo nem destino traçado, até chegar a uma estação de metro. Algo me diz que devo entrar e faço-o sem questionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirijo-me às bilheteiras automáticas, mas não as há. Olho para as escadas que dão acesso ao cais e não vejo torniquetes. Sigo então para as linhas e vejo que um comboio me espera, de portas abertas, convidativo. Entro, sento-me, sempre sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As portas fecham-se e as carruagens, imbuídas de movimento, começam a abanar ao longo do túnel escuro que percorrem. Ao fundo, bem ao fundo, começa a surgir luz. O comboio desacelera e pára na estação. Deixo-me sentado enquanto as portas abrem e assim permanecem. Ao fim de algum tempo (não sei precisar se segundos ou minutos), compreendo que este comboio não vai a mais lado nenhum e apeio-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo as indicações para a saída que aparenta ser a única. Não deixo de reparar na estação: majestosa, com abóbadas altas e bem iluminada pelo sol que penetra numa clarabóia imensa no topo. Uma estação que não destoaria da Inglaterra Vitoriana, penso. Subo as escadas sem dificuldade em direcção ao sol lá de fora, não o emprestado pelo vidro no tecto. Não deixo, mesmo assim, de ser momentaneamente ofuscado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pisco os olhos infantilmente durante alguns segundos. Depois, como que impelido apenas pela curiosidade, ponho-me em marcha outra vez. Esta dura apenas uns minutos pois, ao virar de uma esquina, vejo alguém. Sentado numa esplanada soalheira, numa praça ampla, liberta de obstáculos, onde o sol bate de forma convidativa, espera alguém. De mim, compreendo sem dificuldade. Aproximo-me e quando começo a distinguir as suas feições, levanta-se e saúda-me amigavelmente, como que a um companheiro de estudo ou trabalho ou equipa de longa data . Há algo na sua cara, nos seus gestos, no seu fato azul-escuro impecável, no seu nó de gravata perfeitamente encostado à gola da camisa branca imaculada, que me faz suscitar dúvidas: eu conheço-o, mas de onde? Como alguém conhecido mas há muito desencontrado. Percorro todas as minhas memórias mas não o sei localizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Senta-te', diz ele apontando uma cadeira, enfatizando o convite. Silenciosamente, obedeço e sinto o sol a queimar-me de perfil, enquanto o meu lado direito permanece na sombra. Apercebendo-se do meu desconforto, abre um guarda sol que atravessa a mesa. 'Pronto, assim está melhor, não?'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquiesço silenciosamente. Antes de se sentar, pergunta: 'O que queres tomar? Não, espera. Eu sei. Volto já' e entra no café. Interrogo-me uma vez mais sobre quem será ele, o cavalheiro que tem o cabelo bem penteado e faces sem traço de barba. Perco-me em considerações até que o vejo sair do café, com um tabuleiro nas mãos e um jornal enrolado debaixo do braço. O café, num prédio antigo mas restaurado, aparenta ter mais idade que a minha multiplicada por seis: lá dentro, as traves que suportam o tecto são de madeira, como o balcão, as mesas e as cadeiras. Tem um aspecto acolhedor e amigável, mas cá fora há o sol, o azul do céu e... o cavalheiro de fato e gravata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pousa o tabuleiro e começa agora a servir chá de uma pequena chaleira de porcelana. Estende-me uma chávena e toma uma para si também. Olho para a minha: tonalidades laranja, como a indicar um equilíbrio que há muito não sentia, tremem sobre a mesa que está coxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Ah! Espera' diz o cavalheiro. Toca com os dedos na perna na mais curta e esta toma o tamanho das suas irmãs; a mesa, agora equilibrada, deixa de tremer. 'Assim está melhor.' continua, fitando-me. 'Chá preto com tília. O teu preferido, não é?'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto tentava perceber como é que ele sabia aquilo, ouço o dizer: 'O que achas?' apontando para a cidade com o braço, num gesto de aparente orgulho, mas que secretamente era de despreocupação 'Perfeita, não é?'&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-3624548204911733765?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/3624548204911733765/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=3624548204911733765' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3624548204911733765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3624548204911733765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/10/compreenso.html' title='Compreensão'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-5707747004322113468</id><published>2007-08-01T02:37:00.000+01:00</published><updated>2007-12-19T01:47:30.531Z</updated><title type='text'>Sonhos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sequências.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;Abro os olhos; a luz forte do sol desmaiou as cores. Vivo num mundo a preto e branco durante alguns minutos, sendo a única cor presente a do azul vivo dos meus calções. A pele, quente, anseia por frescura. Cedo ao seu desejo e dirijo-me ao mar, onde mergulho nele. Volto para a minha toalha, onde, a seu lado, estás tu deitada, ao sol, como uma daquelas actrizes famosas. Só te falta o copo de cocktail ao lado e poderias ser uma.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Saio do duche e visto um roupão. Sento-me numa cadeira no terraço do nosso quarto de hotel; o sol põe-se gloriosamente sobre a baía e, ao longe, nuvens escuras preparam o seu assalto à terra firme, onde depositarão a sua água durante uma meia hora e dissolver-se-ão para reagruparem amanhã, sobre o mar revolto. A tua voz chega-me aos ouvidos lá de baixo. Espreito, debruçado no corrimão, e vejo-te a falar com alguém, oculto por uma árvore qualquer, daquelas que só crescem nestes sítios tropicais. Pareces rir, pareces satisfeita. Recordo o ar de leve indiferença que me tens dado nos últimos dias e um batimento cardíaco fora do lugar faz-me pensar na tua fidelidade. Concentro o olhar na água transparente do mar e tento fechar a mente a outras considerações.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Vive-se de noite. Sai, de um tugúrio na parede, luz que convida. Entro na casa velha e encontro alguém que reconheço, ainda que fugazmente, e que me indica a porta que dá para o quintal. Lá fora, de roda da mesa, um grupo de pessoas conversa à luz eléctrica das lâmpadas de baixa voltagem, o que confere uma aura soturna sobre a noite. Estás sentada, uma versão mais nova de ti, ao colo de uma mulher. Sento-me na cadeira vaga, a oposta, e fito-te. Tens o quê, 15 anos? Como rejuvenesceste? Alguém fala sobre férias e não consigo deixar de franzir uma sobrancelha. Como se perguntasse porquê este tema, antecipas-te e dizes-me para acordar. Quando replico que estou acordado, riste-te e repetes a advertência.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Estou acordado, digo eu novamente. Agora estás, respondes tu. Assusto-me ao ver a tua versão do presente. Olho à minha volta; adormeci, embalado pelo sabor do rum e o odor das folhas de tabaco, por entre as cortinas de fumo dos charutos fumados por homens com aspecto de negócios medíocres e respectivas mulheres com ar de quem era capaz de ir para trás da palmeira mais próxima e enganar o marido ali mesmo. Não te distingo delas e refiro que estou cansado para arranjar uma desculpa para ir para o quarto.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;O naufrágio parecia inevitável, mas não páro de acenar ao barco, da falésia. O recife é traiçoeiro e a maré baixa, mas aparentemente o capitão não o sabe. Começo a gritar mas perdem-se os avisos no vento marítimo que bate forte e bruscamente. Sou varrido por uma vaga e a custo levanto-me, mesmo a tempo para ver que a quilha embate numa rocha e o casco quebra-se. Um só marinheiro vem à amurada, talvez para fazer um relatório de estragos. Fita longamente o sucedido e volta para a ponte, talvez para relatar a ocorrência. O sol acaba de se pôr e a noite passa rapidamente: nem dei por ela. O barco ficou encalhado e aguentou estoicamente a provação. Ao alvor, reparo na tripulação que abandona o navio nos escaleres, enquanto que o capitão, que ficara para trás, desce ao recife e deposita qualquer coisa junto à brecha no casco. Sobe novamente para bordo e vejo-o manejar um instrumento. Percebo que vai dinamitar o que resta do casco e que prende-o ao recife, numa tentativa desesperada de se soltar. Grito novamente para preveni-lo da loucura mas calo-me quando consigo olhar bem para o capitão, reconheço-me na sua azáfama. Reconheço-me porque ele sou eu. E olho com pavor a explosão causada e que certamente foi mal calculada: o navio explodiu na sua totalidade.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Ouço então o ruído da explosão; chega-me agora aos ouvidos através da porta que bates. Deitado, semi-despido sobre os lençóis, o cabelo adeja-se-me à testa com o suor. Acendes uma luz e protesto perante tal acção. Apagas a luz e deitas-te a meu lado na cama. Não te vi despir mas parece-me que o estás. Puxas-me um braço para ti e dizes qualquer coisa de que me devia recordar, mas ignoro-o. Mudas de posição: estás agora deitada em cima de mim e beijas-me e levas-me a mão pelo teu corpo quente. Mesmo quente, tão quente que queima. Onde estiveste? Respondes que foras a uma festa ali ao lado e continuas a beijar-me, agora na cara e no peito. Vou a dizer qualquer coisa, mas percebes que o meu peito se eleva com a inspiração aquando da formulação das palavras e pões dois dedos na minha boca, para me calar. Fecho então os olhos e deixo-te fazer o que quiseres comigo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Sais para o trabalho, eu fico em casa. Já ganhei dinheiro suficiente este ano para não ter que pôr os pés no escritório durante uns tempos e decido-me por ficar os dias em casa, a dormir no sofá enquanto a televisão, ligada e com o volume no mínimo, deixa-se contentar por ser companhia. Chegas e trazes contigo um sorriso. Animada, mostras as compras de meio da tarde e indicas que vamos jantar fora, com amigos. Que amigos, interrogo-me silenciosamente. Olho pela janela e semicerro os olhos. O que é que vais fazer agora, perguntas. Não podes ficar os dias todos em casa, continuas, e eu confesso-te que me apanhaste num momento de fraqueza. Ainda não sei, ainda não pensei nisso, minto. Desprezas a minha fala e vais tomar um duche. Genuinamente interessado, sigo-te até à casa de banho e observo-te, pela porta entreaberta, enquanto te despes e entras na banheira. Apercebes-te disso e convidas-me a entrar mas replico que tenho que me vestir e vou para o quarto fazê-lo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;À mesa, com todos presentes, ouço-me fazer um brinde ao nosso amigo comum que se vai embora em breve e que por isso devemos beber a nós todos: porque somos jovens, atraentes e estamos vivos no meio do nosso poder e fortunas obscenas. Enquanto bebemos e eu me sento, sinto a tua deslizar sobre a cadeira e procurar a minha. Segredas-me ao ouvido que queres que eu beba, que tu levas o carro para casa e que hoje eu tenho que me divertir. Como um rapazinho, obedeço-te. Bebemos todos e saímos para as ruas calcetadas e que sobem por entre os prédios baixos e que têm varandas de ferro forjado. Nos rés-do-chão, bares vendem a jovens, tão díspares de grupos sócio-económicos e culturais. Repreendes-me por estas considerações, chamando-me de velho. Surpreso, vejo melhor a tua roupa justa que te realça as curvas do corpo. Beijo-te e beijas-me também, partilhamos o mesmo furor que o calor de meia noite nos traz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-5707747004322113468?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/5707747004322113468/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=5707747004322113468' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/5707747004322113468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/5707747004322113468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/08/sonhos_01.html' title='Sonhos'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-270073067438286996</id><published>2007-07-27T06:28:00.000+01:00</published><updated>2007-07-27T06:47:29.264+01:00</updated><title type='text'>Conjecturas</title><content type='html'>Porque é que gostamos de nos sentirmos mal? Porque é que gostamos de planear depressões a médio-longo prazo? Porque é que teorizamos situações em que possamos fazer uma escolha que leve ao isolamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confronto-me com decisões que só tenho de tomar daqui a meses, anos, eras e mesmo assim decido já pela via fácil do isolamento, do eremitismo, da solidão. Não sei se é epicurismo tirar contentamento pelo facto de saber que, se fosse agora, escolheria isto e aquilo. Não sei o que sei e o que julgo saber, sentir e aplicar à minha vivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo a explorar os sentimentos que me enchem e a tentar compreender as sensações que a minha pele alberga. Sinto a falta do toque hidratado na superfície rugosa da minha epiderme mas receio que se torne mais que isso. Receio ter que puxar as mangas para cima para descobrir mais pele para ser tocada e acariciada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ignoro a totalidade da devastação que provocariam as opções que tomo agora se as tomasse na altura devida. Remeteriam-me para um canto? Libertar-me-iam? Não sei e mais uma vez, julgo que só saberei se as tomar no momento certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta minha mania do estoicismo, de querer não me levar por entusiasmos, de querer aguardar que passem os ventos frios e que o sol não se detenha muito tempo sobre mim, levar-me-á onde? Ao que pretendo; uma vida sem sobressaltos? Ou, por outro lado, a toda uma existência patética?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Receio por tudo isto. Temo que quando chegar o dia em que o amor for demais, me lembrar das palavras que profiro na minha mente todos os dias: já nada mais há a fazer. E será nessas alturas em que me deixarei levar por perversões e promiscuidades, justamente as coisas que quero combater.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que vai acontecer ao meu corpo? Será mais uma carcaça a apodrecer debaixo da terra argilosa? Ou conseguirei que a minha memória seja exaltada pelos que virão, posta lado a lado com a dos nossos maiores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que temos que fazer? O que é que temos que decidir? Temos mesmo que decidir agora? Não podemos simplesmente contemplar as opções à medida que elas se desenrolam? Não podemos, pacatamente, prever que tudo cairá nos lugares devidos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos deixar de conjecturar e somente observar à distância, seguros na nossa solidão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-270073067438286996?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/270073067438286996/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=270073067438286996' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/270073067438286996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/270073067438286996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/07/conjecturas.html' title='Conjecturas'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-958146880482160962</id><published>2007-07-23T23:33:00.001+01:00</published><updated>2007-07-23T23:33:47.594+01:00</updated><title type='text'>Sonhos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Primeiras noites e dias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Embalado, como quem toma balanço, vou pela vereda abaixo até chegar à água. Cautelosamente, enfio os dedos dos pés nas águas escuras e frias e tenho medo, medo da escuridão que revolve debaixo nas profundezas. Retraio-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sossega, dizes-me tu, enquanto me afagas o cabelo. Entreabro os olhos e vejo-te a cara. Encolho-me no teu colo e fecho novamente os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sensação de beatitude preenche-me. Os escolhos vêem dar à margem enquanto o rio se desintegra. Uma ruptura no meio do leito. O mundo acaba aqui e tudo converge para o abismo. O mundo acaba e as minhas preocupações são varridas pelo vento. As pedrinhas agarram-se desesperadamente às margens para não serem sugadas pelo vórtice. As águas agitam-se com medo e tentam abraçar-me para que eu não as deixe ser levadas. Mas estou calmo. E permito que os meus membros se alonguem e fujam à escuridão, em direcção ao sol que se põe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo no dia seguinte. No trabalho, um colega diz-me: já não há romance. Mas não lhe ligo muito, estou distraído a pensar em blusões de cabedal e guitarras castanho-escuro. Um cabelo cai sobre a minha mão. Passo o resto dia a querer dormir para poder sonhar.&lt;br /&gt;No parque de estacionamento, uma camisola está presa num ramo. Um mocho pia e sinto um arrepio percorrer-me as costas. Olho para trás e vejo a pequena casa branca com telhas vermelhas no topo. Pela chaminé sai fumo e um cheiro doce a maçãs verdes preenche o ar. Vejo a humidade descer sobre a terra escura e as pinhas amontoadas e dispersas como caveiras num campo de batalha brutal e antigo.&lt;br /&gt;De sobressalto, acordo. Apoio os braços na mesa e o computador devolve-me o olhar no seu ecrã negro. Mexo o rato e uma folha de texto branca preenche agora as duas dimensões em frente dos meus olhos. Tiro o casaco das costas da cadeira e vou para casa.&lt;br /&gt;À noite, deitado na minha cama, só consigo ver no tecto o rectângulo branco do monitor que não desliguei no escritório. Consigo ouvir a tua respiração pausada e sinto os lençóis mexer com o teu movimento. O calor sufoca-me. Toco-te no ombro despido, a tua pele está fria e dura, como se estivesse morta há dias. Fecho os olhos e viro-me para o lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terra debaixo dos meus pés treme suavemente por causa dos cascos dos cavalos que galopam ao longe. O fogo vibra por todo o lado enquanto cadáveres mutilados estão espalhados. Não sinto o calor das chamas que rodeiam a planície mas sou obrigado a olhar para cima em busca de ar, o fumo enche-me a garganta e asfixia-me. Vejo, então, que das nuvens não brota água, mas jorra fogo e pedra como chuva. Uma sensação de terror percorre-me os músculos paralisados. De frente para mim, uma figura envolta em sombras negras e mantos da mesma escuridão estende a mão para mim e toca-me no ombro. Sinto os ossos insuflarem-se e quebrar enquanto um grito fica preso na garganta cerrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritaste, apontas-me com um ar acusador. Estamos sentados na cama e ligaste a luz da tua mesa de cabeceira. Percebo que estou completamente encharcado em suor e vou tomar um duche. Enquanto a água me arrefece a pele quente, o ombro dói-me como se tivesse tentado travar um carro de frente com ele.&lt;br /&gt;Viajamos para longe, para algum dos sítios que outrora visitámos e gostámos. Estou sentado à coxia do avião, tu sentas-te à janela e olhas lá para fora com um olhar sonhador. Concentro-me na minha revista. Não trocamos palavras embora aspiremos o mesmo ar; chega-nos.&lt;br /&gt;Vou a sair da porta de casa para passear nas ruas banhadas pelo sol tórrido. Começo a ver as pessoas sentadas nos degraus das portas, à sombra, quando alguém me puxa pelo ombro. Olho para o lado e vejo-te, sentada, no teu lugar do avião à janela.&lt;br /&gt;Já estavas a sonhar? Não sei, respondo. Se estivermos a ver o que sabemos ser real, é sonhar? Não me elucidas e voltas a olhar lá para fora, para o oceano azul límpido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No topo do prédio, um zumbido eléctrico enche o ar. De porta aberta, estou sentado no lugar do condutor e com as pernas de fora, fitando a cidade que desperta. Falas comigo com um ar aflito e numa língua estrangeira. Sacudo a cabeça e respondo-te no idioma que conheço. Apontas para o céu e dizes mais algumas palavras. Encolho os ombros e digo-te que não sei o que te dizer. Continuas de dedo insistente para cima e eu sigo-o. O céu diz-me qualquer coisa que não sei interpretar. Viras-me costas e corres para a borda. Deixas-te cair quando lá chegas. Olho para o espelho retrovisor e vejo dois olhos inexpressivos e mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos pela traseira do monstro mecânico que voa. O ar é um miasma de gases mortos que passa por ar. Porque viemos para cá? Tudo está morto, até o próprio ar. Os funcionários do aeroporto tem os olhos mortiços e movimentos lentos. A roupa deles está-lhes larga e bafienta. Esperamos pacientemente no terminal, junto ao tapente rolante que nunca passa as nossas bagagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordas-me novamente no avião. Estavas a falar das malas, reportas. Estava? Ainda não chegámos? Fazes que não com a cabeça e aquiesço. O oceano fôra substituido por terra, lá em baixo e começam a notar-se edifícios. Estamos a descer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-958146880482160962?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/958146880482160962/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=958146880482160962' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/958146880482160962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/958146880482160962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/07/sonhos_23.html' title='Sonhos'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-3375811346593836700</id><published>2007-07-19T04:20:00.000+01:00</published><updated>2007-07-19T04:22:30.930+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;20. Beniamo Gigli - Nessun Dorma (Turandot, Puccini)&lt;/span&gt;            &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O sono não vem e não virá. A noite não deixará ninguém dormir e eu não me deixarei dormir até definir o que fazer com a minha vida que passa, para que quando adormecer, seja um sono doce, sem sobressaltos, confortado pelo facto de saber ter um rumo para atacar tudo quanto seja obstáculo. Que ninguém durma, especialmente tu e eu, nos nossos quartos frios. Não quero que durmas porque quero que passes o mesmo que eu, quero que sintas a saudade impiedosa roçar nos ossos e encher as cartilagens de líquido até inflamar. Quero que sintas a dor e desespero das noites em que a alvorada não vem.&lt;br /&gt;Que as estrelas velem por nós todos nesta noite. Que as estrelas tremam de temor pela magnitude do meu amor, que tremam com a minha fé e esperança em que tu cedas e eu me levante e erga a cabeça. Que a noite não cesse enquanto eu não a matar para que nós dois possamos compreender. Compreender o que nos move, compreender o amor que nos consome.&lt;br /&gt;Mas as minhas intenções mantêm-se fechadas em mim; um mistério, até mesmo para mim. São secretas e ser-me-ão reveladas quando for a altura certa. Guardarei os pedaços de cada noite dentro de mim como combustível para manter o fogo vivo que vai iluminar todas as outras noites de forma esplendorosa.&lt;br /&gt;Anseio pelos teus lábios na minha pele. Anseio o beijo que me darás quando perceberes que sou um príncipe que se fez sozinho e que lutou contra o silêncio imposto pelo amor inconfessado. Anseio pelo beijo que te darei que te fará minha. Anseio pela luta contra as muralhas fortes e seguras e torres altas e orgulhosas e moinhos de vento que serão sempre gigantes. Anseio pela luta e já escolhi uma.&lt;br /&gt;Abro o armário e pego em todas as garrafas que consigo. Levo-as para a cozinha e ponho-as dentro de um saco. Levo o saco para a sala e meto lá dentro as restantes garrafas. De saco na mão, procuro pela casa tudo o que seja o inimigo. Volto para a sala, com o saco cheio e a retinir o vidro, os líquidos inquietos nas garrafas, os comprimidos a bater contra o plástico que os guarda. Deposito tudo no chão da sala. Vou buscar um bastão ao meu quarto. De pé, em frente ao saco, olho pela janela e a noite mantém-se. Inspiro. Com um sorriso nos lábios, começo a espancar as garrafas que se partem como castelos de areia na praia. Devolvo com uma força brutal todo o desespero e paz podre que o álcool e os comprimidos me deram ao longo dos anos, devolvo com todos os músculos do meu corpo a dor provocada. Rebento o vidro todo até não ser mais que cacos que jazem derrotados no fundo de um saco do lixo, no chão da minha sala. Sinto a doce redenção fluir nas minhas artérias, expulsando o amargo da angústia, levando a cada célula do meu corpo a libertação.&lt;br /&gt;Que acabe a noite. Que recuem as estrelas que guardam a noite e o teu sono. Ordeno às estrelas e à lua que se ponham e que suba o sol e traga consigo a alvorada. Que venha a alvorada e que testemunhe a minha vitória sobre a infelicidade pois eu atravessei a mais longa das noites e, batalhando sozinho, derrubei os castelos erguidos contra mim e corro para ti e para a luz; serás minha novamente. Que agora a luz se submeta a mim pois eu venci.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-3375811346593836700?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/3375811346593836700/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=3375811346593836700' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3375811346593836700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3375811346593836700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/07/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os_1794.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-1240425473967848034</id><published>2007-07-12T20:00:00.000+01:00</published><updated>2007-07-12T20:01:16.253+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;19. David Lanz - Silent Night&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;            &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A noite fria e silenciosa insinua-se por cada frincha de cada janela e porta, intromete-se insidiosamente em mim pela pele debaixo das minhas unhas. A noite fria e silenciosa instala-se nas ruas e esconde sombriamente as poças que a chuva deixou. Esconde sadicamente as feridas que a chuva me infligiu.&lt;br /&gt;De pé, contra a janela, observo a rua deserta. Vejo-me reflectido no vidro; a minha imagem mostra-me que estou velho, gasto e quebrado como uma mesa que suportou demasiado peso ao longo dos anos. A cada minuto que passa envelheço e um bocado de mim morre por dentro. Aguardo o momento em que conclua finalmente que tu não vais voltar, o momento em que descobrirei que terei que sair e procurar-te. Esse momento demora a chegar e deito-me no chão, de cara para cima. Um dos meus companheiros, o tecto, começa a cansar-se de mim e eu dele. A alternativa a tudo isto é o armário que encerra promessas de alguma paz, mas a paz durará apenas algumas horas e é carregada de ironia.&lt;br /&gt;Um vento triste e que chia nas frinchas de alguma janela mal fechada bate, certamente, as árvores da rua, abanando as suas folhagens e ramos, partindo algum mais velho. Tenho medo que o vento me faça o mesmo e aninho-me como que me para proteger. Fico assim durante um bocado, de olhos fechados e saboreando o sal das minhas lágrimas.&lt;br /&gt;Acordo sobressaltado. As horas passaram, continua escuro. Parece que esta noite vai manter-se noite por princípio, até que eu infira e assimile a gravidade da situação. Estava em frente ao poço e não sei em que direcção foi o passo que dei. Não sei se me deixei cair para as profundezas da terra onde vivem os animais rastejantes e se levei comigo alguma escada ou corda ou algo que me ajude a subir para a superfície onde vivem as pessoas que andam de cabeça bem levantada.&lt;br /&gt;A própria incapacidade que tenho em não saber o que ficou feito desespera-me e faz-me novamente olhar para o armário, estudando, avaliando, medindo as consequências de aceitar e assinar um acordo de paz com as garrafas escondidas. Desvio o olhar para o outro lado, para o sofá. Levanto-me e deito-me nele, estou mais confortável mas o sono não vem. Massajo as pernas e braços doridos de tantas horas passadas na alcatifa. Fecho os olhos e inspiro.&lt;br /&gt;Não vais voltar, pelo menos não assim. Compreendo e aceito isso. É um facto imutável e derivativo da minha deficiência emocional. Não sei como relacionar-me com as pessoas e inevitavelmente viro-me para o álcool e isso destrói-me por dentro. Não sei como mudar isso, mas também não sei se consigo mudar isso. Não sei como evitar as noites de solidão e frio que levam um pouco de mim cada vez que passam, como imposto por me deixarem vivo para a noite seguinte, onde cobrarão novamente e cada vez mais. O sono não vem e as ideias também não. O copo continua no topo da garrafa. E vai continuar assim durante a noite.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-1240425473967848034?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/1240425473967848034/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=1240425473967848034' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/1240425473967848034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/1240425473967848034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/07/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os_12.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-4880505624385666255</id><published>2007-07-10T03:44:00.001+01:00</published><updated>2007-07-10T03:53:02.722+01:00</updated><title type='text'>Assunção</title><content type='html'>De pé, nas encruzilhadas, fitamo-nos&lt;br /&gt;enquanto passado, presente e futuro&lt;br /&gt;se espraiam lentamente à nossa roda.&lt;br /&gt;Damos as mãos e sorrimos apenas&lt;br /&gt;perante o tempo que se arroga sempre&lt;br /&gt;dos nossos casulos físicos e efémeros&lt;br /&gt;e envelhecemos calmamente saboreando&lt;br /&gt;a paisagem colorida e repleta de luzes&lt;br /&gt;que nos rodeiam e nos transportam&lt;br /&gt;para onde pertencemos, para o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-4880505624385666255?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/4880505624385666255/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=4880505624385666255' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/4880505624385666255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/4880505624385666255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/07/assuno.html' title='Assunção'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-1296916556166239500</id><published>2007-07-10T03:02:00.000+01:00</published><updated>2007-07-10T03:16:58.735+01:00</updated><title type='text'>Repentinamente</title><content type='html'>Ciranda pela casa como um fantasma solitário na noite&lt;br /&gt;e passa a mão pela cal das paredes e sente-a fria.&lt;br /&gt;A madeira das portas não devolve o calor do tacto&lt;br /&gt;e o vidro das janelas escorrega pelos dedos caídos,&lt;br /&gt;pendentes da mão ligada ao braço desnudado.&lt;br /&gt;Senta-se no canto, aninhada contra a escuridão da noite&lt;br /&gt;à espera que a sua vez chegue ou que possa dormir&lt;br /&gt;e somente abrir os olhos para ver que o dia chegou,&lt;br /&gt;sem sobressaltos nem pesadelos longos mais uma vez.&lt;br /&gt;A loiça acumula-se pela casa, o pó assenta nos móveis,&lt;br /&gt;o frigorífico aberto aquece e estraga a comida&lt;br /&gt;que deixa um cheiro a morte a pairar no ar, a pairar pela casa.&lt;br /&gt;Arranha as paredes com as unhas crescidas rebeldes&lt;br /&gt;e o cabelo cola-se-lhe à cara que prossegue sem lavar.&lt;br /&gt;Isolada naquele canto torna-se o cúmulo de tudo,&lt;br /&gt;o cúmulo da displicência, o cúmulo do vazio que a preenche.&lt;br /&gt;Não precisa mais de cuidar da casa, nem de cuidar dela&lt;br /&gt;nem das aparências para os amigos que não tem&lt;br /&gt;desde que se tornou assim como ficará para sempre.&lt;br /&gt;Afinal, ela é uma viúva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-1296916556166239500?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/1296916556166239500/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=1296916556166239500' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/1296916556166239500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/1296916556166239500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/07/repentinamente.html' title='Repentinamente'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-9002748202704916814</id><published>2007-07-10T02:29:00.001+01:00</published><updated>2007-07-10T03:54:44.089+01:00</updated><title type='text'>Miragens</title><content type='html'>Os teus ombros desnudados e o perfume doce de maçãs verdes&lt;br /&gt;são como um truque de luz,&lt;br /&gt;que entra pelas minhas pálpebras&lt;br /&gt;que se fecham perante o sol que se põe.&lt;br /&gt;Deixa-me chamar-te pelo teu nome;&lt;br /&gt;chama-me o que quiseres.&lt;br /&gt;Quero conhecer-te na rua onde costumas sorrir.&lt;br /&gt;Quero viver na rua em que costumas passar para te ver ir.&lt;br /&gt;Sinto os ossos insuflarem-se&lt;br /&gt;sempre que o teu olhar cai sobre mim,&lt;br /&gt;sinto as veias rebentar com a força do sangue&lt;br /&gt;que ganha velocidade sempre que acidentalmente nos tocamos.&lt;br /&gt;Diz-me só o teu nome;&lt;br /&gt;levarei nos lábios para sempre&lt;br /&gt;essas tuas simples palavras&lt;br /&gt;para onde quer que vá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-9002748202704916814?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/9002748202704916814/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=9002748202704916814' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/9002748202704916814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/9002748202704916814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/07/miragens.html' title='Miragens'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-2419015531628819178</id><published>2007-07-10T02:26:00.000+01:00</published><updated>2007-07-10T03:15:06.014+01:00</updated><title type='text'>Na forja</title><content type='html'>Novo conto, subdividido em várias partes. Apenas esperando que acabe a corrente publicação para subsequente divulgação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incursões em territórios alheios e desconhecidos serão tentadas de seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-2419015531628819178?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/2419015531628819178/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=2419015531628819178' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2419015531628819178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2419015531628819178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/07/na-forja.html' title='Na forja'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-8017552796678121329</id><published>2007-07-05T19:42:00.000+01:00</published><updated>2007-07-05T19:44:12.139+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;18. Vince Guaraldi Trio - Christmas Time Is Here (Instrumental)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;              &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A porta que fechas encerra contigo aquilo que me queres dizer; não saberei até alguém me explicar. Fico aqui, deitado no sofá da sala, sem saber o que saber porque tu te foste embora e não me disseste quando voltarias.&lt;br /&gt;Viro-me para o lado e a almofada está à minha frente e não pode, nunca, devolver-me o olhar que tu me devolves, cheio de amor, paz e vida. Reviro-me e penso &lt;st1:personname productid="em ti. Tudo" st="on"&gt;em ti. Tudo&lt;/st1:PersonName&gt; me faz lembrar de ti; os sons que chegam da rua, a luz que entra pela janela do sol poente, as batidas do meu coração que sinto atropelar-me o peito. Fecho os olhos e imagino-me contigo, sozinhos, felizes. Nunca, nunca poderemos explicar aos outros a felicidade intrínseca à batida de uma música electrónica desconhecida que ambos partilhámos naquela noite e que será sempre, para sempre nossa. Nunca ninguém descobrirá o que sentimos ao ver as luzes descer sobre o horizonte e as sombras apoderarem-se da cidade inquieta. Ninguém sentirá como nós sentimos as horas passar sobre as horas que haviam deslizado na incontornável cadência do tempo e que nos inevitavelmente afastaram um do outro.&lt;br /&gt;Começa a pingar. As gotas batem no vidro inexpugnável, como vidas caídas e mortas sobre a terra fria. A lassidão das gotas é própria da chuva que cai das nuvens cinzentas e depressivas que se recusam a brotar com força contra os humanos que sofrem à minha semelhança. Continuo deitado, à espera de algo, de um sinal, de uma epifania. Não voltas ainda, não chegas a perceber que necessito que regresses para não cair na espiral de sofrimento pela qual passei na última noite. Volta, por favor, para que eu não ceda à tentação de descender ao inferno outra vez para que quando subir, seja mais doce que nunca a saborosa exaltação da liberdade. Volta, por favor.&lt;br /&gt;A chuva persiste; tal como a minha persistência. Não voltas, continuo a sofrer. Achas bem o que me fizeste? Sei que o que te fiz foi errado; disse-te que não me farias feliz, mas não te expliquei também que era incapaz de sentir felicidade nos moldes humanos, os quais as pessoas comuns julgam normais. Nunca serei capaz de entender aqueles que encontram a normalidade e consequente felicidade numa vida rotineira, que têm horas marcadas para que os cônjuges lhes digam que os amam e que dedicam uma hora por semana para a exclusividade do acto do sexo. Sentir-me-ia incompleto com tal vida.&lt;br /&gt;O meu coração bate no meu peito, irrequieto. Voltarás? Deixar-me-ás? Se a chuva parar de bater ignobilmente contra os vidros, escutarás o meu apelo? Sentirás a deslocação do ar provocada pelos meus pulmões que se enchem de saudade tua? As rugosidades do sofá arrepanham-se por entre os meus dedos. Sinto a falta da tua pele macia que contrasta com a pele gasta que me pertence. Sinto a tua falta.&lt;br /&gt;A chuva bate pausadamente, de acordo com as rajadas de vento. Vou até à janela e, com um gesto repentino, abro-a. Sou imediata e impiedosamente esbofeteado pelas águas e ventos que conjuram contra mim nesta tarde que morre para lá dos prédios. Cada minuto que passa é mais difícil; porque não me ligas e acabas com o meu sofrimento? Passo em seco todos os momentos em que estás afastada, passo em seco todos os minutos que não te sinto a meu lado. Passo em seco e sinto a necessidade de hidratar a secura. Combato. Combato com todas as forças, consciente que a única coisa que me mantém são é a consciência de tal defeito. Passo em seco duras horas em que a minha única companhia é uma garrafa com um copo virado ao contrário no seu gargalo e que só estou impedido de o tirar por ti.&lt;br /&gt;A chuva cessa. O sol escorrega por entre os prédios. Escurece e as nuvens, contrariamente ao que seria de esperar, concentram-se ainda mais para engolfar a terra &lt;st1:personname productid="em escurid￣o. Passam" st="on"&gt;em escuridão. Passam&lt;/st1:PersonName&gt; os minutos mas não passam as horas. Estou condenado a uma tarde sem ti, a uma tarde em que o sono não vem por castigo pela porta que fito desde que tu a fechaste para não regressar. Estou condenado a uma tarde de reflexão, a única coisa capaz de me sufocar mais que a tua memória.&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;A chuva recomeça. Regressam as bátegas incansáveis contra a muralha de vidro que são as minhas janelas, mas inexoráveis contra as torres defeituosas do meu coração e alma. Dilacerantes pela sua constância, dilacerantes porque existem. Condenado a tal existência, cedo ao cansaço de esperar por ti e adormeço num sono triste e mal iluminado em que tu não aparecias porque não sonhei.&lt;br /&gt;Volta por favor para mim, para que eu te possa idealizar mais uma vez sem sentir o remorso latente a cada uma das vezes que me senti inútil. Volta, por favor.&lt;br /&gt;A água preenche a minha janela, a saudade preenche o meu coração, a angústia preenche a minha alma. Volta por favor, para que a chuva pare; volta por favor, para que me possas ajudar; volta por favor para que seja novamente completo.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-8017552796678121329?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/8017552796678121329/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=8017552796678121329' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/8017552796678121329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/8017552796678121329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/07/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-3913327300902447977</id><published>2007-06-28T02:31:00.000+01:00</published><updated>2007-06-28T02:33:21.834+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;17. Grant Lee Buffalo - Happiness&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;          &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Desligo o telefone ainda de olhos fechados. Disseste-me para ir ter contigo, disse-te que não consigo sequer levantar-me do chão; terás que vir cá a casa. Admiro-me de ter acordado, sequer. Admiro-me que haja alguma coisa que me fizesse sobreviver a tamanha ataque a todo o meu organismo.&lt;br /&gt;Arrumo a sala e tomo um duche, de água fria como sempre. Fecho tudo o que seja fonte de luz e deito-me no sofá da sala. Acordo quando bates à porta. Entras e ficas chocada com o meu ar. Não chego a dizer que estive bem pior, não vale a pena. Vamos para a sala e abres as cortinas e corajosamente aguento esta agressão aos meus sentidos. Sentas-te e obrigas-me a sentar ao teu lado. Tudo o que dizes faz sentido, tudo o que pensas faz-me concordar contigo, mas a tua lógica esbarra na implacável muralha que sou eu. Falas durante horas, ou minutos ou segundos, mas não interessa. O que eu vou dizer suplanta todos os argumentos que minimizem o que se passou ontem à tarde. Conto-te então o que se passou ontem à noite.&lt;br /&gt;Confesso-te que não percebo isto da felicidade, confesso-te que não compreendo porque é que tenho que ser feliz se isso traz a dor. Não te importes comigo porque eu sou geneticamente incapaz de estar bem, sou incapaz de não arruinar as pessoas que me rodeiam em quaisquer circunstâncias, não te importes comigo porque eu já estive no fundo do poço mais do que uma vez e, de uma maneira ou outra, consegui sair. Devo confessar que a maneira de sair é o whisky, os analgésicos, a escrita, alguém que me puxe para cima.&lt;br /&gt;Interrompes-me dizendo que esse alguém és tu e que não me deixarás afundar. Tentas abraçar-me e peço-te para parar. Recuas e dás-me um pouco mais de espaço. Afagas-me o peito, acaricias-me o peito. Os teus esforços são em vão pois esta expressão ausente de sentimentos na minha cara já teve muitos anos para se formar e assentar, bloqueando qualquer tentativa de apaziguamento.&lt;br /&gt;Afasto as tuas mãos. Desistes. Suspiramos e não consigo evitar um sorriso pela sincronização. Não deixes de procurar a felicidade enquanto eu procuro a escada que sobe para a superfície, digo-te ainda com o sorriso. De olhar baço, dizes-me adeus e sais da minha casa.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-3913327300902447977?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/3913327300902447977/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=3913327300902447977' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3913327300902447977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3913327300902447977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/06/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os_28.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-3062233028045122924</id><published>2007-06-21T07:05:00.000+01:00</published><updated>2007-06-21T07:07:52.670+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;16. Bird York - In The Deep&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Chego a casa e atiro as chaves para onde forem. Vou até à sala e abro o armário. Tiro uma garrafa de whisky e sento-me no sofá com ela pousada na mesinha à minha frente. Não quero fazer isto mas é mais forte que eu e tu não estás aqui para segurar a minha mão que levanta a garrafa e a leva à minha boca. O gargalo de vidro frio entra em contacto com os meus lábios que anseiam pelo líquido fino, salgado e alcoólico. Bebo um gole, dois goles, três goles. Bebo até deixar de sentir a boca. Pouso a garrafa outra vez na mesinha e fito-a, não percebendo como é que alguma vez pensei que seria capaz de escapar.&lt;br /&gt;Continuo a beber, continuo a pensar em beber mais e a pensar em quantas garrafas haverá mais. Esta acabou, vou buscar outra. Levanto-me e perco o equilíbrio mas estoicamente consigo chegar ao armário e sacar outra garrafa. Tento beber mas não sai nada. Percebo porquê e arranco com os dentes a rolha de borracha. O gin começa agora a deslizar e a arranhar a minha garganta que em breve também deixarei de sentir. Esmurro o chão quando esta acaba e tiro outra.&lt;br /&gt;Não me lembro, porque já não conseguia ler o rótulo da garrafa que bebi a seguir, o que era esta agora, mas sei que já não há retorno e nenhuma possibilidade de isto acabar bem. Quando três garrafas vazias jazem juntas e o seu vidro retine por acção de espasmos que sacodem o meu corpo deitado, levanto-me e, a custo, levo mais uma garrafa comigo até ao quarto, onde procuro na mesa de cabeceira os analgésicos que nunca falharam em tirar-me a dor.&lt;br /&gt;Volto para a sala. Engulo uns quantos comprimidos e empurro-os para baixo com a ajuda do whisky que tenho na mão. Deito-me de lado e observo as garrafas vazias que velam por mim nesta noite escura. Sinto-me a flutuar e a nadar em tanto álcool. Sinto-me a vogar em mares profundos tão salgados que não me deixam afundar e que me afastam da dor. Quero sentir-me sempre assim; completamente isolado de todo e qualquer estímulo que possa contrariar a impulsão do sal e que me leve para o fundo. Tomo mais uns comprimidos, só para me impedir de pensar mais e para ver se consigo fechar os olhos e não ver mais nada do que a escuridão.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-3062233028045122924?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/3062233028045122924/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=3062233028045122924' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3062233028045122924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3062233028045122924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/06/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os_21.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-999247453660013278</id><published>2007-06-16T04:06:00.001+01:00</published><updated>2007-07-10T03:15:25.543+01:00</updated><title type='text'>Canto</title><content type='html'>Embalado pelo canto da chuva, saí de casa e estaquei, de pé, sobre a terra escurecida. Deixei que as gotas rebolassem livremente pela minha cara, sentindo a sua acção purificadora instalar-se em cada sulco da minha pele; tomei-lhe o gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei-me envolver pelo canto da chuva. Entrou pelos meus ouvidos e contou-me segredos e fez-me promessas de paz. Fechou-me os olhos gentilmente e despiu-me da minha infindável solidão. Cobriu-me com as suas gotas e acariciou-me suavemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O canto da chuva persistiu e entrou-me pelos ouvidos. Colou-me o cabelo à testa e refrescou-me, aliviando-me do calor sufocante que me amarrava a garganta. Ensopou-me as roupas de encontro ao corpo, encheu-me de alívio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O canto da chuva explicou-me porque é que a chuva quando cai, cai para todos. Mas prometeu-me que às vezes, cairia só para mim, quando lhe pedisse, quando estivesse só e triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por isso que quando a chuva canta, especo perante a imensidão da água que cai sobre mim e deixo-me envolver nas suas palavras, esperando que me conte mais segredos e me diga quando é que a solidão se irá embora de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;E apenas uma pergunta: &lt;/span&gt;há quanto tempo não olhamos simplesmente pela janela para a chuva que cai na noite vazia?&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-999247453660013278?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/999247453660013278/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=999247453660013278' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/999247453660013278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/999247453660013278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/06/canto.html' title='Canto'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-6028921229406104001</id><published>2007-06-14T02:17:00.000+01:00</published><updated>2007-06-14T02:45:36.270+01:00</updated><title type='text'>Vislumbres</title><content type='html'>Espreitei o futuro e este, sensatamente, contou-me o que se poderia passar se eu persistir em alimentar desejos de situações possíveis e improváveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi como se entrasse num espelho e visse reflectido no futuro, com todas as alterações que ele nos traz, o passado mas com intervenientes diferentes, com guarda-roupa diferente, num cenário diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por trás do espelho, como quem está por trás da cortina, observo e contemplo placidamente as mesmas situações pelas quais passámos, os mesmos acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tens o cabelo diferente, mudou de cor. Estás mais baixa. Vestes-te de maneira similar, mas com um toque diferente que não sei identificar. Os teus olhos nadam noutra cor, navegam no mar alto dos teus sonhos que não sei concretizar. Falas de outra forma, analisas as coisas de outra forma mas invariavelmente respondes como sempre me respondeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu continuo numa projecção física deformada, alienante, incompleta. E continuo a pensar que só consigo atrair as pessoas que só vêem a imagem hipnotizante que criei na esperança de atrair alguém, como a aranha que aguarda no centro da sua rede pela frágil e inocente vítima que caia na falsa promessa da beleza dos fios transparentes como a alvorada e brilhantes como vidro. Se me conseguissem ver, como os insectos que conseguem ver a aranha, afastar-se-iam, aliviadas de não terem caído na armadilhada, congratulando-se pela ventura afortunada e avisando os próximos da minha estratégia maquiavélica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se conseguissem olhar para dentro de mim, assustar-se-iam ainda mais pela escuridão abissal que me consome e deleitar-se-iam pela luz refulgente que me preenche, pois que como numa espiral, rodopia a escuridão e a luminosidade dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E olho para cima, na esperança de ver quem dedilha os fios que nos sustentam nos nossos argumentos e que nos animam nas nossas acções, sejam elas de carinho, afecto, indiferença, desprezo. Olho para ver que o manipulador está oculto e os fios nunca chegam ao topo, nunca acabam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revejo a minha vida passada no futuro mas não me assusto.  Afinal, isto era o que previa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio do espelho, como quem abre uma porta e a fecha atrás de si. Fecho esse capítulo que está para vir que é um plágio do capítulo que já foi escrito, lido, revisto e analisado. Embrenho-me então no capítulo que escrevo presentemente e que continuará, sem nunca acabar, a menos que tu consintas em escrever um novo a meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-6028921229406104001?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/6028921229406104001/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=6028921229406104001' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/6028921229406104001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/6028921229406104001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/06/vislumbres.html' title='Vislumbres'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-2296833997748857923</id><published>2007-06-14T02:15:00.000+01:00</published><updated>2007-06-14T02:16:44.378+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;15. Rickie Lee Jones - On Saturday Afternoons In 1963&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;          &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ponho a chave na ignição e rodo-a mas o motor recusa-se a pegar. Continuo a tentar até desistir; mais tarde ou mais cedo isto havia de acontecer, mas porquê agora que preciso de sair daqui? Irritado com isto tudo, esmurro o volante violentamente até me doer a mão. Tento só mais uma vez mas o exasperante barulho da bateria que não arranca teima &lt;st1:personname productid="em persistir. Resignado" st="on"&gt;em  persistir. Resignado&lt;/st1:PersonName&gt;, desisto. Levo as mãos à cara e tento afastar a imagem do teu corpo sacudido por soluços e das lágrimas que sulcavam a pele da tua cara.&lt;br /&gt;O que é que estou a fazer? Porque é que continuo a empenhar uma lança comprida para afastar aqueles que se aproximam demasiado? Continuarei a não perceber que os anos passam e as pessoas escorrem por entre os meus dedos como areia?&lt;br /&gt;Os anos passam e não fica ninguém para suportar comigo o peso que aumenta a cada Inverno. Os anos passam e não sobrará ninguém que partilhe comigo as tardes mortas dos fins-de-semana. Os anos passam e não ficará ninguém para me segurar a mão quando esta for débil.&lt;br /&gt;Percebo que estou a chorar. Tu lá em cima e agora eu cá em baixo, partilhamos lágrimas com oito andares a separarem-nos. Não sobra ninguém. Não sobra ninguém para acabar com as dúvidas, não resta ninguém para fechar as cortinas que deixam entrar demasiado sol. Não resta ninguém e os anos passam.&lt;br /&gt;Distraído, ligo o carro e vou-me embora, deixando para trás a única pessoa que talvez ficará enquanto os anos passarem.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-2296833997748857923?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/2296833997748857923/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=2296833997748857923' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2296833997748857923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2296833997748857923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/06/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os_14.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-3540964919478057667</id><published>2007-06-14T02:09:00.000+01:00</published><updated>2007-06-14T02:15:09.572+01:00</updated><title type='text'>3ª Parte</title><content type='html'>Arranca no próximo post a terceira e última parte da estória que ando a publicar à quinta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os últimos capítulos, que me deram algum trabalho a escrevê-los pois não conseguia passar para palavras aquilo que queria e sentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na globalidade penso que estão bastante bons; claro que os juízes dessa apreciação são sempre os leitores mas fiquei bastante satisfeito com o resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-3540964919478057667?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/3540964919478057667/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=3540964919478057667' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3540964919478057667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3540964919478057667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/06/3-parte.html' title='3ª Parte'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-5312014156810591127</id><published>2007-06-08T00:29:00.000+01:00</published><updated>2007-06-08T00:32:50.433+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;14. Louis Armstrong - What A Wonderful World&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;          &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Contorço as mãos &lt;st1:personname productid="em desespero. Prostrada" st="on"&gt;em desespero. Prostrada&lt;/st1:PersonName&gt;, choras silenciosamente e, de quando em quando, o teu corpo é agitado por soluços. Olho para um espelho e dificilmente reconheço a figura que me devolve o olhar. És iluminada por uma nesga de luz que escapa ao sufoco das cortinas fechadas, o cabelo tapa-te a cara, o resto do teu corpo está na penumbra, de encontro à cama em que te apoias.&lt;br /&gt;Sento-me no chão a teu lado e, pondo a mão no teu ombro, peço-te desculpa. Afasta a minha mão e não dizes nada. Desvio o olhar para os meus pés descalços, para os meus pequenos dedos, indefesos como tu. Que mundo maravilhoso este, que em seis semanas de namoro, consigo provocar uma discussão que te leva às lágrimas. Que mundo maravilhoso este em que uma besta como eu pode ter uma rapariga como tu e fazer e dizer as coisas que fiz e disse hoje. Peço-te desculpa novamente e tento explicar, outra vez, que as coisas que disse não eram uma crítica mas sim a verdade e que, apesar de cruel, não podia continuar mais cá dentro. Argumentas, com voz rouca, que para verdade, soava bastante a crítica destinada a arrasar. Ergo o olhar para o tecto. Não posso deixar de concordar contigo, o meu tom de voz foi maldoso, mas a minha intenção não era, juro-te que não era. Só queria contar-te o que tinha percebido ontem no miradouro, mas zanguei-me porque não estava a conseguir exprimir-me e tu assustaste-te. Não te culpo, culpo-me a mim e espero que percebas isso. Espero que percebas que não queria gritar e que te amo tanto que perder-te seria como afundar-me em areia e sentir a dor provocada por cada grão a entrar-me nos pulmões e a fechar os alvéolos.&lt;br /&gt;Sobressaltada pela descrição ou talvez pela palavra “perder”, olhas para mim e, com força, agarras-me o braço. Tens os olhos inchados e as bochechas molhadas, tens o cabelo desalinhado e os lábios trémulos, mas nem por um segundo consigo deixar de achar que és linda mesmo assim. Dizes qualquer coisa que não percebo. Repetes que não me queres perder. O teu olhar confuso espelha a dúvida que te rói por dentro. Explico-te que não me quero ir embora, que não quero largar a tua mão nunca, mas que a mesma dúvida já me rói a mim também. Será que isto vai ser sempre assim? Será que sempre que eu te quiser dizer com franqueza o que me angustia me engasgarei e não consiga abraçar-te e afagar-te o cabelo, enquanto sussuro que está tudo bem?&lt;br /&gt;Dói-me a cabeça. Fungas o nariz e aclaras a garganta, talvez para dizer algo mas acabas por engolir em seco e ficas calada. Calço-me e, de joelhos, seguro a tua cara com a as mãos. Vou dar uma volta para pôr as ideias em ordem e quando voltar falamos melhor sobre tudo isto. Levanto-me e saio do quarto. Olho para trás e vejo os teus pequenos pés descalços sobre o soalho frio.&lt;br /&gt;Que mundo maravilhoso este.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-5312014156810591127?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/5312014156810591127/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=5312014156810591127' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/5312014156810591127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/5312014156810591127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/06/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-3789176847232249157</id><published>2007-05-31T14:51:00.000+01:00</published><updated>2007-05-31T14:54:17.580+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;13. Solomon Burke - None Of Us Are Free&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;          &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Os meus passos levam-me, finalmente, para o miradouro. Tudo aqui começou, tudo aqui vai continuar. Encosto-me à grade que fica no limite do miradouro. Espreito lá para baixo e vejo as pessoas que seguem as suas vidas, indiferentes a tudo. Penso para mim mesmo que se só seremos livre se conseguirmos romper todas as barreiras mas este argumento é logo contrariado pela tua imagem que me vem à cabeça imediatamente.&lt;br /&gt;Eu tenho-te a ti e sou livre. Se calhar liberdade absoluta não é uma coisa que queiramos a todo o custo ou então decidimos por livre arbítrio estar acorrentados a alguém. Esfrego os olhos; estou cansado e dói-me o corpo. Sento-me no mesmo banco onde nos sentámos naquela noite em que me cativaste e deixo-me ficar a olhar sobre a cidade e o rio. Uma sensação de inutilidade percorre-me o corpo. Estou aqui, sozinho, sem saber o que pensar e construir para te dizer mais tarde. Voltarei para junto de ti de mãos a abanar e sem palavras que reforcem o meu amor por ti; antes, palavras que te farão chorar porque eu não sei o que mais te hei de dizer.&lt;br /&gt;Sabes que te amo, sabes que quero continuar a amar-te; mas não sei como o fazer, não sei o queres mais de mim. Estás presa a mim e puxar-te-ei para o fundo, porque não sei evitá-lo. A minha resolução de ser forte e seguir a via mais difícil esmorece. Sinto-me novamente atraído para a garrafa que tenho em casa e que me chama. Poderia ir para casa e bebê-la enquanto não voltas. Far-me-ia sentir melhor, far-me-ia dormente e não pensar em mais nada.&lt;br /&gt;Suspiro e sinto as tuas mãos pegar nas minhas. Sinto-te a apoiar-me nestas circunstâncias difíceis e que tardam &lt;st1:personname productid="em passar. Suspiro" st="on"&gt;em passar. Suspiro&lt;/st1:PersonName&gt; novamente e fecho os olhos para que a cidade se desvaneça e apenas te veja a ti. Chego a uma conclusão.&lt;br /&gt;Nenhum de nós será verdadeiramente livre, não por ter outra pessoa connosco, mas porque não libertamos as amarras que verdadeiramente nos prendem. Contigo posso voar porque me puxas para cima. Se a cortar, caio inexoravelmente para o fundo que não o é; para a escuridão, para a depressão. Tu estás ligada a mim porque eu impeço que voes demasiado alto e o sol te derreta as asas. Se cortares o que nos liga, subirás, subirás, subirás e nunca mais ninguém te verá, mas nunca mais terás alguém que te agarre quando precises. Por outro lado, se eu cortasse com tudo o que me puxa para baixo, poderia exercer uma força contrária menor e talvez pudéssemos subir um pouco mais e ficar em equilíbrio de maneira a ver todos os que estão lá em baixo e que nos pedem para descermos e lhes contarmos como é a liberdade lá em cima, onde estamos só nós dois e o cordão umbilical que nos liga.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-3789176847232249157?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/3789176847232249157/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=3789176847232249157' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3789176847232249157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3789176847232249157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/05/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os_31.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-5453605690775213232</id><published>2007-05-28T18:40:00.000+01:00</published><updated>2007-05-29T13:25:11.410+01:00</updated><title type='text'>Conquistas</title><content type='html'>A cada instante que passa,&lt;br /&gt;a cada instante que perdura,&lt;br /&gt;são conquistas e glória,&lt;br /&gt;são momentos de rara vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada hora alcançada&lt;br /&gt;há uma nova e única história&lt;br /&gt;e cada simples momento de ternura&lt;br /&gt;é ganho como uma taça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conquistada a vida&lt;br /&gt;e feita a maturação,&lt;br /&gt;a luta é feita com ardor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De olhos bem abertos&lt;br /&gt;e de mãos estendidas,&lt;br /&gt;reivindico o meu prémio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cada frase inacabada,&lt;br /&gt;cada palavra tua conta,&lt;br /&gt;deixas-me em suspenso&lt;br /&gt;no meu destino incerto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se te encontras por perto,&lt;br /&gt;o coração bate mais intenso&lt;br /&gt;e se o nosso olhar se encontra,&lt;br /&gt;rendo-me à tua visão encantada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entregamo-nos a prazeres discretos&lt;br /&gt;e às doces tardes sem despedidas,&lt;br /&gt;num novo estilo boémio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cicatrizada cada ferida&lt;br /&gt;e ampliada cada sensação,&lt;br /&gt;conquisto então o teu amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-5453605690775213232?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/5453605690775213232/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=5453605690775213232' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/5453605690775213232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/5453605690775213232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/05/conquistas.html' title='Conquistas'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-69717204895882666</id><published>2007-05-24T21:29:00.000+01:00</published><updated>2007-05-24T21:34:20.820+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;12. Leon Russel - Stranger In A Strangeland&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;            &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Os teus passos levam-te para longe, eu fico aqui nesta esplanada banhada pelo sol.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Fico indeciso em relação ao rumo que tomar agora; foste trabalhar e tenho uma tarde inteira para matar sozinho. Decido vaguear pelas ruas enquanto penso.&lt;br /&gt;Os meus passos levam-me para sítios que desconheço, ruas novas que nem sabia que existiam. Continuo a percorrer a calçada escura que liga prédios antigos nas ruas apertadas até me perder. Despreocupado por tal facto, deixo-me levar pelas colinas e vales que a rua atravessa numa interminável colecção de prédios baixos, velhos e sujos.&lt;br /&gt;Esboço um sorriso ao perceber que me encontro na mesma situação em relação a ti. Sinto-me perdido nesta coisa nova de te ter. Já há tanto tempo que não amava alguém que não sei o que fazer. Sinto-me como um estrangeiro que chega a um país que desconhece a língua, as pessoas, os costumes. Estranho tudo; a comida, o modo de vida, até o próprio ar.&lt;br /&gt;Considero todos estes factores para fazer um rápida análise a nós. Eu não sei o que faço, tu estás feliz. Será razão suficiente para interromper tudo o que conseguimos construir até aqui? Não sei o que deva fazer para que continues feliz, não sei como é que faço para evitar descer a rua errada que te leve à infelicidade e que me mataria por dentro. Sigo pela opção mais fácil de não pensar nisso, pelo menos até poder dizer-te isto e resolvermos juntos esta minha aflição. Ao pensar nisto percebo que me fizeste evitar recorrer à solução mais fácil e, por isso mesmo, devo-te mais do que a felicidade; tenho um dever de ter proteger sempre e nunca ceder ao impulso de te usar como escape para os meus problemas.&lt;br /&gt;Paro as minhas deambulações físicas e psicológicas e sento-me no degrau de uma porta. O sol começa a declinar, fazendo as janelas brilhar e as ruas dourar. Um vento fresco sopra do rio e transforma o calor em algo suportável durante um bocado, o tempo suficiente para descansar de olhos fechados e tentar afastar da mente tudo isto, pelo menos só por um bocado…&lt;br /&gt;Quando o calor volta, levanto-me e continuo o meu caminho rumo ao desconhecido. Chegado a uma bifurcação tomo o caminho que sobe pela direita e não deixo, uma vez mais, de me sentir como um estrangeiro que faz a escolha errada ao atravessar mais uma fronteira.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-69717204895882666?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/69717204895882666/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=69717204895882666' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/69717204895882666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/69717204895882666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/05/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os_24.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-4555948061615671822</id><published>2007-05-17T12:07:00.000+01:00</published><updated>2007-05-17T12:15:35.568+01:00</updated><title type='text'>Sublimação</title><content type='html'>O sangue corre-me nas veias como se transportasse vidro partido. Ao que parece, a dor psicológica potencia-se e manifesta-se tornando a dor real, física. Mas o que é que me pode magoar? O que é que neste momento me sobressalta? Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não temo pela solidão a que poderei estar fadado, não temo pelas horas frias do próximo inverno nem pelo isolamento nas tardes em que o sol declina e o vento faz arrepiar a pele quente sem que ninguém o veja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não temo por aquilo que já dei de barato. Temo agora pela minha própria subsistência física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever alivia o fardo. Já depositei aqui tanta coisa, tantos fantasmas exorcizados, tantas correntes destruídas, tanta dor sublimada pelos meus dedos. Mas que posso eu fazer se o meu organismo já está a dar de si? Que posso mais vivenciar, experimentar, escrever, descrever, negar, amar se não consigo fazer o sangue parar de bater tão forte, se não consigo fazer o coração sossegar, se não consigo controlar nada?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-4555948061615671822?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/4555948061615671822/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=4555948061615671822' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/4555948061615671822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/4555948061615671822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/05/sublimao.html' title='Sublimação'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-2860276841659674701</id><published>2007-05-17T12:00:00.000+01:00</published><updated>2007-05-17T12:03:44.998+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;11. Joe Cocker - Feelin' Alright&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;Desligo a torneira e passo as mãos pela cara para tirar a água. Puxo a toalha e começo a esfregar-me nela. Visto-me vagarosamente enquanto deixo o cabelo assentar e depois moldo-o com as mãos para ficar como gosto. Vou-me sentar na sala e fico a ouvir os sons do anoitecer que entram pela janela aberta. O vento que bate nos pinheiros e obriga as pinhas a cair, os pequenos animais que rastejam no trilho de areia e pedrinhas, um carro que passa na estrada lá ao longe. Inspiro esta vida toda e, inebriado, fecho os olhos para despertar os sentidos.&lt;br /&gt;A noite é cortada pela luz que acendes e os seus sons pela janela que fechas. Passas-me a mão pelo cabelo julgando que durmo, mas estou desperto e atento a tudo o que fazes. Delicio-me a ouvir-te fazer o jantar, enquanto mexes nas panelas e estás de volta do fogão. Na perspectiva de encher o estômago, acabo por dormitar estendido no sofá. Acordas-me com o cheiro a comida que trazes contigo e despertas-me totalmente com a visão do teu cabelo apanhado para trás, de modo a não te incomodar enquanto fazias o jantar para o teu homem.&lt;br /&gt;Enquanto jantamos, sentados na cozinha, memorizo cada nuance da tua pele queimada e cabelo rebelado que soltaste agora sobre os teus ombros. Fecho os olhos para ver se guardei uma representação fiel para a ter comigo sempre que não estás e cada vez mais consigo captar todos teus pormenores e detalhes. Contente com tal facto, como apenas enquanto te vejo falar e contar tudo o que planeias fazer nestes dias.&lt;br /&gt;Sinto-me bem nesta condição; o que não há de bom para sentir? Para trás ficaram horas de trevas e desespero e prevêem-se bons sonhos para esta noite. As pálpebras começam a pesar e a respiração torna-se mais pausada e quase que adormeço ali mesmo. Mas sou despertado quando acidentalmente bates com o garfo no prato. Abro os olhos na pequena medida suficiente para ter ver também a deixar a cabeça deslizar para baixo de sono. Puxo-te pela mão até à cama. Deito-me e vejo-te despir e bocejar, numa combinação que nunca sonhei que pudesse ser melhor do que soa. Tiro as calças apressadamente e enfio-me nos lençóis frios. Aguento o choque da temperatura até que entras e as tuas pernas pequenas entram em contacto com as minhas. Aninhas-te junto a mim e sou envolvido por cabelo até descobrir a tua cara. Cubro-a de beijos e sinto o teu corpo colar-se ao meu como uma lapa. Segredo-te que te amo e adormeço enquanto me lembro mais uma vez que nunca me senti tão bem.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-2860276841659674701?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/2860276841659674701/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=2860276841659674701' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2860276841659674701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2860276841659674701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/05/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os_17.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-8409508309985358455</id><published>2007-05-10T23:05:00.000+01:00</published><updated>2007-05-10T23:14:30.586+01:00</updated><title type='text'>Complementaridades ou Explicações de uma filosofia subjacente</title><content type='html'>Olho-me ao espelho: gasto, cansado, danificado, incompleto. Alguns adjectivos que poderão classificar a minha aparência e que definem aquilo que sinto ser e que, provavelmente, sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que tente, não consigo forçar a minha imaginação a projectar a imagem de alguém ao meu lado; não, esses tempos já passaram, essas cartas já foram jogadas e a mão foi perdida. Desliguei-me cedo demais e perdi o curso de água que sustentava a minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decido-me a viver estoicamente, procurando sempre a tranquilidade mas reconheço-me incapaz de seguir os ensinamentos proferidos por alguém melhor do que eu nisto. Não porque rejeite a filosofia subjacente, mas porque apenas não consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo conceber uma vida sozinho ao mesmo tempo que não consigo conceber uma vida acompanhado. Não consigo nada e lentamente deixo-me deslizar perante tantos exemplos de coragem e heroísmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pária, inútil, rejeitado, deformado, desdenhável encaixam agora na descrição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que me servem as memórias dos nossos maiores se não servem para me erguer dos joelhos e estar de pé perante os ventos que batem impiedosamente? Nunca vem a brisa reconfortante e o ar doce da primavera é somente uma lembrança dos tempos que não voltarão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desespero calmamente instala-se; afinal, se não sirvo para mim mesmo, como hei-de, alguma vez, servir para alguém?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-8409508309985358455?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/8409508309985358455/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=8409508309985358455' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/8409508309985358455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/8409508309985358455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/05/complementaridades-ou-explicaes-de-uma.html' title='Complementaridades ou Explicações de uma filosofia subjacente'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-4516388782823885770</id><published>2007-05-10T22:56:00.000+01:00</published><updated>2007-05-10T22:57:46.338+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;10. Gomez - Get Miles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;            &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Suspiras e mudas de posição no banco, mantendo sempre os olhos fechados. Tremes ligeiramente; sem tirar os olhos da estrada, aumento mais um pouco o aquecimento.&lt;br /&gt;Levo-te para longe. Fugimos da cidade que adoramos mas que nos mata com o silêncio artificial dos seus apartamentos, os carros que circulam nas ruas, todas as pessoas nos cafés, restaurantes e lugares públicos com as suas conversas e acções fúteis que transformam a vida numa colectânea de momentos sem significado e sem ligação entre si. Sim, é por isso que fugimos da cidade em direcção ao mar e aos pinhais que escondem o extenso areal oposto ao oceano brilhante como uma gigante safira que, no limite, se confunde com o azul do céu.&lt;br /&gt;Em surdina, perguntas se falta muito. Respondo que não enquanto passo a mão direita do volante para a tua cara e a acaricio gentilmente. Ajeitas-te de modo a facilitar-me a tarefa e quase que me vêem lágrimas aos olhos por seres só minha. Dorme, digo eu, porque quando acordares já estaremos longe de tudo quanto possa ser um entrave à nossa felicidade. Esboças um sorriso que detecto pelo canto do olho e pareces deslizar para um sono de contentamento imperturbável para o qual invejo-te por não te poder seguir.&lt;br /&gt;Acordas, finalmente, quando o sol que espreita pelas cortinas meio corridas te ilumina a cara. Abres os olhos e, com um sorriso lânguido por saberes que te observo, espreguiças-te de maneira gloriosa. Ficas ainda uns segundos a remexer-te nos lençóis alvos até que decides despertar de vez e ergues-te para me beijares e me apertares contra ti. Pego-te na mão e levo-te por ela e vens obedientemente como que uma criança a quem foi prometida um chocolate se se portasse bem durante um bocado. Seguimos para as traseiras das casas e mostro-te o carreiro por entre o pinhal que leva à praia e ao mar azul refulgente ao sol.&lt;br /&gt;Quando assomes à porta, já vestida, metemos por entre as árvores até chegarmos ao areal puro e branco. Vou dar um mergulho enquanto observas tudo o que te rodeia. Quando regresso, a tremer de frio, ainda te encontras assoberbada por tanta liberdade que nos isola, que nos torna únicos, que nos torna felizes. Dás por mim agarrado à toalha e envolves-me num abraço e secas-me com o teu calor. Beijo-te e saboreias o sal do meus lábios avidamente, como se quisesses injectar o sal directamente para a corrente sanguínea. Tiras-me os cabelos molhados da cara num gesto cheio de amor e estendes a minha toalha na areia para que me possa deitar e secar ao sol. Confortado com tanto carinho, adormeço com plena consciência que a paz que sempre desejei estava ali naquela porção de areia que tu ocupas ao meu lado.&lt;br /&gt;Acordo com gotas de água que caiem na minha cara. O meu primeiro pressentimento é que tudo isto não passara de um sonho e que estou em casa e chove e nunca serei capaz de ser feliz. Mas chamas-me e tudo é bom novamente. Tapas o sol mas o teu sorriso neste momento brilha mais que qualquer estrela e vejo-me reflectido nos teus olhos brilhantes e cheios de vida. Levanto-me com um salto e abraço-te. Envolvo-te nos meus braços com força suficiente para nunca mais me fugires, nem mesmo enquanto dormimos. Sussurro-te isto ao ouvido e beijas-me com fervor. Arranhas-me as costas com as tuas unhas ainda molhadas e fazes-me arrepiar. Aperto-te cada vez mais e cada vez mais me fazes arrepiar e gemer de prazer. Deitamo-nos nas toalhas abertas sob o sol e, naquela praia deserta delimitada pela imensidão do oceano azul de um lado, pelos pinheiros verdes que se agitam levemente ao sabor do vento do outro e pela areia que se estende até ao horizonte longínquo, fazemos amor pela primeira vez.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-4516388782823885770?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/4516388782823885770/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=4516388782823885770' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/4516388782823885770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/4516388782823885770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/05/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os_10.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-4447996681217480653</id><published>2007-05-10T22:50:00.000+01:00</published><updated>2007-05-10T22:54:56.125+01:00</updated><title type='text'>Em seguida</title><content type='html'>Acabou, na última 5ª feira, a primeira parte da estória que ando a publicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros nove capítulos referem-se aos momentos que levaram as duas personagens a conhecerem-se e a ficarem juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda parte, que começa já no próximo post, terá a duração de 5 capítulos, partindo depois para a terceira e última parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue então o próximo capítulo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-4447996681217480653?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/4447996681217480653/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=4447996681217480653' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/4447996681217480653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/4447996681217480653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/05/em-seguida.html' title='Em seguida'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-1395237586403760475</id><published>2007-05-03T18:58:00.000+01:00</published><updated>2007-05-03T19:03:59.034+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;9. Damien Rice - Delicate&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;                  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;As gotas de água da chuva escorregam pelo poste lentamente, como se a tentarem agarrar e desesperadamente evitar entrar na corrente que as leva para a sarjeta. A meus pés, uma poça é gentilmente sacudida pelas gotas que se soltam do meu cabelo, quebrando a planura da superfície. Estou aqui, na esquina, à tua espera, vendo a chuva a cair e os carros a passar. Apressadas, as pessoas procuram o refúgio dos vãos das portas ou tentam cobrir-se ao máximo com o que arranjam. Eu deixo-me molhar, não há razão para o contrário.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Enquanto não chegas, revejo interiormente a sequência de acontecimentos que me leva a estar agora, aqui à chuva, a aguardar um vislumbre teu. São imagens que vejo e não a realidade, como se estivesse entre o sono e o limite do acordar; uma espécie de dormência em que as coisas que vemos parecem tão reais que a única maneira de sabermos que não o são é procurarmos uma falha nessas coisas. Se forem infalíveis, sei que estou a dormir, pois as desilusões são, em tudo, inevitáveis. E tudo quanto me trouxe aqui não apresenta disparidades ou incoerências com o que me lembro. Por isso desconfio outra vez que não sejas real ou que a desilusão esteja ao virar da esquina e tu não apareças porque sabes que eu te vou puxar para baixo se não tivermos força suficiente para nadar para cima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Absorto em tais pensamentos potenciados pela quantidade de água que me rodeia, reparo apenas no último instante que atravessas a rua e por isso a maneira como olhas para os lados para tua própria preservação é deliciosa. Abres ligeiramente a boca quando mexes a cabeça e atiras o cabelo para trás quando olhas para a frente e me vês. Puxas-me para debaixo de um toldo e fitamo-nos sem trocar palavras, os dois molhados pelas lágrimas das nuvens cinzentas que choram porque falharam miseravelmente em manter-nos separados. Uma madeixa do teu cabelo enrola-se num caracol suavemente pousado na tua bochecha esquerda. Afasto-a carinhosamente enquanto que com a outra mão alcanço a tua nuca e massajo-ta. Quieta, observas-me enquanto eu tento demonstrar que sei ser carinhoso e gentil. Semicerras os olhos e tens um arrepio de prazer quando passo os meus dedos mais junto do pescoço. E aí, nessa esquina, indiferentes às pessoas que passam, à água que escorre, às nuvens que gemem de tristeza, ao tempo que desliza naquele momento perfeito, os nossos lábios tocam-se, com naturalidade, com delicadeza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Por uns doces segundos, permanecemos assim e de olhos fechados. Depois, quando os abrimos, pegas-me pela mão como a uma criança que se deixa ir pela promessa de brincadeiras e levas-me para dentro de um café. Aí, sobre um chocolate quente para ti e um café para mim, esporadicamente dizemos o que passámos nas horas até ali, pois não há necessidade de palavras neste equilíbrio delicado de olhares afectuosos e carícias nas mãos. Recosto a cabeça nas costas da cadeira e, de olhos fechados, suspiro. Quando os reabro, recebes-me com um sorriso radioso que ofusca e momentâneamente ilumina a rua deserta que nos espreita melancolicamente pelas vidraças. Não sei como responder a tal oferta e revelo simplesmente a conclusão a que cheguei durante a noite.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Ao ouvires que te amo, as tuas pestanas batem confusamente mas não perdes a compostura porque logo a seguir dizes que já o sabias porque sentes o mesmo. Sinto que me apertas a mão, por cima da mesa, com mais força mas não vejo isso porque o meu olhar ficou temporariamente paralisado pela simplicidade com que disseste aquilo. Beijamo-nos novamente pela liberdade que temos para o fazer e pela vontade de não mais falar e apenas tentar exprimir fisicamente aquilo que nos consome; o desejo delicado de nos entregarmos um ao outro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-1395237586403760475?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/1395237586403760475/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=1395237586403760475' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/1395237586403760475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/1395237586403760475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/05/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-5366710754028193094</id><published>2007-04-30T11:58:00.000+01:00</published><updated>2007-04-30T13:10:42.631+01:00</updated><title type='text'>Defesa</title><content type='html'>Sempre que escrevo, fico melancólico. A que é que isto se deve, desconheço, mas a verdade é que escrever, para mim, é uma maneira de evitar que a escuridão se repita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-5366710754028193094?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/5366710754028193094/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=5366710754028193094' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/5366710754028193094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/5366710754028193094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/04/defesa.html' title='Defesa'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-5403005089851022300</id><published>2007-04-30T11:49:00.000+01:00</published><updated>2007-04-30T11:56:40.204+01:00</updated><title type='text'>Ilacções</title><content type='html'>Continuo a não perceber do que é que tens medo. Sei que não sou fácil de confiar, mas acredita em mim quando digo que sou honesto; nunca de mim tirarás outras ilacções senão as que estão correctas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-5403005089851022300?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/5403005089851022300/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=5403005089851022300' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/5403005089851022300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/5403005089851022300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/04/ilaces.html' title='Ilacções'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-8802667091768217379</id><published>2007-04-30T00:27:00.000+01:00</published><updated>2007-04-30T00:40:40.500+01:00</updated><title type='text'>Interpretações</title><content type='html'>Querer aquilo que nos parece melhor pode não coincidir com aquilo que é o melhor para nós. Querer perseguir os objectivos traçados e não se importar com lateralidades e externalidades deve ser considerada boa política.&lt;br /&gt;Mas ao mesmo tempo, e por mais que tente e me convença que já foi, não posso deixar de me regozijar com derrotas alheias e com falhanços de outrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oscar Wilde disse : "Não basta que tenhamos sucesso, é necessário que todos os outros fracassem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E neste momento sinto-me assim. Quero não só vencer como ainda certificar-me que todos os outros percam e se sintam humilhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o porquê desta vontade e desta interpretação de sinais dos que me rodeiam desconheço. E será o que analisarei nos próximos tempos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-8802667091768217379?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/8802667091768217379/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=8802667091768217379' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/8802667091768217379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/8802667091768217379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/04/interpretaes.html' title='Interpretações'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-8962244561915890063</id><published>2007-04-26T19:39:00.000+01:00</published><updated>2007-04-26T19:41:04.358+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;8. Ryan Adams - Desire&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;                    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Desligamos ao fim de horas. Olho pela janela, o dia já foi. Tiro o telemóvel do carregador e levanto-me do chão. Vou até à janela e deixo-me ficar a ver a rua deserta enquanto penso em tudo o que me disseste. Ficámos de nos encontrar, ficámos de nos beijar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Passo a mão pela humidade do vidro, depois refresco a cara. Sinto-me afogueado, a arder de tanta vontade de voltar a ligar-te para confirmar tudo o que te ouvi dizer na tua voz tentadora. Mas conformo-me em tomar um duche de água fria e comer qualquer coisa antes de me deitar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Fico horas às voltas na cama; não consigo dormir porque estou cheio de calor. Calor este proveniente do fogo que me consome por dentro; é o desejo por ti, pela hora que não chega de voltar a poder segurar na tua mão pequena e tímida, pelas curvas do teu cabelo que vou poder acariciar, pela tua pele da tua cara que deslizará sobre os meus dedos, pelos teus lábios sensuais que vou ter o prazer de tornar meus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Como que a torturar-me, os minutos negam-se a passar e a luz tarda a vir. Permaneço, ali, no escuro enquanto aguardo pelo segundo em que o despertador tocar para ir ter contigo. Pego no telemóvel para te ligar, mas antes de efectuar a chamada, travo-me. Não vale a pena impedir-te de dormir. E por isso peno sozinho através da noite interminável e que parece que me engole a cada minuto que consegue suceder ao anterior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Viro-me de lado. Agora é a parede que me fará companhia nesta vigília forçada. Festejo interiormente a cada quarto de hora que consigo ultrapassar, são menos quinze minutos até poder dizer-te o calor que me faz ficar febril e inutilizado aqui nesta cama durante horas. Fecho os olhos e aninho-me enquanto penso em ti para ver se consigo adormecer ou, pelo menos, fazer passar o tempo mais depressa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Abro os olhos uns cinco minutos depois e olho instintivamente para o relógio. Aparentemente resultou porque passaram-se mais do que cinco minutos mas não consigo precisar quantos. Tenho o pensamento completamente focado em ti e nada mais. Pela primeira vez em muitos meses, não dói pensar e aproveito esse facto ao máximo. Viro-me outra vez na cama e fito agora a secretária que está vazia, como eu de tristeza. E é por isto que eu sei que te amo, porque me fazes sentir com vontade de rir. Lembrando-me disto, desato a rir numa histeria que aos olhos de outros que não conhecem o contexto, passaria por loucura simples. Mas é uma euforia pura e natural, porque ultrapassei meses de escuridão para ressurgir do outro lado da montanha e conseguir descer para o vale onde os rios correm e as árvores verdejantes estão carregadas de promessas. E a euforia prolonga-se quando me apercebo que o sol começa a raiar por entre os estores corridos e ilumina-me no meu riso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Levanto-me e subo os estores para deixar entrar completamente o dia que te trará para junto de mim. Dou uma volta pela casa enquanto me espreguiço, sempre com um sorriso nos lábios. Engulo qualquer coisa na cozinha sem pensar em mais nada que não tu. A televisão aborrece-me pelo simples facto que ninguém fala de ti. Vou-me deitar novamente para tentar então descansar alguma coisa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;As horas passam e os meus olhos permanecem orgulhosamente abertos. Vejo as nuvens que se formam e vão tapando o sol. Irá chover e arruinar o dia radioso mas não será capaz de apagar o fogo que arde em mim e que irá aumentar de intensidade inversamente à distância e o tempo que nos separam. As nuvens ameaçam mas não cumprem e eventualmente acumulam-se de maneira a acinzentar o dia, mas não me deixo desmorecer. Se tínhamos tudo contra nós e conseguimos deliberar que ficaríamos juntos, não será pela vontade da natureza que isso não vá acontecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Levanto-me outra vez mas agora sim para ir ter contigo. Tudo o que se passou durante a noite passada foi como que varrido da minha existência. Só existes tu e eu, e seremos felizes enquanto assim fôr. Não te disse isto ainda, mas dir-te-ei e sei que concordarás com a tua voz cortada por um sorriso. Deste-me tantos indícios ontem à noite que não sei mais o que pensar senão o que verbalizo agora e cumprirei daqui a apenas umas horas, umas míseras horas que me impedem de entrar em estado de pura felicidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Páro para pensar neste facto. Não sei o que é a felicidade há tanto tempo que não sei o que devo fazer para prolongá-la. Espero que tu saibas e que consigas fazê-lo ao mesmo tempo que me ensinas a viver novamente. E é com este pensamento e esperança que, saindo de casa para te dizer tudo isto, reafirmo interiormente que te amo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-8962244561915890063?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/8962244561915890063/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=8962244561915890063' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/8962244561915890063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/8962244561915890063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/04/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os_26.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-8467959561238101977</id><published>2007-04-19T16:58:00.000+01:00</published><updated>2007-04-19T16:59:55.541+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;7. Amos Lee (with Norah Jones) - Colors&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;                      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Acordo, estremunhado, com a luz que entra pelas janelas e incide directamente na minha cara. Tento perceber onde estou e porque é que me sinto tão mal. Sem tréguas, o desespero da noite anterior volta e com isso a explicação para tanto sofrimento. Tinha tentado mais uma vez pôr de lado os problemas com recurso à bebida e tinha resultado, nem que fosse durante umas horas. Mas agora estava a ressacar e continuava a não saber o que pensar sobre o que se tinha passado entre nós dois.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Levanto-me resignadamente. Dirijo-me para a casa de banho e abro a torneira. Entro na banheira e deixo que a água fria me arrefeça a pele, numa tentativa de arrefecer o turbilhão de pensamentos negativos que revoluteiam na minha cabeça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Enquanto me seco, olho-me ao espelho. Nunca percebi porque é que sempre tive um ar gasto, velho, cansado. Apesar de ter sofrido durante mais de metade da minha vida, tive momentos felizes que deveriam atenuar, ainda que minimamente, os momentos maus. Mas a verdade é que tal não acontece e por isso aparento ter mais uns dez anos do que na realidade tenho. Apoio as mãos no lavatório para examinar mais de perto os meus olhos; quase que me vejo reflectido no seu reflexo. De um verde claro, quase transparente, formam uma situação enganadora. Houve quem me dissesse que os meus olhos deviam ser escuros, como a minha alma e que assim as pessoas pensavam que eu era uma pessoa alegre e viva, quando muito pelo contrário, consigo quase sempre trazer infelicidade aos que me rodeiam e que retorna inevitavelmente a mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Perco-me nestas considerações e nem oiço o telemóvel a tocar na sala. Passam-se alguns minutos e certamente umas quantas chamadas a que não respondi até que me apercebo que alguém tenta comunicar comigo e poderá ser, momentâneamente, uma maneira de escapar de tanta e incomensurável tristeza. Desloco-me para a sala a fim de perceber quem seria que incomodava a minha estada no abismo e, estonteado, vejo que a pessoa que me liga dá pelo nome de Leonor e que o seu nome e contacto tinha sido inserido na lista telefónica. Sento-me e respiro fundo; atendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Com a voz ainda embargada das lágrimas que choraste quando percebeste que sentias alguma coisa por mim, perguntas se me lembro de ti. Apetece-me gritar, saltar, atirar móveis pela janela; claro que me lembro de ti, modificaste a minha vida apenas com algumas palavras. Mas permaneço tranquilo enquanto dizes que pensaste em mim a noite toda e que agora percebias porque é que eu tinha um ar tão calmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Contraponho que é para evitar possíveis desilusões e que por isso mantenho um ar frio e distante. Mas, como tentas dizer agora, eu falei contigo e mostrei que existia em mim uma doçura incompreendida. Rio-me silenciosamente; não percebo como é que continuas a acertar tudo sobre mim, agora até pelo telefone.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E, tomado certamente pela inspiração de ouvir a tua voz novamente, digo tudo tanto quanto me vai na alma. Digo-te que as cores parecem mais esbatidas desde que te foste embora no miradouro, que as coisas que me aconteceram desde ontem começam a ganhar contornos de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;acasos mais do que casuais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Falas e falas e não me canso da tua voz. Agora sempre que pausas para respirar, também eu fico em suspenso, receoso que não voltes a expressar mais alguma verdade inquestionável acerca de mim e que eu te perca novamente e volte, mais uma vez, para os confins do chão da sala e para o fundo de mais uma garrafa vazia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E continuamos, como as horas que passam, a tentar encontrar entre nós dois uma explicação para tanta sintonia, e como tantas vezes acontece, teremos que declarar o destino vencedor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Explicas-me o que sentes. Eu não consigo descrever o que sinto por ti. Não que me falte vocabulário, mas simplesmente porque acho que não existem ainda palavras que te definam, como aquelas que cantavas suavemente quando pensavas que eu não te ouvia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Mas eu estou apenas atento a uma coisa em particular, e finalmente, após horas de martírio, ficam revelados finalmente os teus interesses em mim. E após ter ouvido as palavras mágicas, renovo-me totalmente por dentro. Disseste, com voz lacrimejante, que havia qualquer coisa em mim que te compelia a aproximar o mais próximo possível e, não querendo desfeitear a tua onda melancólica, não te aviso que o que te puxa, será inevitavelmente o que acabará por nos separar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-8467959561238101977?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/8467959561238101977/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=8467959561238101977' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/8467959561238101977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/8467959561238101977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/04/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os_19.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-3909733944741952295</id><published>2007-04-17T19:45:00.000+01:00</published><updated>2007-04-17T19:50:08.834+01:00</updated><title type='text'>Atenuantes da derrota</title><content type='html'>Dou-me por derrotado em alguns aspectos. Nada há a fazer quando tudo parece estar num conluio soturno contra aquilo por que luto, almejo e desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me dei por resignado quanto a vender cara a derrota; de momento, apenas posso adiar o inexorável avanço hostil mas nunca, nunca, farei desta uma vitória pírrica para o outro lado pois por mais que tente, já fui batido e não causarei grandes danos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os únicos atenuantes da derrota são, sem dúvida, os tempos que se aparentam melhores, mas esses, ah!, esses estão no horizonte longínquo e apenas posso continuar a mirá-los de longe, ao de longe...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-3909733944741952295?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/3909733944741952295/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=3909733944741952295' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3909733944741952295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3909733944741952295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/04/atenuantes-da-derrota.html' title='Atenuantes da derrota'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-8157845078535373559</id><published>2007-04-12T19:28:00.000+01:00</published><updated>2007-04-12T19:31:20.799+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;6. Earlimart - It's Okay To Think About Ending&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;              &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;As folhas amarrotadas começam a empilhar-se no chão que rodeia a cadeira onde me sento; com a fúria que sinto atiro a que escrevo com tanta força, que ela sai do quarto e vai aterrar no corredor. Nada do que escrevi te faz jus, por isso continuo a tentar até conseguir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Passadas horas e horas, já não há mais folhas para escrever. Estou deitado no chão enquanto tento perceber porque é que os meus pensamentos eram prolíficos ainda de manhã mas agora que anoiteceu, são estéreis. Exasperado por pensar que se calhar não foste mais do que uma fonte de atracção passageira, aninho-me no meio das folhas que têm palavras que são falsas, incompletas, erradas. Começam-me a falar; as suas vozes ecoam nos meus ouvidos durante tanto tempo que lhe perdi a conta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Acordo, enregelado, e ainda sem ideias. Levanto-me vagarosamente; não há necessidade de pressas. Não porque esteja envolvido em tranquilidade, mas antes porque me afogo &lt;st1:personname productid="em melancolia. A" st="on"&gt;em  melancolia. A&lt;/st1:PersonName&gt; escuridão lá fora acentua a minha incapacidade para me sentir bem. Sento--me na cozinha enquanto bebo água. Massajo os olhos inchados; não me vi ao espelho, mas tenho a certeza que estão raiados de todo o sangue me veio à cabeça enquanto, no sono, tentava descobrir o que é que faltava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Como uma porta que nos bate na cara, percebo: não disseste se me querias voltar a ver. Agora completamente derrotado, levanto-me e deito-me no escuro da sala. Olho, como tantas vezes olhei, para as garrafas que espreitam por entre as portas semi-abertas do armário das bebidas junto à mesa. É uma solução demasiado fácil para hoje, para o que se passou, para toda a espécie de problemas que possam resultar do meu desejo não correspondido. De olhos cravados no tecto, compreendo que não faz mal pensar no fim das coisas e nem sequer é muito mau pensar que as coisas que possam ter um início não o tenham porque não se tenta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Suspiro; percebo que estou perdido. Perdido como todas as vezes que alguém me despertou a atenção e acabou em nada, perdido como tantas e tantas noites que acabo sozinho com uma garrafa vazia deitada ao meu lado, perdido como sempre me sinto quando não tenho ninguém a quem ligar no fim da noite ou quando já não há ninguém que me espera em casa com um sorriso afectuoso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Suspiro; percebo que estou apaixonado. Apaixonado como todos os dias estive enquanto fui feliz, apaixonado como todas as vezes que me foi segurada a mão sem esperar nada mais do que um aperto carinhoso de volta, apaixonado como sempre que me olhava e percebia que era&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;sustentado por algo mais que auto-comiseração, quando conseguia gostar mais da pessoa que me amava do que gostava de mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Suspiro; percebo que não há outra solução para o problema que me pões. Estendo o braço para a garrafa mais próxima e, arrancando com os dentes a tampa, começo a beber.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-8157845078535373559?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/8157845078535373559/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=8157845078535373559' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/8157845078535373559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/8157845078535373559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/04/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os_12.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-5192790250905097212</id><published>2007-04-11T23:56:00.000+01:00</published><updated>2007-04-11T23:58:11.835+01:00</updated><title type='text'>Declaração de princípio</title><content type='html'>Ao mesmo tempo que rejeito os epítetos, reconheço que  só quem não tem expectativas é que não sai desiludido.&lt;br /&gt;Abraço, então, o estoicismo como única maneira de conseguir lidar com as incongruências e incoerências intrínsecas às pessoas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-5192790250905097212?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/5192790250905097212/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=5192790250905097212' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/5192790250905097212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/5192790250905097212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/04/declarao-de-princpio.html' title='Declaração de princípio'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-883351065306423113</id><published>2007-04-11T23:51:00.000+01:00</published><updated>2007-04-11T23:54:42.640+01:00</updated><title type='text'>Categorização</title><content type='html'>Ultrapassado o frio, vem a esperança de tempos melhores, onde possamos amenamente contemplar o sol que desce por entre as árvores que oscilam suavemente ao sabor do vento e concluir que pertencemos à categoria irrecuperável do casal da juventude para o qual não há futuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-883351065306423113?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/883351065306423113/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=883351065306423113' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/883351065306423113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/883351065306423113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/04/categorizao.html' title='Categorização'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-4060191159798714008</id><published>2007-04-06T23:10:00.000+01:00</published><updated>2007-04-06T23:12:52.310+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;5. Rolling Stones - You Can't Always Get What You Want&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Estou agora só e percorro as ruas em sentido inverso. Aquelas nossas horas foram mágicas e queria que nunca acabassem, mas não se pode ter tudo o que se quer. O ar frio bate-me na cara; estou já completamente sóbrio mas não me apetece pegar no carro, por isso vou a pé até casa. Passo pelos cafés que abrem, pelos homens que varrem as ruas, pelos quiosques que expõem os jornais diários com as suas manchetes de notícias que me parecem completamente desinteressantes em comparação com o que se passou ontem à noite.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Quero dizer às pessoas que te conheci, quero gritar o teu nome até ficar rouco, quero voltar a ver-te. Mantenho-me tranquilo enquanto caminho lentamente, tentando não me esquecer de qualquer pormenor; cada curva do teu cabelo, a tua voz cortada por uma gargalhada discreta sempre que dizias algo que sabias que eu iria gostar (como se me provocasses), a maneira como mexes as mãos enquanto falas, a simplicidade do teu pensamento. Se me perguntassem agora para te descrever, acho que era capaz de fazê-lo na forma de um poema; porque toda a inspiração que corre nas minhas veias flui dos pequenos detalhes que me vêm à memória a cada passo que dou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;O sol bate-me directamente na cara; revigorado pela energia que recebo, faço os últimos quarteirões até casa já a correr. Tenho pressa em sentar-me e escrever tudo aquilo que és, que representas e que significas. Abro a porta do prédio com um empurrão; impaciente com o elevador que não chega, lanço-me sobre as escadas e subo os degraus dois a dois, três a três, quatro a quatro. Bato a porta com tanta força que as coisas que estão na mesa da entrada caiem. Vôo para o meu quarto e empurro todos os papéis desordenados em cima da secretária para o chão. Tiro uma folha limpa da resma e pego numa caneta. Sento-me e começo a ensaiar e ordenar na minha cabeça os caracteres que vou escrever e que serão uma descrição fiel de ti; a perfeição.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-4060191159798714008?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/4060191159798714008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=4060191159798714008' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/4060191159798714008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/4060191159798714008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/04/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-5548626936251111391</id><published>2007-03-30T15:29:00.000+01:00</published><updated>2007-03-30T15:30:20.799+01:00</updated><title type='text'>Vento</title><content type='html'>Queria saber se estavas lá fora, à espera de respostas e que o vento te embalasse e te levasse no seu gentil abraço para longe de mim.&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-5548626936251111391?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/5548626936251111391/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=5548626936251111391' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/5548626936251111391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/5548626936251111391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/03/vento.html' title='Vento'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-1842061733306119029</id><published>2007-03-30T15:26:00.000+01:00</published><updated>2007-03-30T15:28:51.183+01:00</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;4. Three Dog Night - One Is The Loneliest Number&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;          &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Calcorreamos as ruas desertas, iluminadas por candeeiros espaçados que mostram também a humidade que pousa gentilmente nas pedras da calçada. Encosto os dedos da mão esquerda a um pequeno muro que corre paralelamente à rua; sinto a textura rugosa das pedras que o compõem, sei que é real. A minha mão direita aperta a tua; sei que és real e que estás comigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Andamos mais um bocado até chegarmos ao miradouro que se debruça sobre a cidade adormecida, limpa de carros e pessoas nas ruas. Uma calma perfeita, não trocávamos uma palavra havia minutos, é interrompida pela passagem de uma matilha de cães vadios por nós, um deles não tinha uma pata. Isto lembra-me algo do passado descomplicado que já fôra, porque esboço um sorriso triste que não te passa despercebido. Pões a tua mão na minha cara e acaricias-me suavemente. Desejo perguntar-te porquê toda esta atenção que me dás, mas ao mesmo tempo não desejo que páres. Não consigo evitar que me saia da boca para fora que fui feito para estar sozinho, mas tu não ligas e explicas-me tudo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Que estar sozinho não pode ser considerado “estar” porque viola a conjugação do verbo “ser”, que ninguém foi feito para estar sozinho e que ninguém foi feito para estar sozinho e que ninguém deve estar sozinho. E eu bebo, maravilhado, as tuas palavras, fascinado com os teus argumentos, afogado na beleza dos teus longos cabelos pretos, cobertos de pequenas pérolas de humidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Levantamo-nos para ver nascer o sol, que esbate os seus raios nos prédios e nas suas varandas de ferro forjado. A tua mão procura, nova e timidamente, a minha. Ainda hoje não sei qual de nós o disse, mas nessa altura percebemos que duas pessoas como nós estão destinadas a encontrar-se. Mas sempre, quase sempre, acrescento eu tristemente, não estão destinadas a ficar juntas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Dás-me um beijo na cara e vais-te embora, deixando-me sozinho naquele miradouro frio, húmido e sombrio, que está sobre a cidade quente, viva e solarenga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-1842061733306119029?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/1842061733306119029/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=1842061733306119029' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/1842061733306119029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/1842061733306119029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/03/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os_30.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-9067595548205261880</id><published>2007-03-22T20:23:00.000Z</published><updated>2007-03-22T20:25:09.102Z</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;3. The Who - Baba O'Riley&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;              &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Sinto-me vibrante, vivo, cheio de energia. Mastigo as esquírolas de gelo que sobejam no fundo de mais um copo de whisky vazio. Ris-te de algo que eu disse, mas que já não me lembro. Os últimos dez minutos já são passado e os últimos dez segundos estão a ficar rapidamente para trás.&lt;br /&gt;Singelo, o teu olhar, que se anima perante as girândolas de luz provenientes do balcão, debaixo da prateleira onde as garrafas coloridas nos aguardam. As cores nada mais do que mascaram a promessa de álcool que as garrafas de formas exóticas encerram. As cores nada mais são do que miríades de reflexões provocadas pela luz que flecte os conservantes e colorantes contidos nas bebidas. Devo ter dito isto em voz alta, porque me fitas com um olhar de inquirição. Profuso, chamas-me. Não, não, estou é completamente bêbado.&lt;br /&gt;Seguras-me na mão, e massajas-me os dedos calosos. São de escrever, informo-te. Sim, escrevo tudo o que se passa; de facto, exprimo-me melhor pela escrita que por palavras. Sorris, meneando a cabeça. Estou a ser suficientemente claro, dizes tu. Dou mais um gole do que quer que esteja no copo que agarrei agora mesmo e franzo uma sobrancelha; talvez porque não tenha percebido o que disseste ou muito provavelmente porque aquilo não era decididamente whisky. Vodka? Gin? Já perdi toda a sensibilidade, a minha língua serve apenas para falar, falar, falar.&lt;br /&gt;Enquanto olho para o copo que seguro nas duas mãos, abandonas o banco onde estavas. Dou por mim sozinho e a procurar-te. Não quero que esta sensação se vá embora; não quero desperdiçá-la sozinho. Começo a pensar que não passaste de uma ilusão.&lt;br /&gt;Regressas, com um copo em cada mão. Um para mim, outro para ti. Sorrio perante a tua generosidade, perante a tua ingenuidade. Depois disto não há retorno; ofereces-me uma bebida, terás que perceber que me deste espaço a mais. Explico-te isto de forma séria e tu escutas atentamente. Percebo que percebes o que disse, porque bebes agora a tua bebida e incitas-me com o olhar para te acompanhar. Decido que os actos presentes não afectam os passados e que servem de precedência para o que se passará a seguir a este copo. E por isso bebo. E vou buscar, o mais rapidamente que consigo, mais um copo para cada um de nós.&lt;br /&gt;Agarras-me novamente a mão e começas a falar. Sei que o que dizes faz todo o sentido, mas entra por um ouvido e sai pelo outro. Não é por já ter bebido o suficiente para afogar um cão, é porque sinto cada vez mais uma genuína atracção por ti, um genuíno afecto. Deixo-me calado, não te quero interromper. Mas um sorriso insinua-se nos meus lábios e mantém-se mesmo quando levo o copo à boca. As luzes baixam de intensidade, a música baixa de volume. A noite prolonga-se lá fora, mas cá dentro somos nós só que vivemos. Apercebo-me disso, tu também. Escapa-se-me o teu nome: Leonor.&lt;br /&gt;Olhas-me expectante. Bebo o último gole da noite, pego no meu casaco e na tua mão.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-9067595548205261880?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/9067595548205261880/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=9067595548205261880' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/9067595548205261880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/9067595548205261880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/03/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os_22.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-2455750774009324674</id><published>2007-03-20T15:16:00.000Z</published><updated>2007-03-20T15:55:37.450Z</updated><title type='text'>O amor moderno</title><content type='html'>É verdade que está sol, mas porquê sair de casa se podemos ficar aqui aconchegados? Para quê estarmos com outras pessoas quando podemos partilhar-nos um ao outro exclusivamente? É verdade que não reparei nos teus olhos esperançados, mas eu não sei. Não sei tanta coisa, sou novo nisto de amar. Porque ages como se tivesses tanta experiência?&lt;br /&gt;As coisas são desta maneira mas podemos tentar mudá-las. Quero ser o que tu quiseres que eu seja, o problema é que que tu queres que eu seja eu mesmo mas eu não sei quem sou. Sempre que me perco a pensar nisso, ficas sozinha no mundo real e eu deambulo durante horas e dias, até semanas, apenas para voltar de mãos vazias quando regresso.&lt;br /&gt;Disseste que querias tirar-me isso de cima, dizer-me quem eu sou, mas eu não quis. E tu não insiste. Mas porquê? Tens que ser mais incisiva, tens que me chamar à razão. Só assim poderei alguma vez ouvir-te e só assim poderás alguma vez mudar-me.&lt;br /&gt;Porque não atendes? Porque não respondes às minhas chamadas? Sei que hoje estava distraído, sei que hoje não te dei tanta atenção, mas agora quero dedicar-me só a ti.&lt;br /&gt;Torna-se mais difícil quando não te consigo explicar porque é que olhava para o infinito quando me pegavas na mão e contavas os teus sonhos e as tuas ambições. Torna-se difícil porque te magoei e não consigo que me deixes resolver.&lt;br /&gt;E agora estás despojada, na tua cama, a chorar porque o teu homem não sabe pôr o braço à volta dos teus ombros quando a angústia te assalta e a dúvida consome-te por dentro, porque pensas que o afastaste com a tua insistência a perguntar porque é que eu sou incapaz de me abrir contigo, porquê tanto medo, porquê assustado com a partilha.&lt;br /&gt;E eu estou de mãos crispadas e com um nó na garganta que não desata porque as palavras não saem e cada lágrima tua aperta-me mais a traqueia.&lt;br /&gt;Já não se dorme, já não se come. Não se sonha e não se vive. Estamos condenados a perecer juntos porque não soltamos o berro que nos inflama e não deixamos soltar as lágrimas e os soluços que nos afogam.&lt;br /&gt;Os cabelos morenos que te cobrem a cara caiem deixando a descoberto os teus olhos molhados e assustados. Os meus olhos raiados de insanidade espreitam por detrás da franja rebelde que não me obedece e que se junta a todas as coisas que não consigo controlar.&lt;br /&gt;E gradualmente desisto de passar por tua casa para te ver silenciosamente enquanto me desprezas e te reinventas a partir das partes da tua vida que eu quebrei. E eu tento também edificar-me com base no bom que tivemos mas tu levaste tudo, deixando-me as migalhas daquilo que posso conseguir, ainda que marginalmente, noutro lado.&lt;br /&gt;Absorveste tanto que ficaste maior em largura. Vês mais coisas, conheces mais coisas, sabes mais coisas. Tens uma base muito maior, nunca cairás.&lt;br /&gt;Eu cresci; acumulei para cima aquilo que alcancei. Fui atirando para debaixo dos pés ou para cima dos ombros tudo quanto pude enquanto pude pois seria a única maneira de conseguir sair do fundo do poço em direcção à luz. E enquanto os meus alicerces podem ser mais frágeis, posso falar durante o dia com os pássaros e conhecer as suas viagens e à noite permito-me sonhar com o mundo enquanto estou lado a lado com as estrelas bruxeleantes e tímidas e a lua que me envolve na sua doce luz de primavera.&lt;br /&gt;Seguiste em frente e persegues os teus objectivos, que traçaste quando ainda éramos sementes no mesmo vaso; eu segui para cima e sonho ainda quais serão os meus projectos e como deixar de sonhar e passar a fazer.&lt;br /&gt;Tornaste-te um ser humano capaz de ser frio e cruel mas foi porque eu te tirei a gentileza que ostentavas sempre como bandeira de guerra. Tornei-me num ser humano capaz de apreciar a  pequena contrariedade da nuvem que passa à frente do sol porque me tiraste a raiva que eu usava como estaca de sete metros para afastar toda a gente.&lt;br /&gt;Crescemos juntos, física e psicologicamente e afastámos-nos. Fomos testemunhas do amor e vítimas do que ele pode trazer. Mas não te guardo rancor e espero que sejas capaz de te lembrar com um sorriso nos lábios das tardes em que víamos o sol por entre as folhas verdes, encostados ao tronco seguro e forte daquela nossa árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-2455750774009324674?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/2455750774009324674/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=2455750774009324674' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2455750774009324674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2455750774009324674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/03/o-amor-moderno.html' title='O amor moderno'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-6071579785307297271</id><published>2007-03-15T20:10:00.000Z</published><updated>2007-03-15T20:12:51.695Z</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;2. David Bowie - Rebel Rebel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;Calças de ganga, camisola de riscas, casaco por cima. Calço os ténis e ponho-me a andar. Enquanto desço no elevador, ajeito com as mãos o cabelo e coço automaticamente a barba rala que não tive ainda paciência para fazer. Entro no carro e enquanto espero que o motor aqueça, ligo o rádio. Música, música e mais música acompanha-me no trajecto que liga a minha casa ao sítio onde combinámos nos encontrar. Sinto-me bem, sinto-me capaz de enfrentar o mundo e rir-me de todas as situações que me fazem reflectir demasiado; estar distraído é bom, pois não sou obrigado a pensar e a relembrar-me de tudo quanto faz doer. Chego à rua do bar. Desligo o motor mas deixo-me ficar a ouvir a música até ao fim.&lt;br /&gt;Percorro os metros que me separam desde o carro até à porta entreaberta do bar com passos que soam na rua vazia e que lutam pela maior audibilidade com a conversa banal e as gargalhadas suaves que saem do interior. Entro, confiante no desfecho desta noite.&lt;br /&gt;Cumprimento-os um a um. Afinal, posso ser um solitário e sofrer sozinho, mas tenho em quem confiar numa noite em que a ordem é para beber o mais possível. Já se adiantaram a mim, como comprovam os muitos copos vazios em cima da mesa. Oiço alguém explicar a outro alguém a razão pela qual bebemos: não bebemos por causa do cliché, bebemos porque é o nosso estilo de vida, somos rebeldes que se rebelaram dos que apregoam que a vida é má e por isso bebem. Não; bebemos porque gostamos, bebemos porque queremos. Somos jovens (uns mais que outros), temos possibilidades e por isso fazemos o que queremos. Rio-me silenciosamente e por trás do meu copo destes argumentos, já passara o tempo em que os explanava a quem me quisesse ouvir.&lt;br /&gt;Os copos não param de chegar e sair da mesa mas desta feita vazios. Já bebi o suficiente para atingir o grau em que nos sentimos soltos, animados e de língua prolífica. Arranco conversa com os meus companheiros, falamos de futilidades, como política, desporto, amor, a própria existência. Passamos então para o tópico que me interessa mais, ver quem consegue hoje beber o suficiente para não conseguir pensar em mais nada durante a próxima semana. Concorro voluntariamente e abnegadamente para este prémio e continuo a ingerir bebidas alcoólicas, mas com uma velocidade que aumenta a cada copo que me passam para a mão.&lt;br /&gt;Ao dar por mim, estava a olhar para o fundo de um copo vazio, com um resto de líquido alaranjado; já estou no whisky e cheguei apenas há uma hora e meia, isto hoje promete. Recosto-me no sofá em que me sento. Passo as mãos frias do contacto com os copos pela cara quente. Tiro o cabelo da testa. Agora sim, consigo sentir o martelo na cabeça. Decido esperar mais um bocado até à próxima rodada. Deixo-me ficar por ali, a tentar apreender o maior número de informações que me rodeiam e que flutuam à minha volta, tentando interagir o mínimo possível, pois a própria observação afecta o acto observado.&lt;br /&gt;Dou por mim, nestas deambulações a olhar de frente para ti, que me devolves o olhar. Paraste de falar com a tua amiga, talvez porque tinhas um homem totalmente amassado pelo álcool que flutuava alegremente no seu estômago em vez de no seu copo, que te fitava insistentemente e nem eu sei te explicar porquê. Mas sei que por não teres dito nada, me levanto e vou ter contigo. Elogio-te o cabelo, elogio-te as roupas, elogio-te sem saber porquê e nem te conhecendo. Elogio-te porque o olhar que me devolveste, esse olhar… reconheci-me nele; és como eu, uma rebelde sem causa senão a própria privação de pensamentos e necessidade de viver a vida pela qual ela é, sem rodeios.&lt;br /&gt;Ficas, muda e queda, a olhar para mim como se eu fosse um bicho. Mas não me desmoralizas, porque eu hoje estou a usar calças de ganga e camisola às riscas que me fazem ficar mais elegante, seja lá o que isso for. Não me desmoralizo porque estou tão à vontade com a minha situação de rebelde que peço mais uma bebida e não saio de roda de ti até te fazer esboçar um sorriso e conhecer o teu nome; Leonor. Eu sou o Rodrigo e esta é a noite em que nos conhecemos.  &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-6071579785307297271?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/6071579785307297271/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=6071579785307297271' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/6071579785307297271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/6071579785307297271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/03/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os_15.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-6513669365752936176</id><published>2007-03-08T21:21:00.000Z</published><updated>2007-03-08T21:23:03.934Z</updated><title type='text'>20, ou a banda sonora da vida de nós os dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;1. Massive Attack - Teardrop&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;            &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Exploro o espaço em que estou. Uma clareira verdejante que os declinantes raios solares iluminam, num fim de tarde sonolento. O silêncio é quase absoluto, quebrado apenas pela minha respiração pausada.&lt;br /&gt;Avanço uns passos e embrenho-me no meio das árvores. As folhas e os ramos arranham-me a pele nua do peito e dos braços. De olhos fechados, decido o caminho a seguir; por ali, como sempre foi de todas as vezes que por aqui passei. Levanto o mesmo ramo caído de todas as outras vezes e entro no buraco que surge no chão. Continuo a descer confiante pelo túnel, perfeitamente adaptado às minhas dimensões. Desço até não haver mais luz solar e deparo-me com uma porta entreaberta; empurro-a suavemente e entro.&lt;br /&gt;Um salão subterrâneo estende-se à minha frente. O chão, xadrez marmóreo de preto e branco, suporta colunas espalhadas pelo salão, que por sua vez suportam o tecto escuro. Caminho através da escuridão, guiado por uma luz lá ao fundo.&lt;br /&gt;Chego, por fim, à lâmpada acesa, que ilumina junto a si uma cama. Deito-me e a lâmpada apaga-se, num acto natural. Sinto então a escuridão envolver-me e adormeço. Fico ali a dormir dentro do meu sono, a sonhar dentro do meu sonho, finalmente em segurança.&lt;br /&gt;Um ruído longínquo insinua-se através das trevas, despertando-me. Acordo, então, e estou no meu quarto. Suspiro e anseio por ter, na vida real, um lugar onde me possa refugiar, como tenho nos meus sonhos.&lt;br /&gt;Suspiro novamente e levanto-me.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-6513669365752936176?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/6513669365752936176/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=6513669365752936176' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/6513669365752936176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/6513669365752936176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/03/20-ou-banda-sonora-da-vida-de-ns-os.html' title='20, ou a banda sonora da vida de nós os dois'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-4228413265678757463</id><published>2007-03-05T23:46:00.000Z</published><updated>2007-03-05T23:49:30.534Z</updated><title type='text'>Publicação</title><content type='html'>Na próxima quinta feira será publicado o primeiro capítulo de uma pequena estória que escrevi para uma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estória chama-se "20, ou a banda sonora da vida de nós os dois" e está dividida em 20 capítulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serão publicados semanalmente às quintas feiras, como era no princípio (para aqueles que se lembram).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-4228413265678757463?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/4228413265678757463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=4228413265678757463' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/4228413265678757463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/4228413265678757463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/03/publicao.html' title='Publicação'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-6775122117645513971</id><published>2007-03-05T23:31:00.000Z</published><updated>2007-03-05T23:43:59.609Z</updated><title type='text'>Sensações</title><content type='html'>Será que sempre que sinto um peso no peito, tenho que imediatamente assumir que a âncora que me puxa para baixo voltou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é que não consigo flutuar? Porque não é que se pode eliminar a água da equação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só não me sinto a afundar mais porque estou ciente que já bati no fundo e agora subo ligeiramente com a impulsão, mas ficarei em equilíbrio precário a poucos metros do abismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-6775122117645513971?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/6775122117645513971/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=6775122117645513971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/6775122117645513971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/6775122117645513971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/03/sensaes.html' title='Sensações'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-3055193591298607744</id><published>2007-03-05T20:40:00.000Z</published><updated>2007-03-06T00:05:12.007Z</updated><title type='text'>Distracções</title><content type='html'>Massajo a perna dorida. Despenteio mais um pouco o cabelo. Coço as cicatrizes no braço. Tudo serve para matar segundos, desperdiçar minutos. Tudo serve de pretexto para fugir ao tema da conversa, para me fingir ocupado enquanto ninguém me presta atenção.&lt;br /&gt;Desenho teorias, desfaço castelos, projecto epopeias, diviso políticas. Tudo enquanto os momentos silenciosos se instalam, tudo enquanto te calas e olhas para o lado.&lt;br /&gt;Componho andamentos, gizo estratégias, assimilo raciocínios. Tento distrair-me ao máximo, tento afastar da minha mente a conclusão de que cheguei tarde demais. Não há outra resposta; é um problema linear. Ou é sim, ou é não.&lt;br /&gt;Relembro acontecimentos, estalo os nós dos dedos, abano as mãos. Num grupo de pessoas e ninguém me dirige a palavra; há que fazer passar o tempo.&lt;br /&gt;Focalizo a dor na perna, concentro-me nela, faz-me companhia enquanto o tempo passa. Ordeno a todos os nervos no meu corpo a transmitir a mínima dor que sintam imediatamente; tenho por objectivo desculpar-me para poder sair daqui.&lt;br /&gt;Abrando a respiração. Cada inspiração, cada batimento cardíaco, cada expiração serve para me distrair. Cada evento fisiológico serve para negar por instantes a desilusão da verdade.&lt;br /&gt;Engulo em seco, sinto a electricidade estática percorrer-me os braços, enterro os dedos no meu cabelo. Sair daqui para quê? Para fazer o mesmo em casa?&lt;br /&gt;Esmurro a perna sem ninguém ver, há que aumentar a dor. Castigo as paredes com os meus punhos, distribuo energia pelas paredes, inflijo mais dor. Já quase não penso.&lt;br /&gt;Imagino como será passar as mãos pelo teu cabelo, como será poder abraçar-te sem receios, como será poder levar-te pela mão. Perco-me em considerações, distraio-me da dor.&lt;br /&gt;Desligo-me de ti momentaneamente. Levo as mãos à cara, como no gesto que alguém me faria se eu importasse a alguém. Já não dói tanto, mas também não distrai.&lt;br /&gt;Remeto a introspecções profundas numa tentativa de procurar no interior aquilo que falta no exterior. Remexo na essência do meu ser, nas fundações da minha pessoa. Toco na raiz primitiva do que sou.&lt;br /&gt;Recorro a tudo para me distrair, tento tudo o que consigo para te afastar do pensamento. Nada resulta. Nada impede que a verdade se espalhe em mim como azeite.&lt;br /&gt;Nada me distrai, e eu sei então que nunca vou ter alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-3055193591298607744?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/3055193591298607744/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=3055193591298607744' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3055193591298607744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/3055193591298607744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/03/massajo-perna-dorida.html' title='Distracções'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-828297082399537282</id><published>2007-03-05T20:11:00.000Z</published><updated>2007-03-05T20:30:32.182Z</updated><title type='text'>Estendo</title><content type='html'>Estendo a minha rede, como quem pesca. Utilizo os meus artifícios, as minhas técnicas, os meus truques. Nada surte efeito. Nada se altera. O sol sobe no horizonte e o vento breve bate as ervas junto à água.&lt;br /&gt;Estendo a minha teia, como quem caça. Nada ainda; nada se passa. Sozinho, alhures, procuro atrair algo para junto de mim, mas demonstra-se impossível. O sol está a pique, bate directamente na minha cabeça morena, queimando a minha pele. O vento pára, as águas murmurejam e as cigarras cantam nas árvores.&lt;br /&gt;Estendo a minha mão, como quem alcança. Nenhum ser agarra os meus dedos; apalpo o ar. Estou só, só ficarei. Uma nuvem desloca-se para longe, deslizando enquanto se afasta do sol e o calor volta.&lt;br /&gt;Estendo os meus olhos, como quem observa. Ninguém à vista, ninguém que me leve deste isolamento. O sol começa a descer enquanto incendeia a atmosfera, diluindo as cores ao longe num vermelho ocre.&lt;br /&gt;Estendo a minha imaginação, como quem cria. Multidões rodeiam-me, vida surge à minha volta por tudo quanto é lugar. De forma efémera; esfumam-se no ar assim que me distraio. As primeiras estrelas surgem no firmamento, libertas do jugo do sol.&lt;br /&gt;Estendo a minha memória, como quem revive. Não me lembro da última vez que não estive sozinho. A escuridão assenta-me sobre os ombros. Imóvel, sinto o peso opressor das sombras e da angústia que carregam.&lt;br /&gt;Estendo a minha vontade, como quem desiste. Não voltarei a sonhar com companhia. Estou isolado, isolado ficarei. As horas passam, a vida acaba-se e eu fico ali, enquanto tento atrair algo para junto de mim mas sempre falhando, sempre ficando só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-828297082399537282?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/828297082399537282/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=828297082399537282' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/828297082399537282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/828297082399537282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/03/estendo.html' title='Estendo'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-2668713554436823298</id><published>2007-02-02T13:56:00.000Z</published><updated>2007-02-02T13:58:05.643Z</updated><title type='text'>Doze - II</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Anos passaram. Um deles deixou simplesmente de aparecer, só souberam dele outra vez quando morreu, décadas depois. O que estivera preso apareceu num jantar, reabilitado, e contou como refizera a vida e estava novamente com eles. Foi acarinhado como o filho pródigo que retornara ao pai. No ano seguinte, voltou o que estivera no estrangeiro; tinha feito fortuna, constituído família. Explicou-lhes que o seu lugar era agora longe da pátria, no país que o tinha acolhido e que o tinha feito homem rico e poderoso, mas que viria sempre aos jantares anuais, sem falhas. E como homem de carácter, cumpriu, sem falhas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;As coisas pareciam reencaminhar-se. O grupo já não incluía os doze mas os que restavam, os que queriam reencontrar-se. E foram passando os jantares, os anos, foram envelhecendo. Souberam da morte do que tinha abandonado os estudos, souberam da ida para o estrangeiro do que tinha engravidado a namorada que era agora a sua mulher. Houve um ano em que um deles anunciou que lhe tinham descoberto um cancro e que para o ano não estaria lá. Começaram a encontrar-se mais vezes nos funerais uns dos outros do que em ocasiões festivas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Um ano não apareceu o que tinha dito que viria sempre do estrangeiro. Souberam instintivamente que mais um amigo havia morrido, pois ele seguramente não faltaria à palavra. Tinham então perto de 50 anos e nem metade deles tinha chegado ao meio século de vida com vida. Foi com surpresa que, em mais uma reunião, apareceu o companheiro que tinha ido para o estrangeiro com a família. Voltara por saudades do país, da língua, do sol, mas sobretudo pelas saudades dos companheiros ainda vivos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Eram cinco que agora, a cada ano que passava, se juntavam para contar estórias das suas vidas, das suas famílias, mas sobretudo para se relembrarem do passado que estava cheio de promessas brilhantes, potencialidades e tudo o mais que a juventude e os seus sonhos incutem nos jovens. Talvez por isso, talvez por ter bebido uns copos de vinho a mais, nessa noite um deles foi para casa e enforcou-se. Eram agora quatro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se anos, passaram-se décadas. Agora os que iam eram os que restavam, já não havia surpresas quando alguém não aparecia. Até que só dois restavam e depois, só um restava para ir ao funeral do outro e chorar pelos onze companheiros que haviam faltado à promessa de a cada semana, mês, dois meses, ano que passavam se reunirem para um jantar em que os doze voltavam a ser os rapazes que foram, os rapazes que sabiam que o futuro lhes pertencia e que nunca, nunca se separariam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-2668713554436823298?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/2668713554436823298/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=2668713554436823298' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2668713554436823298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2668713554436823298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/02/doze-ii.html' title='Doze - II'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-2179472632043106409</id><published>2007-02-02T13:55:00.000Z</published><updated>2007-02-02T13:56:28.111Z</updated><title type='text'>Doze - I</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Eram doze companheiros, colegas, camaradas. Eram homens pela razão que os rapazes se transformam em homens: partilharam as primeiras alegrias, as primeiras desilusões, euforias, tristezas e fizeram-no juntos. Desde sempre se dizia que aqueles doze chegariam longe, que seriam o orgulho dos pais. Fôra assim desde que começaram, no liceu, a fazer tudo como um grande grupo de irmãos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Eram unidos pelo sentimento mais forte que pode unir pessoas que não sejam da mesma família, o amor. Era um amor sadio, próprio de quem confia plenamente naqueles que estão a seu lado e que sabem que essa confiança é recíproca. E era por isso que nunca se separavam, apesar das querelas, apesar das altercações, pois sabiam que precisavam uns dos outros. Foi assim que passaram a juventude, com uma rede de apoio em que todos se apoiavam mas que todos suportavam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Foi no seio dos doze que se soube da depressão de um deles, foi através dos doze que foi ultrapassada. Foi com o apoio de todos que se conseguiu enfrentar a morte do pai de um, da mãe de outro. Foram os doze que celebraram os aniversários, que comemoraram os sucessos escolares e amorosos, foram os doze que festejaram a entrada de todos para o patamar seguinte, a faculdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Separaram-se fisicamente mas continuavam a juntar-se sempre, religiosamente, sextas feiras à noite para fazer o apanhado da semana. Jantavam e depois iam sair à noite, divertimento próprio dos jovens das suas idades. Começaram a ter namoradas; começaram a ter menos tempo uns para os outros. Mas sempre que podiam faziam qualquer coisa juntos, só eles, os doze, o grupo. E um dia disseram: “por mais que nos separe, haveremos sempre de fazer um jantar por mês, à sexta feira. Sem mulheres, sem filhos, só nós.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Mas as semanas acumulavam-se entre as ocasiões em que se viam; reformularam a promessa: “haveremos de fazer um jantar de dois em dois meses!”. Mas ao entrarem no mundo do trabalho, cada vez menos podiam jantar de dois em dois meses. E o tempo decorria cada vez mais depressa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Foi, com surpresa, que souberam que um deles abandonou a faculdade. A pressão era muita, preferia ir trabalhar já e fazer pela vida, mas continuava a vê-los sempre que podia, ainda que fugazmente, até desaparecer quase completamente. Outro engravidou a namorada e começou a trabalhar enquanto estudava à noite, esse quase nunca mais o viram. E ainda outro, que foi o melhor do curso, sem surpresas aceitou um convite para ir trabalhar para o estrangeiro. Passariam anos até que o voltassem a encontrar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Um meteu-se na droga, roubou casas e carros, foi preso e na prisão ficou durante cinco anos. Eram, então, cada vez menos que compareciam nos jantares esporádicos que se iam fazendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Até que um ano, quando iam ter com os outros, dois deles morreram num horrível desastre, enquanto estavam na auto-estrada. Ao saber disto, o que lhes era mais chegado, tirou a própria vida poucas semanas depois. Tentaram perceber porquê; descobriram que tinha perdido tudo ao jogo. A morte dos companheiros foi o catalisador para o suicídio.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;E antes mesmo de todos fazerem 25 anos, o grupo dos doze estava desfeito. Aquilo que parecia imutável foi derrubado com um conjunto de circunstâncias que se suponham ineficazes contra aquela muralha de doze torres que era a sua união. Restavam então cinco que se reuniam regularmente, mas mesmo assim já só de ano a ano. Mas continuavam sempre, sem mulheres, sem filhos, só eles.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-2179472632043106409?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/2179472632043106409/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=2179472632043106409' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2179472632043106409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2179472632043106409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/02/doze-i.html' title='Doze - I'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-767985560652376344</id><published>2007-01-28T01:03:00.000Z</published><updated>2007-01-28T01:05:08.741Z</updated><title type='text'>Darwinismos ou Reflexão extemporânea</title><content type='html'>Se só os mais fortes e adaptáveis subsistem, como é que eu ainda estou aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-767985560652376344?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/767985560652376344/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=767985560652376344' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/767985560652376344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/767985560652376344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/01/darwinismos-ou-reflexo-extempornea.html' title='Darwinismos ou Reflexão extemporânea'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-7157922424331006381</id><published>2007-01-15T21:14:00.001Z</published><updated>2007-01-15T21:14:43.106Z</updated><title type='text'>Nocturno - op. 6</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Abro os olhos novamente e novamente vejo o tecto. Sei que agora estou mesmo acordado porque oiço barulho de loiça à minha esquerda e a mesa de cabeceira com o despertador está à minha direita. Espero que a silhueta entre em contraluz na porta aberta e quando as pernas morenas se evidenciam antes dos longos cabelos castanhos que emolduram o sorriso alvo e puro na cara de feições angelicais à soleira da porta do quarto, sorrio. Inspiro e fecho os olhos.&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-7157922424331006381?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/7157922424331006381/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=7157922424331006381' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/7157922424331006381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/7157922424331006381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/01/nocturno-op-6.html' title='Nocturno - op. 6'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-2531735335816142162</id><published>2007-01-15T21:13:00.000Z</published><updated>2007-01-15T21:14:07.649Z</updated><title type='text'>Nocturno - op. 5</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Abro os olhos e vejo o tecto. Sem desviar o olhar, toco com a mão direita no corpo que está ao meu lado. O tacto revela-me uma pele seca, rugosa, quebradiça. Olho para o despertador na mesa de cabeceira à esquerda da cama; só se passaram seis minutos desde que me deitei.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-2531735335816142162?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/2531735335816142162/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=2531735335816142162' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2531735335816142162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/2531735335816142162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/01/nocturno-op-5.html' title='Nocturno - op. 5'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-332307951477487805</id><published>2007-01-15T21:12:00.000Z</published><updated>2007-01-15T21:13:05.522Z</updated><title type='text'>Nocturno - op. 4</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Abro os olhos e expiro. Estou aninhado no chão, aos pés da cama. Sento-me nela e olho instintivamente para a direita: o espelho agora está lá.&lt;br /&gt;Suspiro de alívio. Olho para o que se passa lá fora, a cidade, minha companheira de insónia. Mas não é a minha cidade.&lt;br /&gt;É, mas está com as cores invertidas, como o negativo de uma fotografia. Sinto o coração bater mais rápido, os pulmões a expandirem-se, as pupilas a dilatarem-se. Levo a mão ao coração; lá está ele, fiel, a bater no lado direito.&lt;br /&gt;No meu tímpano furado, o esquerdo, segreda-me uma voz suave, quente, esperançada, acompanhada pela melodia que o pássaro estava a cantar, tocada em piano:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;- Isto está tudo a passar-se na tua mente, eu conheço-te. Eu conheço-te. Isto não é verdadeiro. Não há regras, não há realidade, é tudo tão fácil… se acreditares, claro…&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Pouso as mãos na cama. A minha mão direita toca num calcanhar suave. Pelo canto do olho, vejo uma cabeça coberta de longos cabelos castanhos deslizar na almofada.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-332307951477487805?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/332307951477487805/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=332307951477487805' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/332307951477487805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/332307951477487805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/01/nocturno-op-4.html' title='Nocturno - op. 4'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-757941853596763914</id><published>2007-01-15T21:11:00.000Z</published><updated>2007-01-15T21:12:16.187Z</updated><title type='text'>Nocturno - op. 3</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Abro os olhos. Levanto-me e sento-me na cabeceira da cama. Olho para a esquerda e reparo que o espelho está agora naquela parede. E que o meu cabelo cresceu exponencialmente, acompanhado por uma barba grisalha.&lt;br /&gt;Olho para a frente; a cidade vê, como eu, o Sol nascer a Oeste e pôr-se rapidamente a Este. Antes que me aperceba desta aparente incongruência, o astro repete a façanha. E outra vez, fazendo movimentos destes em pouco mais de trina segundos. A cidade acompanha: vejo as pessoas, carros, aviões, tudo em passo acelerado, a viverem as suas rotinas, mas agora &lt;st1:personname productid="em reverso. Consigo" st="on"&gt;em reverso.  Consigo&lt;/st1:personname&gt; ouvir tudo o que me rodeia, mas de trás para a frente, acompanhado de um silvo imperceptível. Fecho os olhos e inspiro.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-757941853596763914?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/757941853596763914/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=757941853596763914' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/757941853596763914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/757941853596763914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/01/nocturno-op-3.html' title='Nocturno - op. 3'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-4823664519184415234</id><published>2007-01-15T21:10:00.000Z</published><updated>2007-01-15T21:13:36.230Z</updated><title type='text'>Nocturno - op. 2</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Sinto a unha do dedo mindinho do meu pé direito a raspar no edredão. Faço o mesmo movimento para o outro dedo e ele está lá. Mais um. E outro. E o dedo grande fecha a contagem de cinco. Repito o exercício, desta vez com o pé esquerdo; cinco deste lado também. Cerro os punhos. Agora que acordei, sou um ser humano normal; dez dedos nos pés, dez dedos nas mãos.&lt;br /&gt;Soergo-me e volto à posição do meu sonho, mas agora uma só luz provém da cidade envolta em escuridão, tocada por algo maléfico, que espreita por cima da figura reflectida em primeiro plano nas vidraças. Fixo o olhar nela; sinto uma aura de negrume assentar-me nos ombros. A figura que me devolve o olhar sou eu, mas com olhos dardejantes e cruéis.&lt;br /&gt;Fecho os olhos. Abro-os. Semicerro-os. Acto contínuo, o meu alter-ego mimeta os meus movimentos oculares. Cedo e, como que em câmara lenta, procuro o meu reflexo no espelho da parede à minha direita, mas não estou só.&lt;br /&gt;Uma sensação de uma agulha extremamente fina a penetrar-me o miocárdio, batimentos irregulares, arritmia. Uma figura negra acompanha-me.&lt;br /&gt;Rodo a cabeça cento e oitenta graus para a esquerda; não está lá nada. Movimento inverso para a direita, não logrei fazê-la desaparecer. Olhei-a, então, nos olhos e ela falou. Não a ouvi pelos meus ouvidos surdos, mas antes a sua voz ebúrnea, pesada, pastosa, entrou através do olhar e propagou-se por todos os meus ossos, como se a raspar.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Tu sabias que tens um coração de pedra.&lt;br /&gt;Podias-me ter avisado.&lt;br /&gt;Devias-me ter avisado.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Senti os movimentos cardíacos acelerarem e o coração gelar enquanto se calcificava. Um cheiro a enxofre foi a última coisa que o meu cérebro processou antes de se desligar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-4823664519184415234?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/4823664519184415234/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=4823664519184415234' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/4823664519184415234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/4823664519184415234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/01/nocturno-op-2.html' title='Nocturno - op. 2'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-7103522446954374066</id><published>2007-01-15T20:10:00.000Z</published><updated>2007-01-15T21:10:18.757Z</updated><title type='text'>Nocturno - op. 1</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Vagarosamente, abotoo a camisa. Ergo o olha para as portas envidraçadas de acesso à varanda, mesmo em frente à cama onde me sento. Do lado de fora, a cidade adormecida devolve-me o olhar, amortalhada pela neblina, velada pela escuridão, salvaguardada pelas luzes bruxeleantes de algumas janelas.&lt;br /&gt;Um pássaro madrugador chilreia mas antes que consiga explanar a sua melodia, a composição é estrangulada pelo leve ronronar de uma carrinha, parada debaixo da janela.&lt;br /&gt;A frequência aumenta de nível e transforma-se numa espécie de estática que me entra pelos ouvidos. Consigo sentir a ressonância da vibração na minha cabeça e nos meus ossos. Uma onda mais intensa perpassa-me o ouvido direito e depois faz-se silêncio; algo goteja na minha orelha direita.&lt;br /&gt;Levo uma mão lá e depois passo-a em frente aos meus olhos. A parca enrubescência na escuridão confirma-me que é sangue. Um calor fulgurante na perna esquerda desvia-me a atenção e faz-me olhar para baixo.&lt;br /&gt;Consigo ver as veias a palpitar, fazendo subir e descer o tecido rugoso das minhas calças. Um ruído agudo e baixinho insinua-se de alguma forma pelo meu tímpano direito, que está furado. Sinto os gânglios a inchar, tornando difícil a tarefa da respiração.&lt;br /&gt;Mais importante que isso, constato, inexpressivamente, que tenho seis dedos no pé esquerdo. Desvio o olhar para a direita e consigo ver o dedo grande e, logo ao lado, o dedo mindinho. Afago suavemente a alcatifa por baixo dos meus pés descalços, com os dois dedos do pé direito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-7103522446954374066?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/7103522446954374066/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=7103522446954374066' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/7103522446954374066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/7103522446954374066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/01/nocturno.html' title='Nocturno - op. 1'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-8718968852295026109</id><published>2007-01-10T20:16:00.000Z</published><updated>2007-01-10T20:19:23.743Z</updated><title type='text'>Regresso</title><content type='html'>Confesso que sou melhor nisto, de escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que me sinto melhor sempre que escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que isto é uma necessidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que isto é como o ar, o sono, a comida, o whisky, os analgésicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que estou mesmo de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em breve, muito em breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-8718968852295026109?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/8718968852295026109/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=8718968852295026109' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/8718968852295026109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/8718968852295026109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2007/01/regresso.html' title='Regresso'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-114678589063822229</id><published>2006-05-05T00:37:00.000+01:00</published><updated>2006-05-05T00:38:10.650+01:00</updated><title type='text'>Intenção</title><content type='html'>Se é para ser assim, prefiro não saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-114678589063822229?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/114678589063822229/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=114678589063822229' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114678589063822229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114678589063822229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/05/inteno.html' title='Intenção'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-114047449318081287</id><published>2006-02-20T22:27:00.000Z</published><updated>2006-02-20T22:28:13.180Z</updated><title type='text'>Querer</title><content type='html'>Quero que seja o vento a sussurrar-me palavras de conforto ao ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-114047449318081287?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/114047449318081287/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=114047449318081287' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047449318081287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047449318081287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/02/querer.html' title='Querer'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-114047441022366731</id><published>2006-02-20T22:25:00.000Z</published><updated>2006-02-20T22:26:50.223Z</updated><title type='text'>À deriva</title><content type='html'>Sinto-me a flutuar e à deriva. Convenço-me cada vez mais que qualquer um que não eu sofre de um qualquer tipo de debilidade mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-114047441022366731?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/114047441022366731/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=114047441022366731' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047441022366731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047441022366731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/02/deriva.html' title='À deriva'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-114047430377315146</id><published>2006-02-20T22:24:00.000Z</published><updated>2006-02-20T22:25:03.773Z</updated><title type='text'>Controlo</title><content type='html'>A facilidade com que perdemos o controlo das coisas é grande e revela-se sempre na pior altura possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-114047430377315146?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/114047430377315146/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=114047430377315146' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047430377315146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047430377315146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/02/controlo.html' title='Controlo'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' 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Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047423689642430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047423689642430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/02/linha.html' title='Linha'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-114047417352484825</id><published>2006-02-20T22:21:00.000Z</published><updated>2006-02-20T22:22:53.526Z</updated><title type='text'>Matemática</title><content type='html'>A necessidade de dizer e fazer coisas estúpidas aumenta proporcionalmente com o número de horas de privação de sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-114047417352484825?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/114047417352484825/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=114047417352484825' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047417352484825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047417352484825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/02/matemtica.html' title='Matemática'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-114047406073715371</id><published>2006-02-20T22:19:00.000Z</published><updated>2006-02-20T22:21:00.736Z</updated><title type='text'>Anseios</title><content type='html'>Anseio pelos dias idílicos em que o vento nos sussurra suavemente aos ouvidos canções de embalar e as árvores verdes escoam a luz solar em milhares de luminiscências independentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-114047406073715371?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/114047406073715371/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=114047406073715371' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047406073715371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047406073715371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/02/anseios.html' title='Anseios'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-114047397181610697</id><published>2006-02-20T22:18:00.000Z</published><updated>2006-02-20T22:19:31.816Z</updated><title type='text'>Constatação</title><content type='html'>Estar em sociedade faz-me sentir sujo; preciso de isolamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-114047397181610697?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/114047397181610697/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=114047397181610697' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047397181610697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047397181610697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/02/constatao.html' title='Constatação'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-114047390935472461</id><published>2006-02-20T22:17:00.000Z</published><updated>2006-02-20T22:18:29.353Z</updated><title type='text'>Carências</title><content type='html'>O que mais me faz falta não é a companhia ou a partilha de algo. Não; o que me falta mais é ter alguém a quem ligar no fim da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-114047390935472461?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/114047390935472461/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=114047390935472461' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047390935472461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047390935472461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/02/carncias.html' title='Carências'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-114047381574564496</id><published>2006-02-20T22:16:00.000Z</published><updated>2006-02-20T22:16:55.746Z</updated><title type='text'>Vontades</title><content type='html'>Tenho vontade de fazer novos inimigos para substituir os que já matei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-114047381574564496?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/114047381574564496/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=114047381574564496' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047381574564496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047381574564496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/02/vontades.html' title='Vontades'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-114047375345001945</id><published>2006-02-20T22:14:00.000Z</published><updated>2006-02-20T22:15:53.450Z</updated><title type='text'>Noções de tempo</title><content type='html'>O passado é uma ilusão dos nossos pensamentos. O futuro é uma manta de retalhos criada nos nossos sonhos. O tempo, esse, não existe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-114047375345001945?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/114047375345001945/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=114047375345001945' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047375345001945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114047375345001945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/02/noes-de-tempo.html' title='Noções de tempo'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-114004284543546678</id><published>2006-02-15T22:32:00.000Z</published><updated>2006-02-15T22:34:05.436Z</updated><title type='text'>Auto-estima</title><content type='html'>Por vezes acho que a minha auto-estima percorre abnegadamente um electrocardiograma; sobe, desce, eleva-se, afunda-se...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-114004284543546678?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/114004284543546678/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=114004284543546678' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114004284543546678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114004284543546678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/02/auto-estima.html' title='Auto-estima'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-114004257358815874</id><published>2006-02-15T22:24:00.000Z</published><updated>2006-02-20T22:14:08.856Z</updated><title type='text'>Gasto</title><content type='html'>Sinto-me velho, gasto e usado como a beata de cigarro esquecida que não conseguiu chegar à sarjeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;RCA&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-114004257358815874?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/114004257358815874/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=114004257358815874' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114004257358815874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/114004257358815874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/02/gasto.html' title='Gasto'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-113745257449156550</id><published>2006-01-16T22:58:00.000Z</published><updated>2006-01-16T23:02:54.500Z</updated><title type='text'>Centenário</title><content type='html'>Este é o centésimo post deste blog. A mim, que os escrevi, parece-me que se passaram 100 anos desde que começei aqui a escrever; os dias e as coisas demoraram tanto tempo a passar, envelheci tanto... posso dizer que senti cada um dos 365000 dias se passam num século a atravessar-me impiedosamente. Mas cá estou, firme e inabalável, pronto para mais um século de dor, felicidade, necessidade, reflexão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-113745257449156550?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/113745257449156550/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=113745257449156550' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113745257449156550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113745257449156550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/01/centenrio.html' title='Centenário'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-113650747199312176</id><published>2006-01-06T00:08:00.000Z</published><updated>2006-01-06T00:31:12.050Z</updated><title type='text'>Inveja ou O segundo aniversário de estoicismo</title><content type='html'>Revejo mentalmente os estados diferentes de cada um à partida para ao que chegamos agora. Fiquei claramente para trás em algum ponto da corrida, mas nem o sei identificar, tantos são os momentos que me parecem possíveis de os ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei para trás irremediavelmente no momento em que abri ambas as mãos e esperei, esperei, esperei... No momento em que me apercebi que já não havia nada por esperar, foi quando soube que fiquei para trás. Entre esses dois momentos, dor. Dor de tal intensidade que deixou sequelas para o que ainda hoje vivo e digo e sinto e faço. As feridas podem até já ter cicratizado, podem até já ter fechado e nunca serão abertas, mas doiem. Doiem enquanto o meu sangue passar perto delas, doerão sempre enquanto as mostrar de tal forma a que alguém as pode tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E caminho, sob a chuva, sob o sol, sobre a estrada, sobre a rocha; caminho sempre em busca do trilho de que me afastei para que possa recomeçar. E invejo quem dele nunca se afastou ou o encontrou mais rapidamente que eu. Invejo o talento de outrém, porque eu não consigo encontrar a fonte de onde eles bebem, não recebo a energia que os faz mover para encontrar o caminho, não encontro o caminho que os faz reviver aquilo a que todos temos direito, excepto eu, pois inadvertidamente devo ter infringido uma lei qualquer desconhecida de nós, mortais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas conformo-me na minha inconformidade. Sempre me senti como Prometeu, sempre inconformado com aquilo a que tinha que obedecer. Nada há de mudar, cometerei sempre os mesmos delitos, pois para isso fui gerado e criado. A minha busca da felicidade moderada reside e passa pela necessidade de equilíbrio mas sem cometer os excessos daqueles que precisam de retirar, sem nunca repôr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conformo-me por agora com o meu estoicismo, mas vivo na certeza que cedo ou seguramente me inconformarei e disso me rebelarei. Vivo na certeza que hei-de ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-113650747199312176?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/113650747199312176/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=113650747199312176' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113650747199312176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113650747199312176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/01/inveja-ou-o-segundo-aniversrio-de.html' title='Inveja ou O segundo aniversário de estoicismo'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-113650521379342162</id><published>2006-01-05T23:33:00.001Z</published><updated>2006-01-05T23:53:33.803Z</updated><title type='text'>Perfil</title><content type='html'>Agarrava a rede com a mão esquerda. Observava, para lá desta, algo indistinto, movendo lentamente os olhos. Levou a mão direita ao bolso das suas calças que faziam conjunto do fato com o seu casaco escuro e sóbrio. Suspirando silenciosamente, olhou para o seu relógio de pulso. Manteve-se imóvel por uns momentos e, de seguida, afastou-se da rede que o separava do lado de lá; o lado dos outros, dos restantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mordia o lábio inferior por dentro enquanto caminhava de mãos nos bolsos. Retirou-as e procurou algo no bolso interior do casaco. Remexeu durante uns instantes e tirou finalmente aquilo que pretendia: um pequeno bloco de notas e um lápis. Escreveu algo, em andamento, antes de voltar a guardar o bloco no seu lugar. Olhou para o seu lado e viu um rapaz que lhe retribuía o olhar. Imobilizou-se e abriu a boca para dizer qualquer coisa, mas fechou-a repentinamente e voltou a morder a já sua familiar afta no lado de dentro do lábio inferior. Remeteu aos bolsos as mãos; as pernas retomaram o movimento; a mente registou, para anotar mais tarde, as palavras que não disse uma vez mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto é um pequeno (e insignificante) tributo a todos os Toby Zieglers do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-113650521379342162?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/113650521379342162/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=113650521379342162' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113650521379342162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113650521379342162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/01/perfil_05.html' title='Perfil'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-113642107301683190</id><published>2006-01-05T00:24:00.000Z</published><updated>2006-01-05T00:31:13.016Z</updated><title type='text'>A minha rede</title><content type='html'>Foi posta ali ao lado a minha rede. Eu sei que é uma novidade, mas a vida é feita de coisas novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-113642107301683190?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/113642107301683190/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=113642107301683190' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113642107301683190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113642107301683190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/01/minha-rede.html' title='A minha rede'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-113640864694763534</id><published>2006-01-04T21:03:00.000Z</published><updated>2006-01-04T21:04:06.946Z</updated><title type='text'>And then again, what's the point?</title><content type='html'>Estou a falar, gritar, sangrar para as paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-113640864694763534?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/113640864694763534/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=113640864694763534' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113640864694763534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113640864694763534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/01/and-then-again-whats-point.html' title='And then again, what&apos;s the point?'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-113640843967954822</id><published>2006-01-04T20:55:00.000Z</published><updated>2006-01-04T21:00:39.690Z</updated><title type='text'>Eppur si muove</title><content type='html'>Está parado no papel, mas em pleno movimento aqui dentro. Descobri finalmente o final daquilo que é agora a minha finalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-113640843967954822?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/113640843967954822/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=113640843967954822' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113640843967954822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113640843967954822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/01/eppur-si-muove.html' title='Eppur si muove'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-113630234066648161</id><published>2006-01-03T15:30:00.000Z</published><updated>2006-01-03T15:32:20.676Z</updated><title type='text'>No horizonte longínquo</title><content type='html'>Adivinha-se a libertação de mais uma das correntes... Se isso acontecer, então faltará pouco, muito pouco, para a emancipação completa. Quem sabe, poderei mesmo vir a ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-113630234066648161?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/113630234066648161/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=113630234066648161' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113630234066648161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113630234066648161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/01/no-horizonte-longnquo.html' title='No horizonte longínquo'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-113624419083967983</id><published>2006-01-02T23:15:00.000Z</published><updated>2006-01-02T23:23:10.840Z</updated><title type='text'>Gritos</title><content type='html'>Instantes de sanidade digladiam-se com a eterna dormência e lassidão. Ao longe, as torres brancas são guardiãs da esperança perante os céus baixos, espessos e pesados, prestes a desabar. Gritos ecoam nas falésias e saliências onde as lapas se agarram desesperadamente à vida. Caio de joelhos enquanto a minha garganta se liberta de tanta coisa e de tanto tempo acumulados. Sou fustigado pela brisa salgada e pela chuve doce, como que num paradoxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retraio-me. Já foi tudo libertado; a minha garganta pede tréguas enquanto se inflama. Páro de apelar às torres brancas, cumpriram a sua missão. Suportei a tempestade e ergo-me dos escolhos, enquanto me reinvento. Ultrapassei esta provação, porventura a pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-113624419083967983?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/113624419083967983/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=113624419083967983' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113624419083967983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113624419083967983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/01/gritos.html' title='Gritos'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-113624356375036880</id><published>2006-01-02T22:28:00.000Z</published><updated>2006-01-02T23:13:07.036Z</updated><title type='text'>Príncipe</title><content type='html'>Contemplo as diminutas dimensões do meu espaço de controlo e segurança. A obsessão instalou-se e só partirá quando for obedecida totalmente e sem discussão. Daqui observo o que me circunda: desolação e solidão. Olho para dentro e o cenário é o mesmo. Analiso melhor e concluo que a altitude média da minha vida é de 0m acima do nível do mar; não há montanhas ou depressões que apaguem a monotonia da pradaria seca, fera e estéril, infinita na sua devastação. Não sei o que é maior; se a solidão que me rodeia ou a força do vento que bate os campos infindáveis do meu pequeno espaço de controlo e de segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no entanto, vivo nessa desolação, nesse ermo de ausência de sentidos e de sensações, porque eu sou o Príncipe da minha própra desolação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-113624356375036880?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/113624356375036880/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=113624356375036880' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113624356375036880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113624356375036880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/01/prncipe.html' title='Príncipe'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-113616246067927730</id><published>2006-01-02T00:30:00.000Z</published><updated>2006-01-02T00:41:00.716Z</updated><title type='text'>Manifestações</title><content type='html'>Acordei e voltei. Escrevi e publiquei. Mais se seguirá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-113616246067927730?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/113616246067927730/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=113616246067927730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113616246067927730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113616246067927730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/01/manifestaes.html' title='Manifestações'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-113616150323084173</id><published>2006-01-02T00:17:00.000Z</published><updated>2006-01-02T00:30:07.380Z</updated><title type='text'>Despertar</title><content type='html'>Lentamente, a luz do sol nascente sobe o meu peito até chegar aos meus olhos. Um copo retine ao longe, passos aproximam-se. Os meus ouvidos vibram com os sons, os meus olhos reviram-se debaixo das pálpebras, o meu nariz capta odores familiares, os meus dedos tacteiam o tecido do que quer que seja que me cobre o corpo, a minha língua saboreia os meus lábios. Os meus sentidos fervilham com tantas sensações que há muito não se manifestavam. A tão familiar dor percorre cada um dos meus membros, impulsionando o meu corpo a reagir. Abro os olhos e desperto. Estou de novo acordado, estou de novo vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-113616150323084173?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/113616150323084173/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=113616150323084173' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113616150323084173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/113616150323084173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2006/01/despertar.html' title='Despertar'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-112825910650137613</id><published>2005-10-02T14:01:00.000+01:00</published><updated>2005-10-03T13:22:14.260+01:00</updated><title type='text'>Monólogo</title><content type='html'>- What do you feel is more important? To remain shut or to open yourself to others?&lt;br /&gt;- What does it matter? They'll never understand you at all. I believe it's best to keep it to yourself.&lt;br /&gt;- But don't you think that's the fastest way to loneliness?&lt;br /&gt;- What IS loneliness? Being alone? Having no one to talk to? When you have so much people around you who don't give a fuck if you are dying inside or not, it's kinda stupid... I rather be alone than to open myself to others; it keeps me safe from all that can hurt me.&lt;br /&gt;- But... wouldn't you like someone to talk to, to be with, to a have a laugh, even someone you could love...?&lt;br /&gt;- Fuck all that. I've tried, I honestly have. And to tell you the truth, it's good for a while. But then those moments make me bored 'cause they seem bored with me. And I can't stand anyone who's bored with me. I'm not boring, you see, it's only them that don't get me.&lt;br /&gt;- Why must you always put the blame on others? Why don't stop and think that maybe the problem is with you?&lt;br /&gt;- I don't have a problem. Or, perhaps, I have. But I don't give a shit. If people can't stand my problem or problems, I won't stand theirs. Either way, I think that the only person it would be worth spending some time with, would be the one that came to me and not talk about him ou herself; it'd be the one that said to me 'let's sit down and have a talk about what's wrong with you'. If someone comes to me to help me out with what is troubling me, then I'd be glad to be with that person and talk about myself.&lt;br /&gt;You see, the only person I have that I can talk to about me is you. And you are me, so I guess it doesn't count that much.&lt;br /&gt;- But you are talking now...&lt;br /&gt;- Yes, but you already know the answers to the questions you are asking. It's like playing chess against yourself; you can antecipate your opponent's moves, because you're the one who's going to make them. It's a neverending circle that you can't escape from.&lt;br /&gt;- But what's with the whole hostility thing towards people? Don't you think that you are shooting first and asking the questions then, when it should be the other way around?&lt;br /&gt;- Fuck that. I don't care. I'll even tell you more: I think that the whole concept of shooting first and ask then or the other way around as you put it is completely wrong. You should shoot first, don't ask and keep shooting. If someone lives, you shoot it dead. And then you can ask the questions. Or you can always keep shooting until you run out of rounds.&lt;br /&gt;- Live rounds or blanks?&lt;br /&gt;- Fuck blanks. Where's the fun in that?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-112825910650137613?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/112825910650137613/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=112825910650137613' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/112825910650137613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/112825910650137613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2005/10/monlogo.html' title='Monólogo'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-112118966604719684</id><published>2005-07-12T18:33:00.000+01:00</published><updated>2005-07-12T18:34:26.053+01:00</updated><title type='text'>Vila Ferreira - 1.2</title><content type='html'>À sombra de um chaparro, Zé do Pipo e Mouro descansavam. As telhas novas brilhavam ao sol, no topo do celeiro, fruto do trabalho árduo dos dois homens.&lt;br /&gt;De olhos fechados, sentindo o suor escorrer pela testa coberta de cabelo, Mouro, assim chamado pela sua compleição muito morena, inspirava lentamente. Enchia os pulmões de ar e só depois expirava, com um ar satisfeito. Zé, por sua vez, fitava, de olhos caídos no chão, os seus próprios pés. Pensativo, desentrelaçou as mãos e pô-las nos bolsos. Ia falar quando percebeu que o Mouro, de súbito, se tinha posto sério. Levantou os olhos e viu que o rosto do companheiro estava cerrado e o seu olhar fixo no horizonte.&lt;br /&gt;- Tenho que ir pedir a jorna ao Medros… - disse Mouro com um tom sombrio.&lt;br /&gt;- Os miúdos…? – Inquiriu Zé.&lt;br /&gt;- Sim. – Assentiu Mouro. Passou as mãos pela cara e inspirou fundo antes de continuar – A Luísa diz que eles passam fome, mas eu é que não como nada há dois dias…&lt;br /&gt;- Que queres? A vida não é fácil. Para além de pobres, as desgraças só nos acontecem a nós. Olha o Tó. – Replicou o Zé do Pipo.&lt;br /&gt;- Pois… - soltou apenas Mouro, enquanto erguia os olhos para o céu, como que à procura de algo.&lt;br /&gt;Ficaram calados durante algum tempo. Um sopro de ar quente fez soltar mais algumas gotas de suor do topo das cabeças morenas dos dois homens. Zé do Pipo revirava o chapéu nas mãos enquanto fitava a planície deserta. As searas de trigo dourado, imóveis, estendiam-se pela herdade até às casas no monte. Ao fundo, para lá deste, os estábulos e as pastagens onde os animais passavam os dias e as noites.&lt;br /&gt;Perscrutava o horizonte quando, no carreiro de terra que dos lados do portão, uma pequena figura foi tomando forma. O Mouro olhava agora atentamente, também, para o rapaz que vinha a correr. Quando ele se aproximou, chamou:&lt;br /&gt;- Eh Manel! Onde vais com tanta pressa?&lt;br /&gt;O porcariço travou até parar. Dobrou-se e pôs as mãos nos joelhos, enquanto retomava o fôlego. A arfar, conseguiu dizer:&lt;br /&gt;- Estou à procura de Vasco Medros, o feitor. Tenho um recado para ele da parte do Mira. – Calou-se, para não se cansar mais.&lt;br /&gt;- Do Mira, dizes? – Disse o Mouro, introspectivo. – Está bem, anda daí. Também tenho que falar com ele. – Levantou-se e estendeu o braço ao Zé. Este, sempre de olhos fixos no vazio, ergeu-se.&lt;br /&gt;Dirigiram-se então, os dois homens e o rapaz, para a casa onde se fazia o almoço para os homens. À medida que se aproximavam, o cheiro a comida foi-se instalando à sua volta. Manel sentia o estômago colar-se às costas, tal era a fome. Mas a mesa posta à sombra era tanto mais apelativa quanto o aroma que saía de dentro da cozinha. Zé do Pipo passou a língua pelos beiços; também ele tinha fome.&lt;br /&gt;Dona Josefa apareceu na soleira da porta. Com um sorriso nos lábios, viu que os homens se iam sentando.&lt;br /&gt;- Chegam a boas horas, está quase pronto! – Exclamou.&lt;br /&gt;- Oh Zéfa, o que é o almoço? – Inquiriu o Mouro.&lt;br /&gt;- Hoje é borrego assado. – Informou Dona Josefa. Desviou o olhar para o porcariço – Manel, já lavaste as mãos?&lt;br /&gt;- Não, Dona Zéfa…&lt;br /&gt;- Então vai lá. – Disse a velha criada de forma benevolente. Sorriu ao ver o rapaz correr para a cozinha. Sentou-se ao lado do Zé do Pipo e perguntou:&lt;br /&gt;- Os outros? Onde estão?&lt;br /&gt;- Devem estar a vir da vila. – Respondeu o interpelado enquanto partia um dos grandes e duros pães que estavam em cima da mesa. Passou metade ao Mouro e arrancou um pedaço da sua. Levou-o à boca e começou a mastigá-lo devagar, como que a aproveitar o facto de ter comida na boca.&lt;br /&gt;Mouro não tocou no seu pão, apesar da fome que lhe roía o estômago. Estava mais preocupado em saber se levava comida para casa nesse dia.&lt;br /&gt;- Zéfa, onde está o feitor da Herdade? – Perguntou.&lt;br /&gt;- Foi ver as searas com o Bento, o Xavier e o Castro. Porquê?&lt;br /&gt;- Tenho que lhe pedir a jorna… - murmurou, de olhos postos no pão, como que envergonhado, aquele homem de barba rija e pai de cinco filhos. Dona Josefa não respondeu; compreendia a miséria que aqueles homens viviam, a miséria que todos sentiam.&lt;br /&gt;Ao abeirar-se da mesa, Manel perguntou, por sua vez, por Vasco Medros. A velha criada, absorta nos seus pensamentos, respondeu:&lt;br /&gt;- Há-de estar a chegar. Hoje parece que ninguém quer comer, todos querem saber onde está o Sr. Vasco… - calou-se, mirando a planície ondulada. O silêncio foi geral até à chegada do feitor e dos outros camponeses. Ao vê-los aproximarem-se, Manel levantou-se de um salto e correu para eles.&lt;br /&gt;- Sr. Vasco! Sr. Vasco! Tenho que lhe dizer uma coisa!&lt;br /&gt;Ao ouvir isto, mandou os homens que o acompanhavam sentarem-se com um gesto da sua mão. Afastou-se mais uns passos da mesa e interpelou o porcariço.&lt;br /&gt;- Diz lá o que se trata, Manel.&lt;br /&gt;- Venho de Vila Ferreira, da venda do Sr. Romão. – Parou para respirar – O Mira disse-me para lhe dizer que o patrão Francisco voltou.&lt;br /&gt;- O patrão Francisco!? – Exclamou o feitor, não sem alguma surpresa.&lt;br /&gt;- Sim. Pelo menos foi o que o Mira disse – tornou o miúdo.&lt;br /&gt;Vasco Medros, perante tal informação, deixou-se ficar quieto. Sentia agora uma pequena aragem levantar-lhe o cabelo por detrás das orelhas. Baixo, mas de ombros e peito largos, a sua cabeça era coberta por um invulgar cabelo loiro naquelas paragens. Talvez fosse essa mais uma das razões que levava os camponeses a respeitarem-no como se fosse o seu patrão. Efectivamente, na ausência de Francisco Ferreira e, tendo em conta as mortes do pai e tios deste, era Vasco que dirigia os destinos da Herdade, sob as ordens longínquas vindas de Lisboa da parte de Francisco. Agora, e na iminência da sua chegada, Vasco via um peso ser-lhe retirado dos ombros, pois que vinha aí a sempre complicada época da ceifa.&lt;br /&gt;- Vai-te sentar, Manel, e diz à Zéfa para servir. – Disse o feitor, quebrando o mutismo. Virou-se para o carreiro que ligava o monte ao portão da Herdade, como que à espera de ver o seu amigo voltar. De facto, dois homens subiam vagarosamente a ladeira, mas eram apenas Álvaro e Mira, vindos de Vila Ferreira. Dirigiu-se para a mesa, onde já fumegava uma caçarola, quando o Mouro saiu ao seu encontro. Percebendo que seria interpelado, estacou e esperou.&lt;br /&gt;O Mouro, perante aqueles olhos penetrantes, hesitou nos seus intentos. Apercebendo-se disto, Vasco falou:&lt;br /&gt;- Desembucha, homem, que parece que a gata te levou a língua!&lt;br /&gt;Aturdido com estas palavras, o camponês, cabisbaixo, apenas conseguiu balbuciar:&lt;br /&gt;- Pois, Sr. Vasco… o que eu lhe vinha pedir era se me podia adiantar a jorna…&lt;br /&gt;- Olha Mouro, falamos a seguir ao almoço, sim? – Retorquiu o feitor, e foi-se sentar à cabeceira da mesa. Baralhado com a ausência de uma recusa frontal, Mouro seguiu-lhe os passos. Sentou-se e, com um olhar desconfiado, guardou o seu pão no bolso forrado por dentro do seu colete; hoje haveria que comer em casa.&lt;br /&gt;Antes de se sentar, o Mira deu umas palavras em voz baixa a Vasco. Este nada respondeu e mandou-o apenas sentar. Depois de ver todos no seu lugar, levantou-se e tomou a palavra:&lt;br /&gt;- Bem, rapazes, comam, que quem não é para comer, não é para trabalhar! – Exclamou.&lt;br /&gt;Posto isto, Dona Josefa levantou a tampa de barro da caçarola e imediatamente um aroma a ervas enbebidas no sangue do borrego penetrou nas narinas daqueles homens, que havia muito que não comiam.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Serviram-se e comeram em silêncio, apenas parando para dar uns goles de água e vinho, que ajudavam a empurrar a carne e as batatas para baixo. Depois, e já com a barriga mais reconfortada, começaram a falar. Fosse sobre as searas que iam ceifar dentro de poucos dias ou sobre os acontecimentos da noite passada em Valcrespo, a verdade é que todos estavam contentes por poderem comer e retemperarem as forças. Dona Josefa retirara-se para a cozinha e dava já ordens às raparigas que a ajudavam nas lides da arrumação. Aos poucos, os homens voltaram ao silêncio, contemplando a vastidão dourada que os cercava e cujo seu fado era desbastá-la. Manel dormitava agora à sombra das oliveiras. Uma leve aragem, suficiente para tirar todos de um abafado sufocante, correu por entre a verde folhagem daquelas árvores perenes.&lt;br /&gt;Refrescados pelo vento suave, começaram agora, os afortunados que tinham, a enrolar cigarros. Mas, num espírito de camaradagem, partilhavam-nos com os seus compadres. Afinal, se a todos tocava o infortúnio geral, ao menos que todos aproveitassem estes pequenos prazeres. E foi já sobre uma densa nuvem de fumo, que aqueles que estavam à mesa viram-no chegar: o homem de fato preto, que trazia o casaco por cima do ombro direito e com a camisa branca suja de poeira, subia o monte e vinha para a mesa. O Mira deu uma cotovelada discreta no braço de Álvaro; este anuiu silenciosamente com os olhos.&lt;br /&gt;Vasco Medros levanta-se. Compondo a camisa com as mãos, dirige-se ao recém-chegado. Os dois homens envolvem-se num abraço fraterno e trocam, silenciosamente, algumas palavras. De seguida, Vasco condu-lo à mesa onde todos os homens os fitam em silêncio. Ouvem, então, pela primeira vez a voz do desconhecido, que lhes fala com um tom afectuoso embrenhado numa voz áspera.&lt;br /&gt;- Boas tardes, meus senhores. O meu nome é Francisco Ferreira e sou o vosso patrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-112118966604719684?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/112118966604719684/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=112118966604719684' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/112118966604719684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/112118966604719684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2005/07/vila-ferreira-12.html' title='Vila Ferreira - 1.2'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-112118956953059005</id><published>2005-07-12T18:31:00.000+01:00</published><updated>2005-07-12T18:36:26.476+01:00</updated><title type='text'>Vila Ferreira - 1.1</title><content type='html'>O calor sufocante que se fazia sentir obrigava as pessoas a procurarem abrigo dentro de casa. Poucos eram os que se aventuravam pelas ruas de Vila Ferreira, fustigada pelo vento suão e pelo sol ardente. O ar não era mais do que calor parado. A aragem quente que corria parecia drenar a vida de quem ela tocava.&lt;br /&gt;Talvez fosse por isso que somente quem estava na venda do Romão viu aquele homem de fato preto subir a colina pela estrada que vinha de Valcrespo. Álvaro e Mira estavam sentados a uma mesa, bebendo vinho. O Romão acompanhava-os na conversa lenta, que escorria como o dia. Calaram-se quando o homem entrou. Alto, trigueiro e introspectivo, o ar de mistério era completado pelo fato preto e gravata condizente, naquele dia escaldante. Sentou-se, perante o ar expectante dos três homens.&lt;br /&gt;- Uma cerveja. Fresca. – Pediu, enquanto alargava a gravata e desabotoava o primeiro botão da camisa.&lt;br /&gt;Silencioso, Romão serve-lhe a cerveja. Fita-o enquanto o desconhecido bebe com voracidade, como se não bebesse havia dias. Quando acabou, levantou-se e lançou sobre o balcão uma moeda de escudo.&lt;br /&gt;- Boas tardes, meus senhores. – Disse, à laia de despedida e saiu da venda.&lt;br /&gt;Saiu para o sol impiedoso e os homens admiravam-no por não usar chapéu. Mira inquieta-se na sua cadeira.&lt;br /&gt;- Diabos me levem se não era… Oh Romão, chama o puto!&lt;br /&gt;- Manel! Anda cá, Manel! – Bradou o dono da venda para dentro.&lt;br /&gt;Manel, o porcariço da Herdade, assomou à porta que dava para a sala que servia de arrecadação. Franzino e pequeno, o olhar vivo comprometia o seu aspecto de pequeno adulto. Ninguém sabia ao certo a sua idade, embora devesse rondar os treze, como ninguém sabia quem eram os seus pais.&lt;br /&gt;- Diga, Sr. Romão.&lt;br /&gt;- Já arrumaste as sacas? – Perguntou Romão.&lt;br /&gt;- Já, senhor. E já arrumei também as garrafas. – Informou o porcariço.&lt;br /&gt;- Então faz o que o Mira te pedir – retorquiu o comerciante, com um ar satisfeito pelo trabalho desenvolvido pelo miúdo.&lt;br /&gt;Manel voltou-se para o Mira. Este acabou de sorver o copo antes de falar.&lt;br /&gt;- Manel, vais a correr até à Herdade e procuras Vasco Medros, o feitor. Diz-lhe que vens da parte do Mira – fez uma pausa para limpar o suor da testa. – Diz-lhe que o Patrão Francisco voltou. – Perante a imobilidade do miúdo, Mira dá-lhe um caldo no pescoço e exclama. – Ainda aqui estás?&lt;br /&gt;Manel larga a correr. Os dois homens da lavoura ficam a observá-lo enquanto a criança desaparece no ar trémulo por causa do calor. Romão, sempre silencioso, seca um copo.&lt;br /&gt;- Calor de um cão… - desabafa Álvaro, antes de acabar o seu copo. Em jeito de concordância, Romão acena com a cabeça, ainda com um ar compenetrado no copo.&lt;br /&gt;Mira levanta-se. Aproxima-se, casualmente, do balcão e dispara a pergunta que lhe vem roendo a boca.&lt;br /&gt;- Mestre Romão, não me queres fiar uma onça de tabaco?&lt;br /&gt;O breve sussurrar do vidro contra o pano cessa. Álvaro levanta os olhos do copo, como que interessado. Romão responde simplesmente:&lt;br /&gt;- Sabes que não vendo fiado, Mira – e continua a secar o copo. Perante o ar desolado do Mira, Álvaro intervém.&lt;br /&gt;- Paga-te duas onças de Duque, e um pacote de mortalhas. – Levanta-se e aproxima-se do balcão, por seu turno. Tira do porta-moedas a quantia exacta e deixa-a na mão estendida do comerciante.&lt;br /&gt;Recebem o tabaco. Ajeitam os chapéus na cabeça e, despedindo-se, saiem da venda. É, agora, a vez de Romão vê-los desaparecer por entre a alvura brilhante das csas. Voltou ao copo, já seco.&lt;br /&gt;Os dois homens vão, vagarosos, enrolando cigarros. Sentam-se nos degraus da fonte da praça, fumando. Vila Ferreira estende-se à sua volta; o Paço do Município, imponente, com a bandeira parada e morta no mastro do varandim, domina a praça. As vendas, relojoarias, sapatarias e outro comércio completavam a praça deserta. As casas dos camponeses espraiavam-se em redor. De quando em quando, quintais surgiam nas traseiras, onde as mulheres lavavam a roupa nos tanques de pedra.&lt;br /&gt;Uma cantilena triste interrompe a reflexão muda dos dois homens. Viram, por trás do fumo dos cigarros parado no ar, um homem surgir de uma viela. Balanceava a cabeça ao sabor da sua cantiga, imperceptível.&lt;br /&gt;- É o Louco… - deixou escapar o Mira, por entre baforadas.&lt;br /&gt;Aproximou-se da fonte onde Álvaro e Mira estavam sentados. Com uma vénia teatral, cumprimentou-os.&lt;br /&gt;- Boas tardes, meus senhores. Que este sol brilhante e generoso aqueça os vossos corações. – Posto isto, afasta-se, com a gadelha comprida e morena exposta ao sol que ele tanto apregoava.&lt;br /&gt;- Vida fácil leva ele… - sentencia Álvaro.&lt;br /&gt;- Se também a mim me dessem de comer… - agarrado ao estômago, o Mira olha para o céu.&lt;br /&gt;Álvaro fala, quebrando o silêncio que se havia instalado.&lt;br /&gt;- Vamos, já nos devem esperar na Herdade. – Levantou-se e começou a andar.&lt;br /&gt;Mira atira o que resta do cigarro para longe. Levanta-se, por sua vez, e dá uma corrida para alcançar o amigo. Vão, lado a lado, pela estrada de terra, ladeada pelas casas dos seus companheiros. Uma criança fitava-os, muda e queda, da soleira de uma porta.&lt;br /&gt;- Um dos putos do Mouro… - aponta o Mira. Continuam a caminhar. A brancura suja das casas vai sendo gradualmente substituída pela planície castanha. Uma árvore ergue-se, solitária, à beira da estrada, projectando uma última sombra à saída da vila. Ainda ouvem a criança chamar, por trás deles.&lt;br /&gt;- Oh senhora mãe!&lt;br /&gt;Álvaro mete as mãos aos bolsos.&lt;br /&gt;- Calor de um cão… - repete. Mira concorda com um aceno da cabeça e as palavras perdem-se no vento que não sopra. Tomam o caminho da direita; Vila Ferreira, deserta sob o sol, fica para trás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-112118956953059005?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/112118956953059005/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=112118956953059005' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/112118956953059005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/112118956953059005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2005/07/vila-ferreira-11.html' title='Vila Ferreira - 1.1'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-112118947742057228</id><published>2005-07-12T18:29:00.000+01:00</published><updated>2005-07-12T18:31:17.426+01:00</updated><title type='text'>Publicação</title><content type='html'>Nos próximos posts, vou publicar o primeiro capítulo do que ando a escrever. É a versão final, mas poderão ser efectuadas algumas alterações, agradecia portanto o feedback.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-112118947742057228?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/112118947742057228/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=112118947742057228' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/112118947742057228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/112118947742057228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2005/07/publicao.html' title='Publicação'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-111904780256161204</id><published>2005-06-17T23:35:00.000+01:00</published><updated>2005-06-17T23:36:42.570+01:00</updated><title type='text'>Ditadura</title><content type='html'>Porque é que se sofre? Porque é que se pode passar de um sentimento de invulnerabilidade para uma total e completa frustração? E, acima de tudo, como?&lt;br /&gt;São feridas infligidas por palavras, actos, gritos, gestos. São feridas que só com o tempo saram, se de facto podem sarar. Aqueles que conseguem ressurgir por entre os escombros de uma desilusão, um fracasso, uma derrota, sabem o que custa ligar-se a outra pessoa de modo a poder ficar numa posição em que se pode magoar novamente. Todas estas considerações e meditações levaram-me a concluir que a melhor maneira para tal não acontecer, é instaurar uma ditadura. Uma ditadura de amor (ou de sua proibição) e uso exclusivo dele por apenas aqueles considerados “aptos para amar”.&lt;br /&gt;Tais pessoas seriam aquelas que foram, estão, estiveram magoadas por outras, pois essas sabem utilizar o amor de forma correcta. Seriam criadas “juntas médicas” especializadas para avaliação e atribuição especial de uma licença para o uso de sentimentos afectivos. Todos aqueles com antecedentes de terem magoado alguém inocente seriam proibidos de sentir e banidos da sociedade que poderia amar.&lt;br /&gt;Um dos apanágios desta ditadura, é o facto de aqueles que magoaram não poderem voltar a fazê-lo. Ser-lhes-ia retirada a possibilidade de o fazerem outra vez, à custa de nunca mais sentirem amor. Será justo pensar assim? Se calhar não, mas se pensarmos nas dores provocadas por eles a outros por causa do próprio amor, então nada temos que sentir senão ira perante este esbanjamento. E é com esta convicção que eu lutaria por isto, juntamente com todos aqueles que estão fartos de sofrer. Fartos de sofrer por culpa daqueles a quem tínhamos jurado a nossa vida e que fizeram dela um joguete nas suas mãos maldosas.&lt;br /&gt;Mas basta que ela me toque na cara, que me beije, que me deixe mexer nos seus cabelos para que tudo isto não passe de sentimentos cá dentro que nunca sairão pela boca, mas sim pelos dedos. Porque é nessas alturas em que de facto penso que tudo isso não vale a pena, mas sim estar ao lado dela, amá-la e fazer dela a pessoa que me faz feliz. E com isto a revolver-me os pensamentos, deixo-me ser levado pelo seu abraço débil, pelo qual sou capaz de dar a minha vida. Abraço-a, pois, e esqueço tudo. Desejo ficar nesta união para a eternidade, onde nada nem ninguém nos poderá separar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-111904780256161204?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/111904780256161204/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=111904780256161204' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111904780256161204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111904780256161204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2005/06/ditadura.html' title='Ditadura'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-111737454270396688</id><published>2005-05-29T14:45:00.000+01:00</published><updated>2005-05-29T14:49:02.710+01:00</updated><title type='text'>Gotta knock a little harder...</title><content type='html'>Tenho mesmo que me aperceber da magnitude dos projectos em que vou embarcar... Tenho que fazer a minha vida toda à volta deles, mas será que valerão a pena? Será que no fim posso olhar para trás e dizer: "Foi bom" ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que lhes darão o devido valor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A incerteza é um dos piores sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-111737454270396688?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/111737454270396688/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=111737454270396688' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111737454270396688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111737454270396688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2005/05/gotta-knock-little-harder.html' title='Gotta knock a little harder...'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-111713966399232172</id><published>2005-05-26T21:28:00.000+01:00</published><updated>2005-05-26T21:34:23.996+01:00</updated><title type='text'>Para não dizerem</title><content type='html'>Ultimamente não tem havido razões para que os meus sentimentos ganhem forma literária, e é basicamente por isso que não tenho escrito ou publicado nada. Mas o que sobe, tem que descer e hão de vir novas coisas. Basta esperarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-111713966399232172?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/111713966399232172/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=111713966399232172' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111713966399232172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111713966399232172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2005/05/para-no-dizerem.html' title='Para não dizerem'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-111670688955759642</id><published>2005-05-21T21:18:00.000+01:00</published><updated>2005-05-21T21:21:29.563+01:00</updated><title type='text'>Produção</title><content type='html'>Está nesta fase a grande epopeia (ou não) que se contorce dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiros capítulos já feitos, falta agora ligação a um final ainda imprevisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-111670688955759642?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/111670688955759642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=111670688955759642' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111670688955759642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111670688955759642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2005/05/produo.html' title='Produção'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-111575817539222219</id><published>2005-05-10T21:48:00.000+01:00</published><updated>2005-05-10T21:49:35.410+01:00</updated><title type='text'>Alentejo</title><content type='html'>Um breve sopro de vento contraria o calor. Deitado, de braços abertos, olho para cima e vejo o céu azul, límpido. Cá em baixo, no meio da seara dourada, respiro lentamente. As minhas mãos acariciam as espigas e sou levado através da planície ondulada.&lt;br /&gt;Doce e melancólica, esta estende-se até o horizonte, até o infinito. A calma invade-me; as pálpebras, pesadas, cerram-se. O toque suave da pele acaricia-me e denuncia a razão da minha paz. Tudo se espraia lentamente: a planície, a respiração, a carícia, o amor.&lt;br /&gt;Ela está imóvel. Destoam-se apenas os seus cabelos escuros no meio do trigo brilhante ao sol; como que a manter o equilíbrio cósmico. Toco-lhe a cara, como que para me certificar da sua natureza corpórea e não etérea. É real, tal como a minha felicidade.&lt;br /&gt;Uma nuvem tapa o sol, somos cobertos pelas sombras. Uma cigarra canta numa árvore distante. A nuvem passa. Tudo é ritmado, lento, mas seguro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como o meu amor por ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-111575817539222219?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/111575817539222219/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=111575817539222219' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111575817539222219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111575817539222219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2005/05/alentejo_111575817539222219.html' title='Alentejo'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-111324923514317618</id><published>2005-04-11T20:51:00.000+01:00</published><updated>2005-04-11T20:53:55.146+01:00</updated><title type='text'>Rock</title><content type='html'>Os últimos acordes ainda ecoavam na sala. Esgotado, deixou cair a guitarra e foi a custo sentar-se numa das cadeiras mais próximas. Bebeu um copo que estava na mesa e pediu outro. Fechou os olhos e pôs as mãos em cima da mesa. Sentia os dedos a latejar, enquanto os ouvidos ainda tiniam.&lt;br /&gt;Ao longe, ainda conseguia ouvir a melodia. Só queria que a dor passasse, só queria que aquilo acabasse. Bebeu o copo que lhe deram e recostou-se na cadeira. Fitou o palco durante alguns segundos; o suficiente para ver que alguém tomava o seu lugar.&lt;br /&gt;E daqueles dedos saía uma melodia harmoniosa. Era como se fundissem com as cordas e daí resultasse um virtuosíssimo simbiótico. Deixou-se ficar mais uns segundos sentado a ouvir. Os segundos passaram e transformaram-se em minutos. E quando deu por si, já ouvia aquele desconhecido havia uma larga meia hora.&lt;br /&gt;E foi aí que reparou que aquele desconhecido era ele. Livre de todas as inibições, de todos os receios e preocupações. Tocava de olhos fechados e sorriso na cara, com um ar totalmente descontraído, parecendo minimamente concentrado.&lt;br /&gt;Envergonhado, ficou sentado tentando perceber porque é que não era sempre capaz de tocar assim. Percebeu, por fim, que o que fazia de mal era não viver o momento, não se deixar ir.&lt;br /&gt;E desde aí adicionou alegria e vida a tudo o que fazia e quem o via, confundia-o com aquele desconhecido que uma noite subiu ao palco no bar e tocou a mais bela música que já se ouviu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-111324923514317618?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/111324923514317618/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=111324923514317618' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111324923514317618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111324923514317618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2005/04/rock.html' title='Rock'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-111184834419431385</id><published>2005-03-26T14:44:00.000Z</published><updated>2005-03-26T14:45:44.196Z</updated><title type='text'>Cativeiro</title><content type='html'>Olho à minha volta: as mesmas grades, as mesmas pedras, as mesmas correntes, tudo é igual ao início, tudo é constante. Passam os tempos, passam as pessoas, passam os motivos; continuo preso.&lt;br /&gt;Continuo para aqui deixado, exilado, humilhado. A única coisa que me consola, é saber que nada fiz para não merecer estar aqui. Merecerei estar manietado? Merecerei não ser livre? Se calhar sonhei demasiado alto, demasiado longe, demasiado perfeito para os homens comuns. Se calhar desafiei alguma razão ou hierarquia superior, se calhar contestei involuntariamente uma lógica imutável e talvez por isso esteja para aqui a um canto.&lt;br /&gt;O tempo passa. O sol vai e vem, as nuvens fazem-se e desfazem-se, lenta e pacientemente. Não temos alternativa senão esperar pelo fim da eternidade, eu e elas, elas e eu. Somos companheiros de espera, mas elas estão lá fora. Lá fora, ao vento, à chuva, durante o dia, durante a noite. Minhas fiéis companheiras, minhas tortuosas companheiras de cativeiro.&lt;br /&gt;Choro. Por todas as coisas que não vi, pelas vezes que não penteei os teus cabelos, pelos dias mortos em que dormimos, pelas folhas caídas que contemplámos sem nos questionarmos o porquê da nossa hesitação. E por aqui continuo, envolvido em lágrimas, pensamentos passados e futuros, e espero. Espero pelo presente que não vem, que se confunde com o que foi e com o que será.&lt;br /&gt;Imobilizo-me. A esperança não me abandona porque nunca me preencheu. A conformidade é um dom que possuo, a ignorância é a felicidade que desejo. Espero aqui que deixe de sonhar com a nesga de céu que vejo por entre as barras. Conformo-me à cela onde fui confinado, conformo-me com a minha conformidade, não cedendo ao desespero. Estou aqui apenas, resignado, à espera que o tempo passe para que chegue o dia que não há-de chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-111184834419431385?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/111184834419431385/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=111184834419431385' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111184834419431385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111184834419431385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2005/03/cativeiro.html' title='Cativeiro'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-111090129005254078</id><published>2005-03-15T15:41:00.000Z</published><updated>2005-03-15T15:41:30.056Z</updated><title type='text'>Mar</title><content type='html'>Vim para junto do mar; para pensar, escrever um bocado, fumar uns cigarros. Encostei-me a uma pedra, apertei o casaco para me proteger do frio e olhei. Olhei em meu redor e deixei que os meus sentidos tomassem conta de mim.&lt;br /&gt;O azul do céu, carregado de cinzento, junta-se com o azul do mar numa longínqua linha brilhante. As minhas mãos sentem a aspereza das rochas, imperturbáveis e sólidas. Sinto o cheiro da brisa fresca e suave; sinto na boca o sal e humidade do ar. Sou embalado pelo grasnar tranquilo das gaivotas em uníssono com o rebentamento das ondas.&lt;br /&gt;Um choque mais forte faz-me despertar desta sonolência; vejo a maré subir e os pescadores escalar também mais umas rochas. Envergonhado, percebo que os meus problemas são minúsculos comparados com a imensidão do mundo. Levanto-me e afasto-me do mar, mas sempre com o som das ondas nos meus ouvidos, a lembrar-me a minha insignificância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-111090129005254078?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/111090129005254078/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=111090129005254078' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111090129005254078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111090129005254078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2005/03/mar.html' title='Mar'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-111090124600022721</id><published>2005-03-15T15:40:00.000Z</published><updated>2007-06-28T02:41:57.525+01:00</updated><title type='text'>Água</title><content type='html'>Quero tornar-me água; ser levado pelo mar adentro, bater-me contra as rochas, embalar suavemente navios, agitar-me furiosamente quando me apetecer.&lt;br /&gt;Quero rugir durante a noite para libertar-me da dor, quero murmurar de manhã, de mansinho, para que todos os seres venham ter comigo. Quero fazer parte do ciclo da vida; quero que as pessoas admirem a minha cor quando o sol mergulhar em mim. Quero que as gaivotas façam voos rasantes à minha superfície; quero que as pessoas mergulhem em mim.&lt;br /&gt;Quero dar a voltar ao mundo sete vezes e não me cansar; quero ver os icebergues e os glaciares, quero correr debaixo das tundras e das estepes geladas; quero saborear o gosto das cidades costeiras e cosmopolitas; quero fazer a separação entre as águas mortais e os desertos ferventes; quero acariciar as ilhas, quero velar junto dos vulcões submarinos. Quero passear entre as selvas, quero deslizar suavemente pelos pântanos, quero galgar fronteiras e voltar para junto do berço dos oceanos. Quero encher o olhar de coisas novas, quero indefinir-me, quero chamar por alguém, quero libertar-me de ti.&lt;br /&gt;Ah!, como eu invejo o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-111090124600022721?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/111090124600022721/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=111090124600022721' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111090124600022721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111090124600022721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2005/03/gua.html' title='Água'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8461359.post-111089960736988424</id><published>2005-03-15T15:12:00.000Z</published><updated>2005-03-15T15:13:27.373Z</updated><title type='text'>Caminhava</title><content type='html'>Caminhava, sob o sol escaldante, sobre o alcatrão fervente. Passada após passada, conquistava terreno ao horizonte, longínquo mas redentor. Todas as suas energias concentravam-se para dar mais um passo em direcção àquilo que julgava ser o seu objectivo.&lt;br /&gt;Por vezes, sentia fraquezas; esqueletos e restos adjacentes ao seu caminho faziam-no pensar em desistir e voltar para trás. Momentos de atribulação, onde não se via em seu redor uma única gota de água, fonte de esperança e salvação. E, nessas alturas, não raras eram as vezes em que pensava mesmo desistir, como se aquele caminho, aquela determinação não valesse a pena.&lt;br /&gt;Mas, precisamente nessas alturas, lembrava-se de toda a sua convicção e do porquê em continuar, apesar de tudo. E era isso que lhe dava as forças necessárias para lutar contra os demónios e os esqueletos à beira da estrada.&lt;br /&gt;E continuava. Sempre a caminhar, para o seu objectivo; sem nunca desistir, mesmo quando a esperança era parca ou nenhuma, pois desistir seria ceder aos esqueletos e restos de outros desistentes. Ele era diferente, e por isso mesmo caminhava. Indiferente a pressões, necessidades, vontades.&lt;br /&gt;Por isso mesmo, a única coisa que ele queria, para além de chegar aonde queria, era que o deixassem caminhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RCA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ele chegou de facto ao que pretendia, cabe a cada um observar e tirar as suas próprias conclusões. Tudo o que ele queria que se lembrassem, é que ele só queria caminhar, à sua própria vontade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8461359-111089960736988424?l=escritosdepacotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/feeds/111089960736988424/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8461359&amp;postID=111089960736988424' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111089960736988424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8461359/posts/default/111089960736988424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdepacotilha.blogspot.com/2005/03/caminhava.html' title='Caminhava'/><author><name>escritor de pacotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17504342257560642573</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
